giovedì, maggio 28, 2009

Paulo Thiago

Fama
(para Manduka, Erickson Luna e Barroux)


A morte prematura
Endeusa o tipo.
E como saíste cedo
Esquecido, maldito
Tens tudo para
Dar luz ao mito.

Mas uma fama,
Que assim se deita
Desarruma a cama
Atrasa a colheita.
Morte e saudade
Arrebatam o homem
Santificam o nome.

Porém, és mais
Que páginas, jornais
Luz que acende
Sol que arde.
Nunca dependerás
De alarde.


Paulo Thiago é jornalista, antropólogo e poeta.

mercoledì, maggio 27, 2009

Sai a edição # 68, depois de uma ausência de cinco meses, em homenagem a memória do fotógrafo e editor do Jornal da Praça Eduardo Barrox que acontece junto com a retomada do Arte na Praça com as presenças dos performáticos Ivald Granato e José Roberto Aguilar, dia 30, sábado, a partir das 14h, no Espaço Plínio Marcos, na Feira de Artes da Benedito Calixto. Nessa tarde de sábado, Granato e Aguilar farão uma interferência sobre fotografia feita, na década de 80, por Barrox.

mercoledì, dicembre 17, 2008

A edição#67 do Sol/Jornal da Praça - que circulou em novembro - também fechou a programação editorial do ano de 2008. O jornal retoma retoma atividades e circulação nos melhores espaços culturais da cidade a partir da última semana de janeiro 2009 quando trará edição especial sobre a cidade de Sâo Paulo e o artista Flávio de Carvalho.
Sol/Jornal da Praça e seus editores agradecem a todos os anunciantes, colaboradores, simpatizantes e leitores e
deseja a todos um
feliz 2009
repleto de boas realizações

Fechando a programação de 2008, o projeto O Autor na Praça recebeu o poeta recifense João Cláudio Flávio Cordeiro da Silva, mais conhecido como Miró da Muribeca. Criador do mote: “Merece um tiro quem inventou a bala”, Miró apresentou performances poéticas e autógrafos dos livros “Poemas para sentir tesão, ou não”, “Tu tás aonde?” e o DVD "Miró: Preto, Pobre, Poeta e Periférico", um documentário premiado, dirigido por Wilson Freire de Lima, que retrata sua trajetória artística e de vida.

domenica, novembre 09, 2008


Mostra inaugurada em Londres (Inglaterra) reúne fotografias de guerra feitas pelo renomado Robert Capa entre os anos de 1936 e 1945. This is War, em cartaz na Galeria Barbican, traz imagens famosas como a da chegada dos soldados numa praia francesa no início das operações do Dia D, o desembarque de várias tropas das forças aliadas na costa da Normandia e que acabou, de certa forma, mudando o rumo da II Guerra Mundial. Além destas, as séries escolhidas para compor a mostra incluem imagens realizadas por Capa durante a Guerra Civil da Espanha, a Segunda Guerra Sino-Japonesa, Guerra de Independência de Israel e a Guerra da Indochina.
Outro destaque da exposição fica por conta das imagens da recém-descoberta ‘mala mexicana’, uma valise que pertencia ao fotógrafo e que ficou perdida por 70 anos. Na mala foram encontradas fotografias inéditas feitas durante a Guerra Civil espanhola, inclusive do movimento dos refugiados saindo de Barcelona em direção à França.
Como não poderia deixar de ser, um dos trabalhos mais polêmicos da exposição é também uma dos mais conhecidos do fotógrafo: O Soldado Caindo, feita em 5 de setembro de 1936 em Córdoba. Como se isso tivesse alguma importância, têm se discutido muito sobre a autenticidade da foto (acima), que mostra um soldado baleado caindo no momento de sua (dele) morte, ainda com o rifle na mão. Na década de 70 do século passado, começaram as especulações de que o soldado teria, na verdade, posado para o fotógrafo e que a cena não seria real.
Seja como for, Capa morreu como viveu: perigosamente. Mais exatamente em maio de 1954, ao pisar em uma mina terrestre enquanto fotografava as manobras francesas no delta do Rio Vermelho.
A Barbican Art Gallery fica na Silk Street, EC2Y 8DS, Londres, e a exposição vai até 25 de janeiro. (MT)

martedì, novembre 04, 2008


Na primeira semana de novembro, tarde de autógrafos do jornalista Wladimir Soares com seu livro Spazio Pirandello, assim era se lhe parece, que conta histórias do restaurante paulistano, um dos mais cultuados na década de 80. O livro tem imagens e registros de momentos inesquecíveis vividos no espaço que era misto de bar, restaurante, livraria e galeria de arte; além de ponto de encontro de artistas e intelectuais.

martedì, ottobre 28, 2008

Roberto PIVA: PIAZZACALIXTO

Flavio Viegas Amoreira

Praça Benedito Calixto, Sampa: numa clareira onde o transe poético em magma se fazia: dia 26 de julho Roberto Piva empunhava cálice e a deusa Mnemósine, personificação da ‘Memória’, irmã de Cronos e de Oceanos, mãe de todas as Musas. Onisciente o bardo xamânico evocava a lírica dos primórdios, a genealogia do encantamento, as cosmoagonias em transe continuum... Obsessivo, heterodoxo, nunca me filiei à ‘tchurmas’ literárias: sem ortodoxias, bebi das fonte paranóides de Piva e das galácticas de Haroldo: "gosto de gostar das coisas", dizia Warhol. As damas de Sampa olhavam curiosas Aguillar e o mestre Piva: Alta Cultura na praça são happening provocativo à burguesia desavisada: um orgasmo esse de fazer o ‘mix’ entre o poético-litúrgico e o shopping-utilitário: "Uma tarde/é suficiente para ficar louco" assim abre-se "Um estrangeiro na legião", reunião do clássico paulistano: uranista-erudito, meu mestre Roberto Piva brilhava frágil como os fortes do Tão "mostrando-nos um pedaço cru e sangrento de verdade’’ (Salvador Dali).
Eu vi "Astrakan’’ na Benedito Calixto: "Eu vi uma linda cidade cujo nome esqueci/onde manifestos niilistas distribuindo pensamentos puxam a descarga sobre o mundo’’ e segui até o termino tresloucado entre o desmanche dum sábado de caloroso inverno "sem o amor encontrado/provado/sonhado/sem procurar compreender/imaginar’’; leio, tresleio, sinto as "Piazzas’’ e seus estômagos "nascendo/no lindo lugar/de um amável coração/um banco revirado/cheio de silêncio/a tarde/sorrindo de frio/para poucas/cenas de ciúme ou Rimbaud beijando as pessoas/sua máscara lógica/dor irradiando/no ar/sobre o olhar sonâmbulo do anjo que ainda grita’’. Em tempos de literatura broxa, tive momento mágico: fui um anjo de Win Wenders espreitando o arcano bruxo: fiz-me Nietzsche até Santos: "Corre o rio do meu amor para o insuperável? Como não encontraria um rio enfim o caminho do mar?’’
Ficamos loucos na piazza piviana: "No alto do Viaduto o louco colava pedacinhos de céu na camisa de força destruindo o horizonte a marteladas/a Morte é um REFRÃO NO CRÂNIO SEM JANELAS’’. Eu que te buscava Roberto Piva: "apalpo teu livro onde as estrelas se refletem como numa lagoa". Torno ao Oceano e Roberto Piva faz-me lembrar urubus e garças atômicas. Um meteoro devastador não detêm ímpeto poético: seguirei "Apophis’’, o asteróide rompedor cantando uma ode cósmica. A morte é a ficção dos não-iniciados. Filho de Sodoma, Ludwig II benedito-maldito: Oceano-me.

Flávio Viegas Amoreira é escritor & crítico literário
www.revistapausa.blogspot.com

lunedì, agosto 04, 2008

Destacado autor e ator de teatro, cinema e televisão, Gianfrancesco Guarnieri - falecido em 2006 - também se destacou como cronista, embora essa sua produção seja pouco conhecida. Convidado por Jorge da Cunha Lima - na época editor do jornal Última Hora paulistano - Guarnieri escreveu crônicas diárias retratando a vida dos trabalhadores, sempre na segunda página do caderno cultural do periódico, o UH Revista, entre fevereiro e abril de 1964.
O resgate dessa faceta quase desconhecida de Guarnieri deve-se ao trabalho do jornalista Worney Almeida de Souza que, além recuperar as crônicas ilustradas com trabalhos do cartunista Otávio, fez um levantamento das manchetes da publicação, descrevendo a evolução da conjuntura nos meses que antecederam o golpe militar. O livro - lançado no projeto O Autor na Praça em agosto - ainda traz biografias e uma ampla compilação da produção intelectual de Guarnieri, incluindo a memória da peça O Filho do Cão, que o autor encenava no período focalizado.
O lançamento também celebra os 50 anos da primeira encenação da peça teatral Eles Não Usam Black-Tie (22 de fevereiro de 1958), que levou ao palco o cotidiano dos trabalhadores urbanos brasileiros, além de ter se tornado uma espécie de osso duro de roer para os militares golpistas.


CRÔNICAS 1964,
de Gianfrancesco Guarnieri,
ilustrações de Otávio,
organizado pelo jornalista
Worney Almeida de Souza

sabato, luglio 26, 2008

lunedì, luglio 21, 2008

o autor na praça & arte na praça
phBarrox
happening poético
poeta Roberto Piva
no Autor na Praça

tarde de autógrafos realizada sábado, 26 de julho
no Espaço Plínio Marcos
na Feira de Arte da Praça Benedito Calixto
produção Rita Alves

Manifesto Utópico-Ecológico
em Defesa da Poesia & do Delírio


Invocação


Ao Grande deus Dagon de olhos de fogo, ao deus da vegetação Dionisos, ao deus Puer que hipnotiza o Universo com seu ânus de diamante, ao deus Escorpião atravessando a cabeça do Anjo, ao deus Luper que desafiou as galáxias roedoras, a Baal deus da pedra negra, a Xangô deus-caralho fecundador da Tempestade.
Eu defendo o direito de todo ser Humano ao Pão & à Poesia. Estamos sendo destruídos em nosso núcleo biológico, nosso espaço vital & dos animais está reduzido a proporções ínfimas quero dizer que o torniquete da civilização está provocando dor no corpo & baba histérica o delírio foi afastado da Teoria do Conhecimento & nossas escolas estão atrasadas pelo menos cem anos em relação às últimas descobertas científicas no campo da física, biologia, astronomia, linguagem, pesquisa espacial, religião, ecologia, poesia-cósmica, etc., provocando abandono das escolas no vício de linguagem & perda de tempo em currículos de adestramento, onde nunca ninguém vai estudar Einstein, Gerard de Nerval, Nietzsche, Gilberto Freyre, J. Rostand, Fourier, W. Heinsenberg, Paul Goodman, Virgílio, Murilo Mendes, Max Born, Sousandrade, Hynek, G. Benn, Barthes, Robert Sheckley, Rimbaud, Raymond Roussel, Leopardi, Trakl, Rajneesh, Catulo, Crevel, São Francisco, Vico, Darwin, Blake, Blavatsky, Krucënych, Joyce, Reverdy, Villon, Novalis, Marinetti, Heidegger & Jacob Boehme & por essa razão a escola se coagulou em Galinheiro onde se choca a histeria, o torcicolo & repressão sexual, não existindo mais saída a não ser fechá-la & transformá-la em Cinema onde crianças & adolescentes sigam de novo as pegadas da Fantasia com muita bolinação no escuro.
Os partidos políticos brasileiros não têm nenhuma preocupação em trazer a UTOPIA para o quotidiano. Por isso em nome da saúde mental das novas gerações eu reivindico o seguinte:
1 - Transformar a Praça da Sé em horta coletiva & pública.
2 - Distribuir obras dos poetas brasileiros entre os garotos (as) da Febem, únicos capazes de transformar a violência & angústia de suas almas em música das esferas.
3 - Saunas para o povo.
4 - Construção urgente de mictórios públicos (existem pouquíssimos, o que prova que nossos políticos nunca andam a Pé ) & espelhos.
5 - Fazer da Onça (pintada, preta & suçuarana) o Totem da nacionalidade. Organizar grupos de Proteção à Onça em seu habitat natural. Devolver as onças que vivem trançadas em zoológicos às florestas. Abertura de inscrições para voluntários que queiram se comunicar telepaticamente com as onças para sabermos de suas reais dificuldades. Desta maneira as onças poderiam passar uma temporada de 2 semanas entre os homens & nesse período poderiam servir de guias & professores na orientação das crianças cegas.
6 - Criação de uma política eficiente & com grande informação ao público em relação aos Discos-Voadores. Formação de grupos de contato & troca de informação. Facilitar relações eróticas entre terrestres & tripulantes dos OVNIS.
7 - Nova orientação dos neurônios através da Gastronomia Combinada & da Respiração.
8 - Distribuição de manuais entre sexólogas (os) explicando por que o coito anal derruba o Kapital
9 - Banquetes oferecidos à população pela Federação das Indústrias.
10 - Provocar o surgimento da Bossa-Nova Metafísica & do Pornosamba. O Estado mantém as pessoas ocupadas o tempo integral para que elas NÃO pensem eroticamente, libertariamente. Novalis, o poeta do romantismo alemão que contemplou a Flor Azul, afirmou: "Quem é muito velho para delirar evite reuniões juvenis. Agora é tempo de saturnais literárias. Quanto mais variada a vida tanto melhor ".


Roberto Piva

martedì, luglio 08, 2008


Atração do projeto O Autor na Praça em julho, o jornalista Nirlando Beirão fez tarde de autógrafos de seu novo trabalho 'Original - Histórias de Um Bar Comum'.
Espécie de elogio à boêmia, o livro é resultado de pesquisa que recolheu curiosidades dos bares mais famosos da história e usa como pano de fundo o paulistano bar Original. Com linguagem apetitosa - como não podia deixar de ser para se tratar desse tema - o jornalista traz ao leitor uma viagem fazendo referências a episódios ligados a personalidades boêmias, como Sartre, Hemingway, Oscar Wilde, James Joyce e os brasileiros Vinicius de Moraes e Noel Rosa. Falando sobre esses e outros personagens e sobre todos os freqüentadores assíduos dos botecos mundiais, Beirão ressalta: “Bar, botequim, boteco, pub, café, tasca, birosca, petisqueira, bodega, taberna, cervejaria, cabaré, saloon – não importa o título, o lugar, a categoria nem a hierarquia, é o espírito democrático que sempre preside as libações, na generosa presunção de que, até prova em contrário, todo mundo ali é bom sujeito”. Antes disso, porém, o aperitivo são os botecos nacionais. O jornalista faz um roteiro sagrado dos bares paulistanos e cariocas mais clássicos, defendendo, é claro, entre chopes e petiscos, a boêmia tradicional de São Paulo. O livro também cita os botequins que abriram caminho à boêmia da capital paulista e serviram de inspiração ao Original, seja em festivais ou no batismo de pratos e petiscos da casa. O Bar do Léo e o Elídio, por exemplo, surgem como templos e são louvados em cada palavra cuidadosamente escolhida pelo jornalista. Algumas receitinhas reveladas e os Dez Mandamentos do chope também recheiam a publicação. Editado pela DBA (137 págs. – R$ 65,00), Original - Histórias de Um Bar Comum tem aperitivo e saideira de Washington Olivetto, fotografias de Romulo Fialdini e projeto gráfico de Victor Burton.

domenica, giugno 22, 2008

JdP#63, mai-jun 2008,
imagem de capa escritora Camille M., ph Barrox

Celso de Alencar

CONFISSÃO
Senhor,
caminhavam nas margens do rio
os homens que falavam com paciência.
Iam com lentidão
levando cestos com laranjas
e sacos de panos toscos
com três cachorros e quatro coelhos
recém-nascidos, dentro.
Eu lhes disse que os peixes
que nesse rio viviam
foram trazidos de outro rio
e todos eram fêmeas
e pariam filhotes com olhos
e bocas de mulheres que
amamentavam durante à noite.
Em nada que de mim saía, acreditaram
e continuaram o percurso.
Olhei o rio e os peixes.
As pessoas curvadas que se distanciavam.
Senti cheiro de suco de laranja
escorrendo nos meus braços,
sons estranhos de choro de cachorros
vagido de coelhos
e curtos gritos de homens.


de Poemas Perversos

Rita Alves
O BEIJO DO GATO
Não esperou que eu fechasse os olhos
Lambeu meu lábio
Riscou lentamente um rio no meu rosto
Leite morno
Que eu bebo sozinha

venerdì, giugno 20, 2008

phDivulgação
a cidade de São paulo no começo do século XX é recriada pelo artista Eduardo Kobra

Arte na Praça
por Edson Lima
Em sua 2º edição o Arte na Praça - iniciado em abril com o performático artista plástico Ivald Granato - trouxe o artista e muralista Eduardo Kobra ao Espaço Plínio Marcos, na Feira de Arte da Praça Benedito Calixto.
ARTE NA PRAÇA

Iniciativa deste Jornal da Praça em parceria com O Autor na Praça o novo projeto é tribuna livre e espaço aberto a todos os artistas visuais interessados em compartilhar parte de seus processos de trabalho com o público.

lunedì, maggio 12, 2008

edição#63, abril-maio 2008, ph Barrox
Benedito

Mostra São Paulo seu cartão postal de tarde ensolarada em dia de sábado na praça com todas as suas garotas em pernas e colos nus entre colares e lenços e máquinas fotográficas e livros e vinis e cadeiras e quadros pendurados pelas esquinas da Cardeal e Teodoro Sampaio entre carros e motos envenenadas porque não há mais nenhuma razão para esperar ou para correr – basta sentar e enamorar-se de cores e cheiros, talvez de carinhos e beijos enquanto alguém escreve autógrafos ou desenha ou pinta uma tela em branco e transborda tinta em concreto quando tudo parece estar (semi) morto numa completa inexistência de sonho ou romance. Poderia ser Paris ou Nova York, mas é certo que a poesia se diluiu e tranformou-se em outra coisa, mas ainda há quem suba em árvores e cante mesmo quando o (falso) silêncio permeia a possibilidade de se fazer arte – que seria a mesma coisa de se celebrar o dia.

Camaleoa

giovedì, maggio 08, 2008

ph Carolina Millor
Vivian Amarante é uma artista brasileira, que vive em Barcelona há 4 anos. A arquitetura de sua música nos remete a construções de uma poeta analítica que recorta da vida trechos cotidianos com delicadeza e profundidade, um convite a ouvir e pensar, sorrir e chorar, dançar.
Vivian está no Brasil gravando seu primeiro disco, com instrumentistas brasileiros. Noite dessas, de passagem e chuva pela Benedito Calixto, foi como se estivesse sendo levada pelo vento. À medida que ela me mostrava suas letras e melodias, senti um gosto peculiar do nosso país muito bem resolvido e misturado ao cheiro de café no ar, que pairava tranqüilo enquanto borboletas coloridas podiam dançar junto aos mosaicos dos jardins de Gaudí, tudo ao mesmo tempo. O trabalho, agora bem solidificado e às vésperas de ser projetado para o mundo, merece ser conferido.
Lilian Alves

lunedì, aprile 21, 2008

leituras dramáticas no MASP
todas as segundas-feiras às 19:30h
entrada gratuita

martedì, aprile 08, 2008

phBarrox
A Feira da Benedito Calixto, em São Paulo, acaba de ganhar mais uma alternativa de arte & cultura. É o projeto Arte na Praça, criado, elaborado e desenvolvido por este Jornal da Praça e que tem como objetivo apresentar mensalmente no Espaço Plínio Marcos um artista e sua obra através de happenings, diálogos e exposição de seus trabalhos, proporcionando um contato direto entre artista e público. Abrindo esta nova fase, Arte na Praça apresentou o artista performático Ivald Granato, que autografou seu novo livro Ivald Granato Art Performance, da Coleção Portfolio Brasil (J.J. Carol Editora). A obra mostra performances do artista do período de 1978 até os dias atuais.

giovedì, marzo 27, 2008

phBarrox
O coletivo de arte Dulcinéia Catadora foi a primeira atração do projeto O Autor na Praça em 2008. Integrantes do grupo se apresentaram e realizaram oficina no Espaço Plínio Marcos - Feira de Arte da Praça Benedito Calixto - no sábado 29 de março.
O Dulcinéia Catadora edita livros com capas de papelão feitas por adolescentes recém-saídos das ruas, catadores de papel e filhos de catadores. Além disso o grupo conta com a participação de escritores e artistas plásticos, como Lucia Rosa - que iniciou a versão brasileira do original argentino Eloisa Cartonera, conhecido no Brasil a partir de sua participação na 27ª Bienal de São Paulo.
Os trabalhos são realizados numa pequena sala cedida pelo Projeto Aprendiz no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, e editados a partir de textos cedidos pelos próprios autores. Com isso já foram feitos livros de autores consagrados como Haroldo de Campos, Jorge Mautner e Carlos Pessoa Rosa, entre outros. Além desses, Lucia soma nomes de escritores desconhecidos vindos de situações-limite, como o ex-sem teto Sebastião Nicomedes.
Dulcinéia Catadora é um dos quatro projetos de já criados na América do Sul: além dele e do Eloisa Cartonera, existem núcleos no Peru - o Sarita Cartonera - e o Yerba Mala, na Bolívia. O conceito que une os grupos é a difusão de novos autores pela América Latina através destes caminhos editoriais alternativos.
Os trabalhos produzidos pelo grupo são vendidos a $5, na séde, r. Pe. João Gonçalves, 100; ou em locais como o Espaço Plínio Marcos, na Pça Benedito Calixto; Galeria Vermelho; Mercearia São Pedro; ou na Livraria Realejo, na cidade de Santos.

domenica, marzo 16, 2008


ph Lilian Alves
LilianAlves
ERIKA – Quem seriam pra você hoje os marginais em atividade?
PERÉIO – Calma aí. O seguinte: quando não tem o leito do rio não tem margem, né? E, por exemplo, no Brasil todo mundo já nasce marginal. Quer dizer, porra, caralho. Nosso presidente da República é o Lula, caralho! Onde é que está o leito desse rio? É tudo margem! Então quer dizer, ser marginal no Brasil tem que descobrir uma brecha, que, porra, se o presidente da República fala mal das elites, que elites são essas? São elites falopéicas, imaginárias. Então o cara está querendo se colocar como um marginal, o cara que era ferramenteiro... Mas ele é a elite.
ERIKA – Então vamos falar de São Paulo.
PERÉIO – Adoro São Paulo. Sinto falta de chão em São Paulo. E ando na rua, não tenho medo de nada, só tenho covardia porque senão você morre. Pintou sujeita, a covardia te possui e quando você vê está a quilômetros de distância. Mas gosto de andar na rua. Uma vez fui contando os que já estavam embrulhadinhos pra dormir e quando chegou no 40 eu parei. O cidadão paulista entregou o chão pro povo da rua. O que os novos prédios estão fazendo é que não tem chão, tem os obstáculos pra ninguém estacionar... Não tem como andar na rua. São Paulo é uma cidade sem solo, sem chão. (...)



O trecho acima foi publicado em entrevista com o ator e apresentador, do programa Sem Frescura (Canal Brasil), Paulo César Peréio na revista KEY 08 (dezembro, 2007). Quando você lê este tipo de coisa numa revista dirigida por Érika Palomino (jornalista símbolo da cultura eletrônica brasileira nos anos 90 e famosa por ser do tipo que protegia alguns estilistas do "mundo fashionista"), numa publicação que a princípio é especificamente "de Moda", e quando vê na mesma revista editoriais fotográficos assinados por Miro mixando Alexandre Herchcovitch, Huis Clos, sacos de lixo e fotografias dos mendigos no centro de São Paulo por Paulo Giandalia; além de ver páginas e páginas preenchidas com a pintura política de Hildebrando de Castro em texto de Celso Fioravante e ainda colagens urbanas de Carlos Fajardo... ou ainda editoriais fotográficos assinados por Marlene Bérgamo e Mari Queiroz mixando os diversos tipos de morte no asfalto, em localidades que vão desde a Galeria Melissa nos Jardins até o bairro Munhoz Junior em Osasco, e quando você ainda recorda-se da temática da última edição da "São Paulo Fashion Week" (convivência urbana), então percebe que tudo valeu a pena naquele trabalho de formiguinha.
Desde ir de ônibus ao Ibirapuera assistir ao primeiro desfile do seu ‘estilista - ídolo’, desde vestir a Rebecca de noiva presidiária baleada ou escrever poesia para a menina Jessilene vendedora de lixas que tornavam-se flores pelas lentes do Barrox, até colocar na passarela as pessoas-poste envoltas por moulage de faixas de porcos políticos ou até tentar através de um simples vestido mostrar a algumas centenas de pessoas que não somos marionetes do poder, até conseguir transformar um pouco a possibilidade de pensamentos sobre processo criativo de uma equipe de trabalho num lugar completamente adverso do seu (que é Brusque), até conseguir fazer circular mensagens um pouco melhores através da linguagem de moda para grandes marcas e redes de magazine (graças à mesma, Brusque).
Então você agradece porque espiritualmente não estava mesmo sozinha (apenas parecia que falava sozinha e só os seus professores e amigos te entendiam – esses muitas vezes porque te amavam antes de entender) e você entende, sobretudo, que a dura pena que há vir ainda sempre valerá mais e mais, pois já consegue manter-se no mercado brasileiro um pequeno rol de publicações de pensamentos de moda, inseridas no contexto da vida real (a revista Catarina segue outra linha, mas também é muito interessante).
É, a moda está mudando, parece então que os ares da Vila Madalena fizeram bem para o jornalismo da Érika (onde ela instalou a sua casa-escritório) e já dá pra ter até um certo orgulho desta minha profissão... de ser quasestilista um pouco passada (inclusive com aqueles que não percebem coisas básicas a respeito de nossos poderosos instrumentos de comunicação, como a moda, que pode ser música ou poesia simplesmente concretizadas), por isso é bom agora voltar mesmo às ruas de São Paulo a recolher a parte que me cabe naquele chão que Peréio diz não existir mas que amo reconhecer, andar, cumprimentar, ler, decodificar, perceber sutilmente, melhorar, viver.
Mas antes disso, uma foto local também como prova de que é possível ser essa louca poesia contraditória em qualquer lugar. Ainda bem!


Lilian Alves é estilista e uma das fundadoras do Jornal da Praça