giovedì, dicembre 20, 2007


I HAVE A DREAM - teria dito Martin antes de levar um tiro - but I também sonho com terras e mares e fronteiras de girassóis e sorrisos e canções sobre liberdade em que toquem rock ou jazz ou bossa ou cantigas de roda sem discussões tolas sobre direitos e deveres. No sonho não tem papéis amassados nas ruas, nem livros jogados na fogueira ou abajures com peles tatuadas, nem vítimas do sistema, muito menos censura de pensamentos ou da expressão da arte. É possível que neste sonho alguns ladrões de sonhos devam ser demitidos mas, afinal, quem sente falta de político sacana? Para que jovens nunca mais sejam torturados e assassinados e massacrados por seus próprios sonhos de estradas e mochilas e guitarra por velhos cagaregras de leis e normas de condutas para troca de favores em novos armamentos e mais lucro para aqueles que (fingem) manter a ordem.
eU tEnHo UM SonHo de simplicidade como o de Hemingway com seu velho e o mar e toda aquela coisa de dignidade que já não existe mais com o suor do rosto, com a palavra de um Homem e a esperança no próprio trabalho e a fé nos deuses não mais usada como desculpa ou subterfúgio para novas/velhas explorações para construções suntuosas de PODER velado sob o medo a insegurança a ignorância do pobre que sobe e desce a avenida e acredita em diploma, MBA(argh!), na força de um partido no homem presidente eleito do povo e para
O Povo sacrificado e desonrado num cerceamento de opiniões e cálculos e estatísticas comprobatórias de extorsões. Coisas que - no sonho - fariam com que ele fosse julgado num tribunal de sonhadores por traição ao sonho – sem nenhuma ou qualquer manipulação de SONHOS que façam parecer vãos os preconizados por martinlutherking ou jesus ou buda ou francelmoduarte ou luizfláviocappio ou aquela senhora que anda horas num ônibus cheio pra ter direito ao trabalho mínimo e um um prato vazio.
A banda passa todo dia e a propaganda pretende enganar com soluções em rótulos para nossas (in)felicidades – bandanas de idiotas da modernidade em consumos profanos de (des)necessidades em transformando objetos em sonho e griffes em bens de consumo e tantas outras bugigangas importadas para somente parecer gente, sem saber que não é bem assim. Ou o lugar onde a fruta esteja ao alcance das mãos - madura e suculenta - sem ter de pagar dólares e sangues por isso, nem de outros índios ou crianças ou velhinhos. Para que enfim o fundo do quintal do nosso país seja Cocanha e não depósito dos nauseantes lixos culturais e industriais sabe-se lá vindos de onde. Um lugar onde seja possível brincar com o lúdico do que somos e a fantasia que criamos de nós mesmos em prosa poética ou pinceladas abstratas sobre o que um dia fomos ou podemos ser.

Camaleoa, editora associada do Jornal da Praça

lunedì, dicembre 17, 2007

Helena Ignez traz o Bandido da Luz Vermelha à Praça Benedito Calixto


O último evento de 2007 no projeto O Autor na Praça recebeu a atriz, diretora de cinema e teatro Helena Ignez em tarde de autógrafos do livro Rogério Sganzerla – Encontros e lançamento em DVD do filme O Bandido da Luz Vermelha. Trata-se de uma versão restaurada com mais de uma hora de extras. No mesmo dia, o Espaço Cultural Alberico Rodrigues exibiu pela primeira vez em São Paulo o documentário Brasil filmado por Sganzerla, em 1981, na comemoração do cinqüentenário do cantor e compositor João Gilberto. A fita foi rodada durante a gravação do disco Brasil, que também teve participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethania.

Transgressivo desde seu primeiro filme, O Bandido da Luz Vermelha, Sganzerla recriou um pouco da linguagem cinematográfica trazendo para a tela um certo contraponto ao que algunsd críticos chamaram de pedantismo do Cinema Novo. Obviamente sofreu perseguições da ditadura militar, que não suportava nenhuma forma de inteligência.
Considerada a obra-prima de Sganzerla, esta versão restaurada de O Bandido da Luz Vermelha (1968), chega às prateleiras das locadoras. Trata-se de um dos maiores filmes do cinema brasileiro. Em edição especial o DVD tem mais de uma hora de extras, incluindo curtas-metragens do diretor, trailer e depoimentos. Baseado em caso real, o filme conta a história de Jorge, um assaltante de casas de luxo em São Paulo. As manchetes policias da década de 60 não falavam de outra coisa e seu apelido - e modo de agir - foi copiado do então célebre Caryl Chessman, condenado à cadeira elétrica nos Estados Unidos por crimes que negou até o último instante. A versão tupiniquim, protagonizada pelo bandido Acácio (o Jorge do filme) desconcertava a polícia da então provinciana São Paulo pelo seu comportamento incomum. Além de usar uma lanterna vermelha - a exemplo de seu inspirador norte-americano - ele estuprava as vítimas, ficava conversando com elas e fazia fugas ousadas para depois gastar o dinheiro roubado de maneira extravagante. No filme o mundo do personagem é povoado de tipos como o detetive Cabeção, a prostituta Janete Jane e o político corrupto J. B. Silva.
Neste caso, parte da realidade acabou superando a ficção. Preso e condenado a 30 anos, o bandido real - o brasileiro - acabou sendo assassinado meses depois de ter saído do manicômio em que cumpriu pena.
Manteve-se a obra de arte com sua linguagem visual revolucionária. O Bandido da Luz Vermelha é visto por críticos e cinéfilos como uma espécie de ponto de transição entre a estética do Cinema Novo e a ruptura do Cinema Marginal. Nunca mais se fez cinema assim no Brasil. Filmado em preto e branco, é um daqueles que todo cineasta, desses despejados pelas escolas de cinema do país, deveriam ter na estante e assistir de quando em quando. Certamente aprenderiam muito. (EB)

mercoledì, dicembre 12, 2007

capa do tablóide Café Literário,
realizada pela
poeta Rebecca Navarro Frassetto,
que também assina o projeto gráfico


Por conta do Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos - celebrado em 10 de dezembro - a Rede de Justiça Social e Direitos Humanos em parceria com o projeto O Autor na Praça, promovem tarde de autógrafos do Relatório Anual dos Direitos Humanos no Brasil 2007 no próximo sábado, 15 de dezembro, com a participação dos organizadores e colaboradores. No mesmo dia, o escritor Austregésilo Carrano Bueno realiza tarde de autógrafos de seus dois novos livros, Canto dos Malditos e O Sapatão e a Travesti, textos teatrais escritos a partir de sua experiência com o livro autobiográfico Canto dos Malditos, que por sua vez originou o filme Bicho de Sete Cabeças, um dos mais premiados da cinematografia brasileira. Ainda na mesma tarde o Instituto Cultural Casa das Letras faz o lançamento da edição#34 do Café Literário, tablóide bimestral impresso que completará seis anos de existência em fevereiro próximo. O cartunista e caricaturista Júnior Lopes, colaborador deste Jornal da Praça, também é presença confirmada, além dos Editores Associados, que coeditam o tablóide literário. Os eventos acontecem no Espaço Plínio Marcos, na Feira de Arte da Praça Benedito Calixto, em São Paulo, a partir das 14h.

Relatório Anual dos Direitos Humanos no Brasil 2007
Resultado do trabalho de pesquisa de 28 organizações ligadas à defesa dos direitos humanos, o Relatório Direitos Humanos no Brasil 2007 é organizado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e traz um panorama sobre as violações de direitos humanos no Brasil este ano. O primeiro capítulo, intitulado "Direitos humanos no meio rural”, contém dados sobre a violência no campo e um balanço sobre a política agrária no Governo Lula. Também trata do agronegócio e sua ligação com a violação dos direitos humanos, além de trazer uma análise sobre o trabalho escravo no país, a situação dos trabalhadores no corte de cana no interior de São Paulo, das comunidades quilombolas no Brasil, as violências contra os povos indígenas, a situação do sertão baiano com a extração de urânio em Caetité, entre outras informações. A segunda parte tem como tema "Direitos humanos no meio urbano". Os textos abordam problemas como a segurança pública no estado do Rio de Janeiro, a situação dos migrantes bolivianos, dados sobre moradia e o tráfico de pessoas no Brasil. O relatório enfoca, em seu terceiro capítulo, dados sobre o direito à educação e o direito à alimentação; a situação da mulher; e uma análise sobre política e o desenvolvimento no contexto da Amazônia. As políticas internacionais e os direitos humanos são os destaques do último capítulo do Relatório Direitos Humanos no Brasil 2007. Estão ali análises sobre o endividamento público interno e externo e o impedimento à satisfação dos direitos humanos, e a atuação das tropas da ONU e as violações de direitos humanos no Haiti. Com prefácio de Plínio de Arruda Sampaio, advogado e presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária, e organizada pelas jornalistas Evanize Sydow e Maria Luisa Mendonça, a obra é publicada em português e inglês composta por artigos de: Alessandro Molon, Aton Fon Filho, Cecília MacDowell, Douglas Elias Belchior, Evanize Sydow, Jeson de Oliveira, José Juliano de Carvalho Filho, Leandro Gaspar Scalabrin, Lindomar Silva, Luciane Udovic, Luiz Bassegio, Márcia Anita Sprindel, Mariângela Graciano, maria Lúcia Fatorelli, Maria Luísa Mendonça, Marluce Melo, Nelson Saule Júnior, Patrícia de Menezes Cardoso, Paulo César Pedrini, Paulo Maldos, Ricardo Rezende Figueira, Roberto Malvezzi, Roberto Rainha, Sérgio Haddad, Suzana Angélica Paim Figuerêdo, Suzana Keniger Lisboa e Zoraide Villas-Boas. (Edson Lima)

sabato, novembre 24, 2007


sábado, 24 de novembro - O cartunista Cláudio de Oliveira é o destaque de hoje no projeto O Autor na Praça. Ele irá autografar seu livro mais recente Pizzaria Brasil: Da abertura política à reeleição de Lula. A partir das 15h no Espaço Plínio Marcos, na Feira de Arte da Praça Benedito Calixto, em São Paulo.

sabato, novembre 17, 2007

jornal da Praça # 57
pés da escritora Camille M.
fotografia Barrox
produção Camaleoa

noite en la calle y en las ramblas et tropeçando nos copos...


Já é tema recorrente, você dirá, porém repetindo os teores da poesia - me diz a menina trocando de camisa sob raios de luz pela janela - em quase nunca ao meio-dia no céu de quase dezembro, ainda sem lenço e sem documento, tipo meio-dia macaco assovia panela no fogo barriga vazia, de quase sempre olhar em direção ao vento e traços inexatos da pintura de ojos azuis e tristes blues e/ou conversas musicais tocando a toda no cd, algo em torno de Miles Davis sincopado em Paris de Norman McLaren e seja o que vier, Luas Imaginárias com Camaleoa acendendo um cigarro e jorrando poemas sensuais sob os (também, depois) fluidos lunares quando foi agosto não tive desgosto, porque de conversas com poeta olhando olhos nos olhos e coisas assim assim. Algo em você me diz fotografias, passos no asfalto percussão&magia latas de tinta-spray-verde-Amarelo, grafittes no muro das tentações rabiscos nos tapumes, cores na televisão, óculos escuros y coros imaginários de índios canibais esperando o navio atracar com as tais trapezistas, virgens, odaliscas, tarólogas que na mesinha do Bar ANTROPOFáGico pedem mais um e dedicam-se a ler as letras nuas de Camille M, por exemplo, e/ou enquanto meninas bonitinhas meio que mostrando a bundinha y generosos decotes passeando entre clics techno macunaímicos mímicos de olhares gentis doces poéticos e/ou pedras em notícias de jornais que dão conta da podridão, a qual ninguém faz nada pra acabar – tipo, eu digo, revoluções de verdade - no piso e colors in black & white que eu mesmo deito em papéis fotográficos, na tela do computador no relógio que não preciso usar, nas folhas brancas transformadas em mensagens apocalíptico-espirituosas da poeta Débora Aligieri, portanto já não precisamos de relógios pra assinalar as abstrações, ou quando de madrugada revendo vídeosdvds enchendo os olhos com Laura Mars & BlowUp, os filmes, choros & pinceladas, caldo de cana, coca-cola com muito gelo, pastel de escarola, y devorações de espeto de frango i malícia buraco quente na Barraca da Angela e Mexidão no Consulado ao entardecer desfile de bocas ou caras, a menina Mania nua tesuda on the road o passeio na praça o passeio na praia a mulher de pintura esquisita num chat maluco: ‘que nick maluco modernista modernoso Tarsila do Amaral tc de calcinha ou sem calcinha?’do banquete imaginário blow job PAUbrasil, te quiero, agora eu não tenho mais dezessete anos e já posso mostrar meu peito, minha bunda – ela me diz sorrindo – e ouvimos som de cítaras, incensos, enquanto mendigos fake, public relations classe mídia berrando em celulares as palavras de ordem tipo estou no circuiiiito, marketing em conexões estapafúrdias, todo mundo falando besteira, implorando ’quer tc ou naum?’ minha Babilonia de cada dia predileta cervejas em lata, poesia correndo solta, leio, releio e celebro Rebecca Lilian Eliane Camaleoa Camila Marise Alba Delia Alberoni Jader Rodolfo etc. nos e-mails deste international journal traduzindo bagunças metafísicas em palavras meias e meigas, olhos semi-cerrados, passos tantalizantes nas viagens de carona nos sixties no coração do Brasil - onde tudo começou pra mim - vinho tinto, as músicas do Joel sobre as poesias das meninas depois jazz on the rocks I don’t want no one but you e depois a seqüência de filme em que Mania dança nua em cima da mesa como puta de bordel de filme americano classe B e depois ainda finos biscoitos modernistas refinadas palavras sutis pinceladas pós-contemporâneas discursos traços leves de graffitte já no hay pecado mi amor terno tempo eterno salada de frutas pimenta & lábios carnudos fotografias tesudas et plus outras finas iguarias by BeatnikBluesCafe nas tardes mornas da desvairada paulicéia, porém nunca mornas entre as tais quatro paredes with pinga da boa poesiaaaa vinho tinto with ponderações acerca de impermanências e tropical Cultura Tupiniquim a cidade que os poeta me ensinam ou essas minhas manias malucas de fazer jornais ou falando alto no centro velho quando é de madrugada e a vida é bela y chega a manhã a noite en la calle y en las ramblas et tropeçando nos copos & e ainda tem muito mais pra acontecer e parecer ou como sempre me lembro de repetir que disse a poeta Rebecca Navarro Frassetto porque todo ser chamado de Humano é Artista e não o contrário ou como também escreveu o cavalheiro Oswald no pão de açúcar de cada dia daí-nos senhor a poesia de cada dia. e de novo cai a noite na américa do cio.

Eduardo Barrox (sobre Texto de Rebecca, Lílian, Mariana & eu mesmo)

texto originalmente publicado em edições anteriores do Jornal da Praça, escrito também originalmente e de forma muito original por Lilian, Rebecca, y eu depois mexido por Mariana, publicado novamente, agora reescrito porque a celebração é atemporal e sempre é somada em jazz, que se faz com estes improvisos sobre notas musicais e temas sob impacto das poesias diariamente lidas e devoradas nestes tantos e ainda poucos anos en las ramblas et tropeçando nos copos.... . E la nave va...

venerdì, ottobre 26, 2007

capa: poeta Débora Aligieri por Eduardo Barrox, produção Camaleoa
CORRUPÇÃO V
por Rebecca Navarro Frassetto

No Brasil, em moda no mundo todo (embora disso só tirarem proveito alguns estilistas, poucos músicos e o Carlinhos Brown) está na moda muita coisa que no final a gente nem sabe do quê chamar.
Mulher beijar mulher na boca fingindo que é lésbica pra atrair os homens, tá na moda. Não falar nem escrever mais em gerúndio, além de estar na moda já é quase perigoso. Mudar de partido é coisa que está na moda há muito tempo mas periga ficar démodé. Aí, quero ver o deputado fashion, Clodovil Hernandes, reclamar da falta de afagos de seus pares. Aliás, falar "pares" está na moda também depois que o senador Renan Calheiros traiu os seus. Renan então, está muito na moda. Não sai da cadeira do senado nem das capas de revista (e mesmo que saia vai continuar na moda, como não?). Por isso acho desnecessário falar dele, aqui, novamente. Agora vou falar de outros assuntos da moda. A Polícia Federal, trabalhar duro e ver investigações (que agora se limitam aos pobres mortais) irem por água abaixo. O filme (pirata) de tropa de elite. A censura. Adesivos com a frase "tem que ter catiguria". O presidente da república com a máxima "nunca antes na história deste país". Os corriqueiros " eu não sabia de nada" que abraçam a nação. Cunhar pessoas com opiniões coerentes de "elite golpista". Senadores acuados com medo de terem algo exposto no ventilador. Os gastos (ainda) exagerados com propagandas que, segundo me explicou o prefeito da capital paulista, são obrigatórias. A playboy de outubro.
E na tendência da patifaria republicana, 15 anos se passaram desde que arrancamos o Fernando Collor da presidência pra presenteá-lo com o cargo de senador da república, que como se vê e se sabe, não dá taaanto trabalho, mas status, muita grana (de quem mesmo?) e aquela borrachada geral na história. Ai se a moda pega...


TRÊS POETAS

Silvia Vasconcellos
Desejos arranham minha anca
Meus lábios rosé
Salivam visco brando branco
Ossos e músculos ronronam em ressonância
Minhas garras se abrem
E fisgam minha presa fresca
Pulso seu sangue
Tinto distinto
Depilo minha razão
Visto seus pêlos
Chupo como saca-rolhas
Lambendo gotas de cheiro
Imundo meu cálice
Embriago meu grelho
Cedo meu ventre
Troco minhas agulhas
Repletas de veias
Espalho o suco sugo ofegante
Sugando espasmos de medo
Brinco com o dedo
Fazendo vibrar o êxtase
Brindo em transe
Mordo os beiços
E saúdo
Embrulhada para viagem


Célia Ladeira

Vestida de poesia
me desnudo
e inquieto fica o sexo da minha inspiração.
Latejando
dentro do mais profundo eu
vibra na dança do verbo enlouquecer.
Despida de sentimentos
que transbordam,
me entrego aos versos
e eles brincam de acariciar mamilos
inspirados pelo cheiro úmido
que vem das pernas semi abertas
para o olhar do mundo.
Impregnada do gozo
de poetas sonhadores
declamo palavras escritas no seu corpo
sem pontos ou vírgulas sem decência.
Desencanto o amor,
enalteço a dor vadia que consome
a palavra não dita
o gesto a reticência...


Michelle M.

A. Ginsberg
Não pense ser o único
Na plástica moldada
-ADIANTE-
Espera encostado em;
Um poste cintilante
Facilmente Neurótico
Indeciso Catatônico
-AZUL-

Acima, abre-se sobres as!
nossas cabeças a terra
Abaixo pés plantados.

Costuro um lençol de reves
Suor Volúpia Gozo Torpor

A moral declarou que
A arte está em flagelos
-ENTÃO-

Pego uma idéia no ar e
Escorro a tinta capitalista
Mais atraente ao leitor
A.Ginsberg
Não pense ser o único
Esta intuição fantasma
Em minhas células-prontas.

Estou a margem tal rude
Como o balanço do ônibus

Na estrada esburacada
E me engano, vejo minha
Lágrima escorrer nos

Rostos das viúvas de guerra
Só farei a última ex
-EXPERIMENTAÇÃO-
Neste corpo/espírito
Despeço-me deste corpo
Deste espírito
-ASPIRINA-

mercoledì, ottobre 03, 2007

Jack Kerouac
Cronologia Beat


por Camaleoa (colaborou Eduardo Barrox)

1936. Jorge Amado é preso pela primeira vez por motivos políticos. No ano seguinte, fugindo da ditadura, é preso novamente em Manaus e queimam, em plena Salvador, 1.694 exemplares de O país do carnaval, Cacau, Suor, Jubiabá, Mar morto e Capitães da areia segundo as atas militares a mando da Sexta Região Militar.

1939. dia 1º de setembro, inicia-se a Segunda Guerra Mundial que terminará em 2 de setembro de 1945.

Final da década de 40 e começo de 50. James Broughton faz o primeiro filme "underground" da América, The Potted Psalm... Outros cineastas, como Harry Smith, Kenneth Anger e Jordan Belsen, são influenciados pela mostra de filmes independentes organizada por Frank Stauffacher no San Francisco Museum of Art. A mostra consagra diretores e fotógrafos como Man Ray e Hans Richter; (How Beat Happened – Ezone.org)

Por volta de 1950 surge, na West Coast, o cool jazz. Seu maior representante é Charlie Parker, o grande saxofonista que introduz técnicas extraordinariamente avançadas, exigindo muitas vezes uma incrível habilidade instrumental e um profundo conhecimento musical. O estilo cool é muito apreciado por suas harmonias íntimas e complexas, suas improvisações e fraseados. A palavra cool passa a significar tudo que agrada ou dá prazer, fora muitos outros sentidos difundidos pelos jovens beat; (The Poets, Geração Beat – Antologia)

Na década de 50, o músico e compositor Harry Partch, que constrói seus próprios instrumentos e batiza, por exemplo, de "Cloud Chamber Bowls" e "Surrogate Kithara", mantém em sua casa-navio, em Sausalito, um ponto de encontro de jovens músicos compositores. Há uma série de concertos chamados de Vortex no Planetarium.

Um grupo de escritores se reúne, todas as noites de sexta, no apartamento de Kenneth Rexroth que aprecia muito e conhece todos os músicos de jazz e traduz poemas em várias línguas (inclusive para o grego, o francês provençal e japonês); (How Beat Happened – Ezone.org)

O Californian School of Fine Arts tem um novo diretor, Douglas MacAgy que apresenta pintores abstratos e expressionistas como Clyfford Still que, através de suas exposições, gera numa explosão de novas formas; (How Beat Happened – Ezone.org)

Michael McClure se muda pra São Francisco para pintar e discute William Blake com Allen Ginsberg na noite de abertura do Poetry Center. Os dois ficam amigos; (How Beat Happened – Ezone.org)

Em 1952 o ambiente literário em São Francisco já é bem efervescente. Dylan Thomas chega de uma viagem em que conheceu Henry Miller e faz uma leitura na rádio KPFA, de Berkeley, Califórnia, EUA; (How Beat Happened – Ezone.org)

Em junho de 1953, Lawrence Ferlinghetti e Peter Martin abrem o City Lights Bookstore. Uma maneira de financiar a revista City Lights, de Martin, assim como o primeiro filme crítico de Pauline Kael. Ao lado fica (e ainda existe) o Vesuvio, na época sob o comando de Henri Lenoir, ponto de encontro de músicos, pintores e poetas; (How Beat Happened – Ezone.org)

Em 1954, Ruth Witt-Diamant funda o San Francisco State College Poetry Center, um lugar onde diferentes subculturas poéticas são expostas e servem de referência para outros artistas (e que permanece até hoje); (How Beat Happened – Ezone.org)

Ainda em 1954, em agosto, o ex-ditador e presidente brasileiro Getúlio Vargas, se suicida com um tiro na cabeça.

E em dezembro, Allen Ginsberg, através de Robert LaViene, conhece Peter Orlovsky com quem, depois de algumas semanas, se casa às 3 da madrugada no Foster’s Cafeteria e eles juram "that neither of us would go into heaven unless we could get the other one in,"; (How Beat Happened – Ezone.org)

13 de outubro de 1955, na Six Gallery, Allen Ginsberg faz a primeira leitura pública do poema Howl (escrito em homenagem a Carl Solomon, por ter sobrevido a um tratamento de choque a base de insulina no New York Psychiatric Institute; (How Beat Happened – Ezone.org)

Em outubro, também na Six Gallery, acontece uma leitura de poemas a pedido do pintor Wally Hedrick. Rexroth ficou encarregado de organizar o evento e convidou Michael McClure e Ginsberg para lerem. Gary Snyder, um jovem poeta que traduziu poemas de Han Shan ou "Cold Mountain," um poeta zen da T’ang-era China. Snyder fala sobre Whalen a Ginsberg e esse fala a Snyder sobre Kerouac. O projeto está fechado: Ginsberg, Snyder, McClure, Whalen, e Philip Lamantia com Rexroth como M.C. Kerouac rejeita o convite de leitura, mas participa do evento. Ginsberg escreve o convite: 6 poets at 6 Gallery. Philip Lamantia reading mss. of late John Hoffman — Mike McClure, Allen Ginsberg, Gary Snyder & Phil Whalen — all sharp new straightforward writing — remarkable collection of angels on one stage reading their poetry. No charge, small collection for wine and postcards. Charming event. Kenneth Rexroth, M.C. (How Beat Happened – Ezone.org)

1956. É o fim da era imperial e início da dominação do mundo pelos Estados Unidos e pela União Soviética.

No mesmo ano, Richard Hamilton faz a colagem O Que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Atraentes?, que passaria a ser identificada como uma das primeiras manifestações da Arte Pop e transformou em celebridades o próprio Hamilton, além de Andy Warhol, Lichtenstein e Peter Blake, entre outros

Em maio, Guimarães Rosa lança seu terceiro livro, Grande Sertão: Veredas.

Em setembro de 1957, Jack Kerouac lança On the road escrito num rolo de fax durante três semanas sobre uma viagem que durou sete anos.

O New York Times saúda o romance On the road, de Jack Kerouac como "a mais bela criação, a mais límpida e importante revelação"; (The Poets, Geração Beat – Antologia)

A Inglaterra rejeita a oferta de constituir-se membro da Comunidade Econômica Européia. Seis semanas mais tarde, a França, a Alemanha, a Itália, a Holanda, a Bélgica e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma, que fará surgir o Mercado Comum Europeu.

Três anos depois da Suprema Corte ter decretado ilegal a segregação racial nas escolas, o presidente norte-americano Eisenhower assina a Lei dos Direitos Civis e nove estudantes negros são admitidos à Central High School, em um dos focos mais inflamados de discriminação racial, Little Rock, Arkansas.

A União Soviética lança o Sputnik I, um satélite não tripulado em órbita em torno da Terra.

Final de 1957, John Clellon Holmes escreve um artigo no qual cita algumas palavras de Kerouac sobre o movimento beat. "‘A geração beat’, diz ele, ‘é basicamente uma geração religiosa.’.. Em uma outra entrevista, Kerouac amplia ainda mais sua declaração: ‘Ela inclui qualquer pessoa de quinze a cinqüenta e cinco anos que se interessa por tudo. É bom lembrar que não somos boêmios. Beat significa beatitude e não um sentimento de fracasso. A gente sente isso. Sente-se isso no ritmo de uma batucada, no jazz – no genuíno cool jazz ou numa animada seção de rock no meio da rua.’" (The Poets, Geração Beat – Antologia)

Em 1958, Jack Kerouac fala para Esquire Magazine. "A possibilidade de uma existência real da Geração Beat não passava de uma idéia em nossas cabeças. Nós ficamos acordamos 24 horas bebendo um copo de café preto atrás de outro, tocando um disco atrás de outro de caras como Wardell Gray, Lester Young, Dexter Gordon, Willie Jackson, Lennie Tristano e todo o pessoal, falando loucamente sobre todo aquele novo sentimento que pairava nas ruas." (Beatitude – Resources for a New Beat Generation – Gethep)

4 de outubro de 1959. Karl Shapiro escreve no New York Times sobre a decadência da era da poesia acadêmica. "É com razão que a moderna poesia norte-americana é considerada acadêmica; é poesia de antologia escolar, boa para as aulas de inglês... Ninguém a lê a não ser nas épocas de exame... A era da poesia acadêmica, dos intelectuais de domingo da Nova Crítica parece ter chegado ao fim. Pelo menos, são os votos que fazemos. Se assim for, se não estamos presenciando um falso despertar na recente poesia da revolta, assistimos sem dúvida alguma aos últimos instantes de uma literatura que durante tantos anos orgulhou-se de ser a poesia oficial do século vinte." (The Poets, Geração Beat – Antologia)

Em 1959, Jack Kerouac é entrevistado no The Steve Allen Show (http://www.youtube.com/)

1960. A Alemanha Oriental dá início ao bloqueio parcial de Berlim.
Em novembro John F. Kennedy é eleito presidente dos Estados Unidos. Janio Quadros se elege presidente do Brasil.


1961. Após governar por sete meses, Janio renuncia ao mandato de presidente brasileiro. O vice João Goulart toma posse e meio à uma intensa crise político-militar.

1962. Poetas paulistanos praticam ações de rua como a Catequese Poética ou o Sermão do Viaduto, no Viaduto do Chá.

O editor Massao Ono publica livros de poetas jovens, como Claudio Willer e Roberto Piva.

1963. No Vietnã, um monge budista comete suicídio em público ateando fogo às próprias roupas.
Em 22 de novembro John Kennedy é assassinado em Dallas.
Dia 1º de abril de 1964, Brasil. Um golpe militar depõe João Goulart e dá início à uma ditadura sangrenta.


1967. Estréia no Brasil o filme Blow-Up, do diretor italiano Michelangelo Antonioni. O filme tem roteiro baseado na novela Las Babas del Diablo, de Julio Cortázar. Nos Estados Unidos é lançada a revista Zap Comics.

Em 1968, bêbado e visivelmente irritado com as perguntas sobre hipsters e o significado da palavra beat, Kerouac é entrevistado no Firing Line – The Buckley Show.

No mesmo ano morre assassinado o líder negro Martin Luther King.

No Brasil, o Ato Institucional nº 5 sela em definitivo a violência da ditadura. Professores, estudantes, artistas, intelectuais e políticos são presos, torturados e mortos. A Censura às obras de arte e às idéias é radical e violenta. Muitos brasileiros partem para o exílio.

O líder guerrilheiro Che Guevara é morto na Bolívia.

1969. Após alguns meses na prisão, em São Paulo e Rio de Janeiro, o compositor Caetano Veloso passa curta temporada em Salvador e depois parte para o exílio em Londres.

Nos Estados Unidos morre Jack Kerouac.

1970. O ex-Beatle John Lennon anuncia que ‘o sonho acabou’.

venerdì, settembre 21, 2007

capa da edição # 55,
Camaleoa, escritora & jornalista;
Beatriz Fusko, atriz & poeta
ph Barrox
Jornal do Apocalipse
por Débora Aligieri
Começa o fim do mundo hoje, daqui a 50 metros, daqui a 50 diretores da ANAC que pedem demissão para não serem responsabilizados por essa ANARQUIA no tráfego aéreo brasileiro, mas só depois de beneficiar um amigo num negócio milionário aeroportuário. O único que continua firme e forte em seu posto é o deputado Paulo Maluf, que parece não sucumbir nunca, é o matusalém brasileiro. Mas isso porque ele faz, todos sabem, e faz muito bem porque nunca foi pego. A investigação de irregularidades no pagamento de um serviço adicional no complexo Ayrton Senna, na administração Maluf, sucumbiu à prescrição, mas ele permanece elegendo-se, firme e forte, tanto quanto o presidente em Helsinque afirma a solidez econômica do Brasil. Certo. E o drácula aparece quando neste baile de fantasias, porque Brasil não é Finlândia. Eu nunca trabalhei com carteira assinada, nunca tirei férias, praticamente não existo para a Previdência Social (mas minha dívida no banco existe cada vez mais), não tenho plano de saúde privado, porque saúde pública nenhum brasileiro tem. Aliás, meu marido e a maioria dos meus amigos estão nessa situação, e começo a pensar numa viagem a Helsinque para enxergar (de lá) o Brasil que só o Presidente vê. Porque ver não é o forte aqui, já que furtaram o Museu do Ipiranga (nossa história) e ninguém viu quem foi, quase 12 mil focos de incêndio no país em agosto (dados do IBGE) e ninguém viu quem foi. Enquanto na Grécia o governo oferece recompensa a quem denunciar os incendiários, aqui eles pensam em encomendar uma dança da chuva aos índios. Temos muitos cavalos de Tróia sem nenhuma Helena, aliás Helena aqui só em novela barata e com muito medo, ou muito cansada. Mas mulheres de Atenas somos muitas porque o rendimento das famílias lideradas pelo sexo masculino, orgulho e raça do Brasil, é 21% maior do que o das chefiadas por mulheres (dados do IBGE). Aliás o Presidente vai levar a sede do IBGE para Helsinque para melhorar os dados dessas pesquisas. E o governador Serra vai mandar a linha amarela do metrô e todos os buracos que apareceram e que aparecerão (e muitos ainda aparecerão) para Pindamonhangaba, para ver se os buracos desaparecem no Vale do Paraíba junto com seu coleguinha de partido ex-governador Alckmin. Quem sabe se o projeto que tramita na Câmara dos Deputados para diminuir os gastos com as Câmaras Municipais resolva, já que eleva em 8.068 o número de vereadores que o País terá em 2008. Hã? Como assim? Mais é menos? Que matemática oportunista é essa que não aprendemos nas escolas brasileiras (nem em lugar nenhum)? Neste espelho de Alice que se tornou o Brasil, um projeto de lei apresentado na Assembléia Legislativa de São Paulo prevê indenização para policiais militares que atuaram no período da ditadura militar. Agora, só falta condecoração aos envolvidos no massacre do Carandiru, pena que o Coronel Ubiratan tenha sido falecido (silenciado). Neste país às avessas, a praça pública, que era do povo como o céu era do condor, não podemos ver mais nada, porque a votação de assuntos importantes é secreta, e o único Senador sério é ridicularizado pela nação, que ri de si mesma, e vota rindo nas eleições, para depois chorar o prejuízo (quando vê), ou a falta de saúde, que não veio com CPMF, e que não virá com sua prorrogação para 2011. Porque as notícias são forjadas assim como a extradição de atletas cubanos foi forjada em livre arbítrio. Porque quem recebe indenização de 100 salários mínimos é Paulo Maluf, e não aqueles a quem ele iludiu na campanha eleitoral. Porque só agora o governo brasileiro reconheceu que tivemos tortura no Brasil, embora não reconheça que ainda temos em muitas delegacias, porque o fim do mundo é hoje, daqui a 50 metros, daqui a 50 conchavos (troca de benefícios) políticos para absolver senadores improbos...

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venerdì, agosto 17, 2007

capa: fotografia e projeto gráfico Eduardo Barrox
A Benedito Calixto e Eu

por Mouzar Benedito


Bares, feira de artes e antigüidades, chorinho, muita gente paquerando e namorando... Cada sábado que vou à praça Benedito Calixto, eu me sinto em casa, ou melhor, na "minha" praça. Tenho muitas ligações com ela.
Meu primeiro contato com a Benedito Calixto foi quando eu tinha 16 anos. Cheguei de Minas em fevereiro de 1963 (há mais de quatro décadas!!!) e fui morar numa pensão da rua Lisboa, pertinho da praça, meu ponto de passagem obrigatório nas manhãs de domingo, quando ia à missa das 9h na igreja do Calvário. Não ia por religiosidade, mas porque – especialmente na missa das 9 – a igreja era palco de um verdadeiro desfile de mocinhas bonitinhas, que não paravam nos seus lugares, iam lá, me parecia, especialmente pra paquerar. E eu também.
Mas que os religiosos não se indignem comigo. Havia quem paquerasse em lugar menos apropriado. Um colega catarinense também atravessava a praça todos os domingos pra paquerar... no cemitério São Paulo, do outro lado da rua. Ele ficava perto do portão vendo a entrada de visitas e, quando entrava alguma mocinha bonita vestida de preto partia para a abordagem, imaginando que seria uma viúva nova, saudosa de carinhos.
Na época, todo o trânsito de Pinheiros se concentrava na rua Teodoro Sampaio, que tinha mão dupla, ônibus e bonde nos dois sentidos. A Cardeal Arcoverde era vazia. Então, a parte "de cima" da praça, perto da igreja, era um sossego, sem barulho, lugar gostoso pra ficar à toa.
Depois de uns seis meses de pensão, saí com uma turma de conterrâneos que também moravam lá para formar uma república chamada Consulado Mineiro, na rua Joaquim Antunes. Mas minhas paqueras na missa e na saída da igreja continuaram todos os domingos.
Em dezembro de 1968, um ato da ditadura me trouxe de novo à praça. Depois do Ato Institucional número 5, a polícia e o exército fecharam o Crusp (Conjunto Residencial da USP), onde eu morava, prenderam todos os moradores e, quando a gente saiu da cadeia não tinha onde morar. Por coincidência, um prédio de apartamentos havia acabado de ser construído, na esquina da Cardeal Arcoverde com a Benedito Calixto, e as moradias não estavam sendo postas à venda, mas à locação. Quase todos os apartamentos viraram repúblicas de ex-moradores do Crusp. Tanto que o prédio passou a ser chamado de "Cruspinho". Muitos hábitos do próprio Crusp foram mantidos nele, como o de se colocar panfletos embaixo da porta. Todos os dias apareciam panfletos contra a ditadura, a favor de uma determinada tendência política etc.
Eu não fui morar no Cruspinho, mas muitas amigas foram e eu as freqüentava, de vez em quando ficava com uma. Mas tinha um problema: moravam várias moças em cada quarto, não dava pra namorar lá dentro. E muitas madrugadas desci com uma moradora para namorar no meio da vegetação da praça. Uma vez fomos flagrados pela polícia, que abriu a porta do camburão e mandou a gente entrar. Além de "atentado ao pudor", um policial dizia que era perigoso o que fazíamos, podíamos ser assaltados. Acabou deixando a gente voltar pro prédio, e tenho que confessar uma coisa a favor da polícia: ela não nos achacou, não pediu dinheiro.
Já por volta de 1979 ou 80, o Teatro Lira Paulistana, na Teodoro Sampaio, bem em frente à praça, foi o motivo para minha volta ao velho "lar". No Lira, vibrávamos com Tetê Espíndola, Itamar Assunção, Premê, Língua de Trapo, Paranga e muitos outros. Mas o Lira não durou muito.
Depois disso, eu passava pela praça de vez em quando e a considerava desperdiçada, um espaço gostoso e bem localizado, mas quase abandonado. Em 1987, quando ia lançar meu primeiro livro, Santa Rita Velha Safada, cheguei a propor à editora que fizéssemos o lançamento na Benedito Calixto, num sábado à tarde. Levaríamos para lá uma mesa, algumas cadeiras e dois garrafões de cachaça, e só. Mas ela não topou.
Aí veio o governo Erundina, e conversei com vários petistas levantando a possibilidade de criar espaços culturais e etílicos em cada bairro, e o primeiro deles, que eu gostaria de participar da criação, seria a praça Benedito Calixto. Minha idéia era fechar um dos lados da praça, transformando-o em calçadão com bares, restaurantes e livrarias. Num terreno na época desocupado, a prefeitura poderia construir um grande centro cultural, com teatro (não só a sala de espetáculos, mas vários espaços para ensaios, reuniões de grupos), biblioteca e cinema. Não colou.
Enfim veio o restaurante Consulado Mineiro, com o nome que evocava minha velha república de estudantes. Depois, a feira de artes e artesanato, trazendo uma função lúdica e cultural para a praça, mas eu sentia falta de algo: livros. Tinha muita coisa legal mas faltava uma barraca de livros, até que em 1999 – tive um pouco de "culpa" nisso, fiquei propondo que se fizesse isso – o Edson criou o projeto O Autor na Praça. Pronto. Com mais bares, uma livraria e ali pertinho uma biblioteca, e até uma sociedade de amigos dela, a praça e sua feira são hoje uma referência em São Paulo, um grande atrativo para paulistanos e também gente que vem de fora. Como muitos outros, eu me sinto meio dono dela, o que tem lógica, pois, como dizia Castro Alves, a praça é do povo como o céu é do condor. Os condores não existem mais por aqui e muitas praças paulistanas já não são do povo, estão cercadas, gradeadas, inacessíveis. Que não seja o caso da Benedito Calixto. Nós que ainda acreditamos na poesia queremos que cada vez mais a praça seja do povo, como o céu deve ser dos passarinhos todos, não só do condor. Um mundo sem gaiolas para as aves nem para nós!


Mouzar Benedito é escritor, autor dos livros Santa Rita Velha Safada (causos), Pobres, Porém Perversos (romance), Pequena Enciclopédia Sanitária (humor), Pequeno Dicionário Analfabético de Abobrinhas (humor), Memória Vagabunda (causos e frases), Este livro é uma piada (humor), Dívida Externa - eles gastam, nós pagamos ("paradidático", com Maringoni), Serra, Mar e Bar (causos, parceira com 4 escritores), Ousar Lutar - memórias da guerrilha que vivi (com José Roberto Rezende), Ferrer, Bill Ferrer - detetive heterodoxo (policial - com Saphira Mind) + dois volumes da mesma série policial - são 3 volumes, Luiz Gama, o libertador de escravos, e sua mãe libertária, Luíza Mahin (biografia), Barão de Itararé - herói de três séculos (biografia), Anuário do Saci (agenda/mitologia/história do Brasil), com Ohi;
além de participar de várias coletâneas.

venerdì, agosto 10, 2007

ph Barrox Verônica Tamaoki foi a convidada do sábado 11 de agosto, no projeto O Autor na Praça, na Feira de Arte da (praça) Benedito Calixto. Ela autografou os livros O Fantasma do Circo e Circo Nerino, este em co-autoria com Roger Avanzi.

lunedì, luglio 16, 2007

portão lateral de pizzaria no bairro da Moóca, em São Paulo
mera coincidência ou estava escrito nas estrelas?

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fotografia & texto por Rebecca Navarro Frassetto

A cabeça anda cheia de nomes impossíveis de decorar. Quando me acostumo com a graça de um dos bacanas que tem feito estardalhaços neste país logo aparecem outros. Que não bastasse serem muitos vêm sempre com seus respectivos apelidos. O que não deu pra ver até agora foram cabeças rolarem. Não vi. Mas já era pra ter visto. Ao invés disso, vi o Senador Renan Calheiros, bem sucedido pecuarista, ao lado do Lula com a tocha do Pan como se não houvesse nada melhor pra fazer do que segurá-la (ao menos devia estar quente feito a batata que eles têm jogado de um lado pro outro) num evento que custou mais do que estava previsto e teve suas obras atrasadas pra 3º mundo nenhum botar defeito. Vi o conselho de ética do Senado, comandado pelo suplente da Marina Silva, Sr. Sibá Machado e depois pelo questionável Leomar Quintanilha, com o rabo entre as pernas. O relatório do arquivamento do caso Renan sempre prestes a ser votado. Dias e mais dias sem alguém pra assumir a relatoria depois de Epitácio Cafeteira e Wellington Salgado terem desistido.
Vi o tetra-governador do Distrito Federal, (agora pelo menos e graças aos deuses) ex-senador, Joaquim Roriz, pedir sua renúncia pra sair de fininho após terem flagrado uma conversa onde ele repartiria o troco (de um milhão e novecentos mil reais) com algumas pessoas para então continuar pedindo votos ao povo com a forcinha de Nossa Senhora. Vi o Suplicy querendo fazer jus a minha dignidade mas, claro, impedido pelo partido (qual mesmo?) porque dignidade limitou-se às definições do Aurélio, pai dos burros.
Explicado! Afinal de contas enquanto o Lula teve dores de cabeça neste último mês, de um lado graças à imprensa malvada que só sabe falar mal deste país carente de elogios (de educação, segurança, proteína, cálcio e sais minerais) e do outro às acusações de seu (dele...) irmão fazer parte dos esquemas da operação xeque-mate que ficou esquecida como se fosse um joguinho de damas qualquer. Além de ter se perguntado como foi aceitar ser padrinho do filho do cabeça no crime das máquinas caça-níqueis (literalmente).
Figurinhas outrora tão comentadas como Zuleido Veras não pagaram por seus crimes e andam escrevendo cartas aos ex-antigos clientes que, convencidos, seguirão em frente em seus negócios-bomba. Porque o ilegal dá direito à impunidade, corriqueira no país do Cristo-Maravilha. Dá direito a furar fila no embarque do aeroporto e a travar as votações de interesse da Nação. É a impunidade que salva cabeças como do José Dirceu, Delúbio Soares, Valdomiro Diniz, com o perdão da palavra Paulo Maluf, Celso Pitta e tantos outros que hoje devem apenas debochar da nossa cara enquanto brindam sua inocência – BINGO! - em todos os cantos desse país do carnaval corrupto, véio e sem porteira que por dados históricos comprova: a justiça nunca puniu um político sequer.
E nem precisa entender muito do assunto pra ver como o ilegal é bacana no Brasil. Vem do lado de fora da porta, no balcão do boteco, entre uma conversa e outra, vira e mexe alguém por perto sempre grita DEU VACA (25 – 500 – dois milhões e duzentos), NA CABEÇA! Agora, ELES devem sair de férias. Exaustos. Feito você e eu. Repousemos neste inverno globalmente aquecido enquanto a chuva não vem. Façamos as contas de quantos remédios pra dor-de-cabeça poderíamos comprar com os 54 bilhões desviados nos últimos quatro anos. Encosta tua cabecinha no meu ombro e relaxa.

domenica, luglio 15, 2007

collage Barrox, 1997 texto & fotoGrafia de capa edição #53, julho-agosto 2007

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"Você me diz isso porque não mora no Brasil", diz o cara esquisito com aquele ar entre o arrogante e o inseguro que os sujeitos daqui acharam de encarnar pra parecerem artistas quando vão beber cerveja não tão gelada assim nos botequins careiros - a maioria ruins e de péssimo atendimento - da vila madalena.
que, por sua vez, virou uma merda com seus prédios de arquitetura fake de ‘alto-padrão’, lojinhas metidas a besta e peruinhas de cara afetada.
sim, é verdade, não moro (mais) no Brasil. tenho pensado em deixar de ser oficialmente cidadão, já que de fato não sou visto assim, nem pelos ‘concidadãos’ e muito menos pelos caras que estão no poder. aliás tenho dúvidas sobre onde teria nascido. aqui é parece mesmo não ter sido.
o que eu disse pro cara?
que apesar de passar o dia inteiro aturando poetas de rua, auto-marginalizados e escritores ditos malditos com livros capengas à venda por cinco reau, não vejo contornos de nenhuma puta energia artístico-literária. parecem mais carinhas assim meio sem dinheiro a fim de catar menininhas (ou outros menininhos) burguesinhas(os) a fim de umas emoçõezinhas baratas de fim-de-semana.
em resumo, querem a melhor relação custo-benefício na hora de foder, se é que conseguem, o que lhes custa no mínimo a dignidade.
e olha que nem abri a boca pra falar da chamada cultura oficial, esta já morta e enterrada faz tempo. quer dizer, não entendo como você - digo isso olhando pra cara do cara - pode se achar poeta marginal/independente/sei lá, se ganha dinheiro das repartições ‘oficiais’, se vive pedindo dinheiro pras repartições oficiais.

ou não. ou sei lá, afinal de contas não quero ter razão.
o que acho engraçado é o sujeito que - por força do cargo que ocupa - devia saber de tudo sempre nos repetir sempre sempre sempre ‘ah! que legal, não conhecia este jornal’.... cara! você é do governo, contratado pelo povo e quem te paga o salário (em tese) sou eu (mas talvez ele nunca se dê conta disso também).

na praça, onde meu trabalho tá espalhado, encontro a escritora.
ela (essa escritora) é feia (mas também conheço algumas bonitas), meio carrancuda, magra, esquisita e se veste de um jeito estranho também e tá com uma menina mais jovem que ela.
usando a linguagem dos folhetins do século XIX, é uma menina voluptuosa - tipo peitão, bundona, coxas grossas - mostrando tudo debaixo da saia curta quando senta no degrau em frente à barraca do autor na praça, me olhando meio de lado, ora dizendo com os olhos que quer (me) dar, ora mostrando que tem dona.
fotografo as duas. em fotogramas separados, claro.
a escritora mantém-se inflexível em seu olhar de celebridade-não-percebida-pela-crítica-internacional, em que pese ser praticamente inédita - mal conhecida até pela própria família - e me vê com um certo desdém tipo assim de quem esperava encontrar o editor, sei lá, do niuiórquitaimes mas mesmo assim irá conceder parte de seu tempo a me ouvir fazer elogios ao seu trabalho. ou coisa assim.
tenho vontade de lhe dizer que não curto seus textos (o que, óbvio, não impede que sejam bons e coisa e tal; afinal eu é que nem entendo de Literatura, pôrra), que - enfim - acho que é chata e que talvez devesse ler mais e escrever menos, melhorar a qualidade e/ou intensidade. E as noções de gramática...
mas isso é só uma opinião muito pessoal e desprovida de qualquer motivo lógico.
afinal, mostro-lhes ludicamente a fotografia feita na telinha da digital, sorrio pra gostosona confrontando o implacável olhar da escritora e viro as costas quando ela folheia meu jornal nervosamente com a cara emburrada que a caracteriza.
ou melhor, só irá sorrir se aparecer alguém realmente ‘importante’. mas isso é outra história.
o cara vem me falar de novo: - "mas você também não mostra nada nessa pôrra de jornal. é bonito, reconheço, mas falta conteúdo".
penso comigo o que será que ele quer dizer com falta conteúdo, ou melhor já sei, mas mesmo assim penso e penso também que esse papo de dizer falta conteúdo é uma frase feita da pior qualidade possível, principalmente dita por um sujeito absolutamente sem conteúdo (ops); que não sou um cara que sai do estúdio pra lamber saco dos agregados do secretário da (in)cultura ou coisa que o valha, ou mendigar verbas nos gabinetes desse poder ditatorial fajutíssimo e absolutamente corrupto que ainda não acabou aqui na republiqueta, ou também não fico mendigando pixulés vendendo essas porcarias mal impressas ou chamando menininhas de putinhas porque, sei lá, talvez até gostem de poesia mas...
ou coisa assim (de novo).
mas não digo nada; não adiantaria, eu acho..
eu penso; eu sempre penso, até quando não parece que estou pensando.

são paulo é uma merda de cidade.
quer dizer, é bacana e cosmopolita também.
mas é uma merda quando chove, quando faz muito sol, quando tem muito trânsito ou quando os caras querem fazer ela parecida com niuiórque, fode tudo. niuiórque também é ruim se você não tem grana e não é amigo, vizinho, sei lá, do woody allen ou da yoko ono.
ou é boa, dependendo do boteco onde vai tomar cerveja.
a cidade (de São Paulo) é esquisita.
caras buzinam o dia inteiro na oscar freire.
quase sempre tenho que manter as janelas do estúdio fechadas pra suportar o barulho.
o que também fode tudo, porque detesto ar-condicionado; curto vento na cara e natureza...
na rua, pessoas passam e se enfrentam sem se olharem, esbarram-se agressivamente; se estão de carro escondem-se atrás dos vidros pretos e buzinam, buzinam, buzinam loucamente.
"deve ser porque têm a mãe na zona", me diz com um sorriso largo o carinha de roupa simples indo pro ponto de ônibus. "coisa de recalcados, talvez", se vai rindo sozinho da própria piada e digno depois de um dia de trabalho.
são poucos os que realmente trabalham nessa cidade de farsantes.

ah, sim, eu dizia! os escritores; os artistas.
É lógico que isso não se aplica a todo mundo (err... de novo) e pode ser só uma impressão meio ácida, mas parece que se bastam se ficam parecidos com alguém que viram na tv ou em algum desses filmes chatos que o primeiro mundo nos manda em lugar dos antigos colares de contas coloridas trazidos pelos invasores brancos a fim de enrabar as nativas.
E ficam essas pessoas me falando com muita naturalidade palavras como loft, fashion, dark, interface, stylish (sic)... apresentam-se - ops, fazem performances - nas ruas auto referenciando-se como clowns e usando bolas vermelhas ridículas no nariz.
sim, sim; em ‘sampa’ - como sempre fazia questão de referir-se à cidade uma recepcionista com cara de putinha - o hábito faz o monge.
principalmente se for à noite e em algum desses botequins que entram e saem rapidamente da moda..

no começo da noite a escritora feia me telefona. "você vai publicar meu texto e minha foto?", pergunta. digo que não sei, ou brinco dizendo que só faço isso se ela sorrir na próxima vez, na praça. ela parece decepcionada, diz "tá", mas só se você colocar meu texto no seu jornal.
seria legal se ela pudesse entender essas coisas de critérios, mas também não dá pra explicar tudo o tempo todo.

desligo.
tomo uma taça de vinho tinto, acho cds de Chet Baker, Hendrix e músicas gostosas e vou preferir olhar nos olhos de quem amo.

EduardoBarrox, editor do Jornal da Praça


ph Barrox, 2007
locação Brechó Cheiro de Amor,
Vila Madalena, SP
Domínio

Te fico de quatro
amordaçada
na fantasia liberada
dos teus sentidos.
Palavras?
apenas promíscuas
e aos sussurros
em meus ouvidos.
Despe de mim
com o olhar apenas
teu desejo.
Me faz meretriz
Te faço guerreiro.
Invade meu cheiro
de calor
Veste meu corpo
de saliva
pincel de língua.
Depois...
Enlouquece de amor
da dor
do meu dente cravado em tua pele.
Tua mão
segurando meu cabelo
com a força animal
de um homem poderoso
que se desmancha em gozo
num gemido.
E então,
deita tua cabeça no meu colo
encosta tua boca no meu seio
e volte a ser menino!


CéliaLadeira
poema publicado na edição # 53 do Jornal da Praça
ph Barrox, Viradouro, SP, jun2007
Tarô
do Jornal da Praça
julho 2007

Arcanos 13, 18 (inv.) e 10. Síntese 5. Excelente. Os Arcanos extremos são complementares entre si e o do meio é complementar do Arcano da síntese. Aproveitem o momento para ousar fora dos parâmetros habituais. Os arcanos implicam um enraizamento significativo, uma certa solidez. A inversão do 18 é um único senão - diminuido pelo tom favorável dos outros. Serve como alerta para não perderem esses mesmos parâmetros por excesso de ousadia. Implica também num chamado ao que é legal, frente a legislação brasileira. O símbolo. O peregrino tenta atravessar uma rua movimentada. Acostumado a percorrer caminhos isolados e sozinho, hesita ao perceber tanto movimento. Fecha os olhos e avança. Atravessa a rua. Talvez confiemos em demasia... Mas o que é confiar em demasia? Importante seguir o coração. Quando a causa é justa, o universo inclina seu tronco, agradece e coopera.

Flavio Alberoni

mercoledì, giugno 13, 2007

divulgação
FESTEJOS JUNINOS
na Território Brasil
em junho o destaque da galeria foram os trabalhos dos fotógrafos Luciana Cattani e Gabriel Boieras com fotografias do projeto Brasil em Festas, registros da diversidade cultural brasileira. Na exposição, os festejos juninos que fazem parte dos calendários de turismo e entretenimento em várias partes do país. A Galeria Território Brasil fica na rua Mateus Grou, 580, em Pinheiros.

domenica, giugno 10, 2007

divulgação
Júlio Andrade e Tainá Müller

Beto Brant e Renato Ciasca dirigem Cão Sem Dono, baseado no livro Até o Dia Em Que o Cão Morreu, de Daniel Galera, que conta a história sobre o encontro de Ciro - recém-formado em Literatura e em meio à uma crise existencial - e Marcela, uma ambiciosa modelo em início de carreira e obsessiva pelo trabalho. O filme é estrelado por Júlio Andrade e Tainá Müller e o escritor Marçal Aquino assina o roteiro junto com Brant e Ciasca. Daniel Galera é apontado pela crítica como um dos destaques da nova geração de escritores brasileiros. O livro que deu origem ao filme acaba de ser reeditado pela Companhia das Letras. Mais informações: www.dramafilmes.com.br/caosemdono.

venerdì, giugno 08, 2007

Jornal da Praça#52

Valéria Pereira usa acessórios V&V Bijoux
produção Camaleoa, assist. produção Valdete Pereira
ph Barrox, 2007
I

É no seio
que começa o caminho
do veio,
que fica no meio
do continente,
onde medram florestas (nunca virgens),
odores variados, carúnculas curtidas
em saliva, espasmos inefáveis e
micróbios letais em vinagrete

II

Deita e não te movas,
Por enquanto,
Deixa que o planeta invente,
por nós,
posições fundadas na hora,
inaugurais e precursoras.
Sem atritos ferozes,
Hiperêmicos,
Mas parcos e sinceros gemidos cavos,
Lubrificaremos os mancais do mundo
Na eternidade de segundos:
- juntos.

III

Alavanca de fogo,
chama de espírito-santo,
avança e arranca
da alavanca,
bica de gerações,
em rotações atômicas,
vibrações e gosma.
Gosma que cola o céu à terra.

IV

Eu estava cortando a barba
como quem poda catuaba
em lua certa, e de foda:
cheia.
Era sábado e vi,
entrando pelo espelho
(e o barbeiro viu)
o que não era de ser visto
sem mexer,
pois que que mexia nervos e movia
pênis em maré-mansa na rua.

Ó insólita, liquidificadora e anônima
visão:
trago-te a marca na faze e,
na alma, até hoje
o mistério
inacessível
do hemisfério
partido em dois.

No verão, só bebo gim,
assim:
dois cubos de gelo
para três do líquido alérgico.
No pensamento, uns pêlos
De conhecido púbis.
Na pica, tesão.
Alguns versos pícaros de Bocage
(pra rimar com sacanage)
e estou feito.
Nem mais um ingrediente
pro tempo quente
ou pra tempero
da função:
atéia, à toa, sin conrazón.

VI

Não lhe cabe dar mais do que isso:
um palmo de chouriço,
ou de caralho - e quiser
Preto faz bem ao sangue,
imprevistamente flamengo.
Vire, assim, com certo dengo:
agora, o rabo,
é tudo,
meu bem,
como meu menu:
- não há nada como um cu
ou um bife terminal,
no comprido traseiro da aurora
que,
- nas asas dos anjos,
airosamente se arregaça
- e vem.
RosárioFusco
Carpricorneanas, do livro Creme de Pérolas, inédito.
Rosário Fusco era um desses caras apaixonados por literatura, com 11 livros debaixo do braço, sempre sendo apertado por algum banco, mas nada que umas músicas tidas como cafonas, pela garotada da época, não o deixasse calmo. O problema dele não era dinheiro, era beleza. Beleza! Sua literatura era visceral e é considerado precursor do realismo fantástico (em 1947, com O Agressor), bem antes de Murilo Rubião e José J. Veiga. Abortou o Modernismo! Na arte Moderna não há escolas, nem nada. Portanto, cada um pra si (...) Nada de partidos. Nada de polêmicas. Nada. Nada. Nada! Dizia num manifesto na Revista Verde (1927-1929). Fusco era de Cataguases, filho de lavadeira mulata e de um italiano. Casou cinco vezes. Foi considerado maldito e irreverente e é comparado a Kafka e Dostoievski. Morreu, dia 17 de agosto de 1977, com sua esposa Annie e sua inseparável garrafa de whisky, isolado e desiludido. Um de seus livros, reeditado e já nas livrarias, é o romance a.s.a – associação dos solitários anônimos (Ateliê Editorial), Coleção Lê Prosa, organizada pelo escritor pernambucano Marcelino Freire. $ 38, (290 pg.). (Camaleoa)

domenica, maggio 27, 2007

phBarrox
Valéria Pereira, artesã; Camaleoa, escritora; e Valdete Pereira, poeta

LiTeratuRAMarGinal
Será Que Será?

Onde está o poeta marginal que eu procuro entre paulistanos, estrangeiros, caipiras, nordestinos, sambistas, funkeiros, metroviários, dentro e fora da Paulicéia Desvairada, sim, ó Oswald, me conta, me explica o que se passa nas entrelinhas das (não)-críticas literárias em revistas e jornais de cultura, uai, sô, sim, porque eu tô por fora de tudo isso, mas tem gente, tem tanta gente pelas esquinas e bares com livros debaixo do braço que chego até ficar contente de ver toda essa literatura produzida sem apelo de editoras, de agentes literários, mas os caras estão no folder, no panfleto, na boca do povo, em manchetes de jornais e eu fico tentando entender o que é essa tal literatura marginal se a pegada tá na escrita, tá na gíria, tá no excesso de palavrão, tá na atitude largada, tá no estilo urgente de viver, tudo hoje, tudo agora, lascando o foda-se pra todo lado e – AH! – mas isso não é falar de literatura ou eu tô ficando doida? Vestuário também virou elemento literário? Literatura marginal! Li-te-ra-tu-ra. MARGINAL! Isso me lembra estar à margem de alguma coisa, de algum processo, de algum lugar, e será que não é isso, todo poeta, de qualquer parte, com qualquer corte de cabelo, com qualquer coisa no papel, escrevendo, escrevendo sem parar sobre corações apaixonados, sobre a revolta dos plânctons, sobre guerras intergalácticas lá no cu do mundo ou aqui, ali, bem debaixo do nosso nariz? Então perguntei a uma acadêmica, uma doutora das letras, uma professora universitária, lá entre araras e tuiuiús, lá de Mato Grosso do Sul e Rosana Zanelatto me explicou que intitular-se poeta marginal é mais uma rubrica socioeconômica do que artística, uma rubrica que indica o não-estar no mercado editorial, uma denominação que encarna um processo que extrapola o viés do artístico, do literário. Pra ela, isso é uma espécie de marketing, e lembra Cidade de Deus, de Paulo Lins, obra que deu força a uma linguagem de escritores cujo principal apelo é o fato de terem nascido, se criado ou convivido com as ditas comunidades e colocarem em cena essa realidade, numa literatura marginal. Rosana me diz que já viu e leu isso antes e foi n’O Cortiço, de Aluízio Azevedo. Eu sei, às vezes nem eu entendo o que esse pessoal quer dizer, às vezes eles são muito chatos, até insuportáveis, mas aí veio a menina que prepara Chá para Borboletas e perguntei pra ela, poeta curitibana, o que ela entendia por literatura marginal. Bárbara Lia me disse, entre uma música árabe e outra, entre pontes e mulheres profanas, entre toda sua poesia extremamente lírica que ser um poeta marginal é estar à margem dos bastidores, das colunas literárias, à margem do respeito muitas vezes, à margem do reconhecimento inclusive dos outros colegas poetas, à margem, sempre à margem geralmente porque você faz perguntas demais, à margem porque geralmente você não é de grupinhos, à margem porque você quer ter a liberdade de escolha de publicar e escrever o que achar melhor, à margem porque você não se encaixa naquilo que atualmente é considerado bacana, legal, cool, hiper, jóia rara. Literatura! MARGINAL! Às vezes eu acho que tudo virou um rótulo, ser marginal é um rótulo, um marketing pra vender livros a preços módicos porque o cara que tá lá na roça e não se encaixa naquela caminhonete, naquele pasto imenso, não se vê sentado na cadeira contabilizando gado ou soja, ele é... Manoel de Barros que conversa com formigas, que fala a língua das árvores, das rãs, já foi durante muito tempo um poeta marginal, esteve à margem, não se encaixava em nada, queria apenas brincar com as palavras e talvez, não sei, um dia eu descubra se falar palavrão aos berros em poema ou prosa faz alguma diferença, ou se tudo bem ser uma romântica com flores enormes em broches na saia ou na blusa e fazer uma puta literatura fragmentada, urgente, dançante, com muito sexo e guloseimas, acompanhada sempre de personagens meio homem, meio animais e entender que ser marginal não é um estilo de vida, que ser marginal não é uma opção, que ser marginal não tem regionalismos, que ser marginal é atemporal, que ser marginal é correr riscos, seus próprios riscos porque, no fim das contas, quando estivermos bem velhinhos ou talvez nem mais aqui, o que fica é literatura, somente literatura.
Camaleoa, JdP#51
phBarrox
Bia Fusko

teatro
Palco e Platéia, que rumos
(ou sem rumos)?

Parece que tem cheiro de queimado no ar QuAnDO se fala em teatro. Alguma coisa no processo não deu certo, passou do ponto, faltou tempero ou a medida foi errada, pelo mais ou pelo menos o conjunto da obra é manco. Manco, perneta, torto.
Alguns anos atrás, quando estava começando a estudar teatro, Gerald Thomas falava em "falência múltipla dos órgãos do teatro". E isso ficou, fixou na minha cabeça consciente e inconscientemente em maior ou menor grau à medida que fui me embrenhando por entre os meios desta arte, seja como público, ou como participante.
No início, na Grécia de séculos atrás, rituais e considerações a Dionísio (outro) e hoje no tão imaginado séc. XXI, eu pergunto: esse teatro é pra quem?
O que muito se vê é um "produto" e agora falo como resultado final, um produto esquizofrênico; que não obstante faz alusão a um mundo propriamente pessoal, uma projeção vinda unicamente a partir do "EU" criador e para ele mesmo. Um tipo de terapia, ou exercício de ego, não sei. A raiz teria-se que procurar. O que se pode ver é a doença manifestada.
Quando não, utiliza-se facilmente de artifícios baratos para ganhar público, ou melhor, dinheiro. Nos palcos e nos bastidores. Como me falou, claramente, certo diretor que perdeu a maior parte de seu tempo a assegurar-me de que "não haveria penetração, nem oral", ao convidar-me a participar de uma peça em que ficaria semi-nua em cena com um garoto. Enfatizava que era essa a motivação do público, de maneira geral, e também por aí se envereda o "desafio do ator". O mais incrível foi ver como acreditavam piamente nesse tipo de idéia, na ênfase de que seja esse um teatro lucrativo, e na crença de uma superação do exercício teatral através de prática tão pobre.
Recordo então outro momento, que estive em uma leitura no MASP, seguida de um bate-papo; leitura essa que se dispunha a discutir uma dramaturgia contemporânea, juntamente com seu público - empáticas ponderações sobre os personagens, os "EUS" da história, psicologias, opiniões, analisadas obviamente por um espectro de referências e experiências pessoais e... pra onde foi a dramaturgia? Coitada, provavelmente seja um dos órgãos de que falava Gerald, a essa altura do campeonato, (que campeonato!) nem se vê direito. Onde começa, onde termina o rabo do cachorro, quando ele começa a girar em círculo? Mas enfim, voltando à leitura de que falava, o ator (da leitura) finaliza o debate concluindo o teatro como mero exercício de catarse, onde o expectador a partir de uma identificação com o personagem, exorciza suas sombras e alivia-se, garantindo sua "sanidade".
Exatamente como acontece nas telenovelas, mas assim de uma maneira mais, refinada, digamos, com uma capa "intelectualizada". Uma espécie de produto, agora sim, no sentido comercial, para um alvo um pouco mais inteligente, mais sacado, que nega a televisão e toda a cultura de massa.
Mas o mecanismo é o mesmo.
Enfim eu pergunto de novo. Pra quem faz. Faz pra quem? E pra quem assiste. Vai pra quê?
Palco e Platéia, que rumos (ou sem rumos)? Húmus, um pouco. Pra adubar essas cabeças, esses espíritos. Uma vez que qualquer estudante de teatro já cruzou o velho Stanislavski, em seu intento de "recriar a vida do espírito humano". Que vida é essa que está sendo recriada?
Sem brilho, sem cor, sem novidade. "Teatro dos vampiros"?
Naquele dia, no MASP, todos concordaram e voltaram para casa tranqüilos, possivelmente aliviados de seus fantasmas. Porque existe, aí, também, uma cultura com uma embalagem um pouco melhor, mas com a mesma função. Uma cultura para fantasmas um pouco mais nobres, que não podem ser exorcizados na poltrona do sofá de casa, mas talvez em alguma outra mais confortável, que possa ser encontrada no teatro, no cinema, ou quiçá em algum espaço alternativo do centro da cidade ou da Av. Paulista.

Bia Fusko, JdP#51


giovedì, maggio 24, 2007

phBarrox, 2007 - série Planeta São Paulo
a praça recebe várias manifestações de arte e cultura aos sábados

jornal do Apocalipse

por Débora Aligieri, especial para o JdP#51
Começa a gargalhada hoje, daqui a 50 dias, daqui a 50 pautas de votação no Congresso, daqui a 50 anos (se a crise energética não se consumar). E sabe quem é o atual Presidente da Comissão de Constituição e Justiça - CCJ? O ACM. Eu preferiria se fosse ACME, Perna-longa para Presidente da CCJ, como sucessor do Lula, aliás, para Governador do Estado, porque a saúde seria levada a sério. Tempos atrás fui ao pólo de diabetes do Estado de São Paulo que, por lei estadual, deve fornecer todos os insumos para tratamento da doença, e fui informada que não fazem mais cadastros porque já tem muito doente cadastrado. Quero meu nariz de palhaço! Qual a função de uma lei estadual que não é respeitada pelo Estado? Eu vou pedir meus remédios pro PCC, porque eles sim pagam remédios para a comunidade carente e até financiam times de futebol. E eu, carente de orientação fui pedir auxílio ao Papa, mas me deparei com um rio de lágrimas populares, até pensei que as pessoas estavam chorando porque o Congresso aprovou o aumento de 30% dos "parcos" proventos dos congressistas, mas era o circo religioso. Então, fui ouvir a primeira entrevista coletiva do segundo mandato do Presidente da República, que ensinou técnicas abortivas como agulha de tricô e chá de caroço de abacate (arrá, essa você não sabia!). Enfim, acho que a culpa deve ser minha por ser diabética, já que todas as propagandas públicas culpam o cidadão: se as ruas estão sujas, a culpa é do cidadão que é porco e joga lixo na rua, não da limpeza pública ineficaz e da falta de lixeiras; se não há recursos para garantir bons serviços públicos, a culpa é do cidadão que não pede nota fiscal, não do desvio de verbas. E o Algore deveria pedir autorização a este distinto apocalíptico, já que agora ganha dinheiro fazendo palestras sobre o fim do mundo (já que não conseguiu se eleger Mr. President para dar causa ao fim do mundo, como faz o eleito). Quero meu nariz de palhaço para começar a gargalhada daqui a 50 minutos, daqui a 50 entrevistas coletivas...
O jornalista Milton Jung foi o convidado do projeto O Autor na Praça no sábado, dia 26 de maio. O jornalista autografou os livros Conte sua história de São Paulo e Jornalismo de Rádio; e o evento fez parte da celebração do oitavo aniversário do projeto, que acontece no Espaço Plínio Marcos aos sábados durante a feira de arte da Praça Benedito Calixto. Jung começou a carreira no Rio Grande do Sul, onde trabalhou nas Rádios Guaíba e Gaúcha e no Jornal Correio do Povo. No final da década de 80 radicou-se em São Paulo, foi repórter nas tvs Globo, SBT, Cultura e Rede TV até entrar no Portal Terra onde apresentou o primeiro jornal eletrônico brasileiro, o Jornal do Terra. Apresenta atualmente o CBN São Paulo, na rádio CBN e por três anos seguidos foi finalista do prêmio Comunique-se na categoria Melhor Âncora de Rádio. (EB)

sabato, maggio 19, 2007

ph Barrox, série Planeta São Paulo, 2007
ESTRANGEIRO NOVE agora é quase esse dia de manhã e, por exemplo, tinha um cartão na caixa de correio! porARTandywarhol meninas de maquiagem forte e olhares difusos. ainda acho estranho que de manhã o rádio do carro toque Mozart pra caras que estão dentro dos carros como se fossem pra quadra da escola de samba, ou talvez seja mesmo por isso. a rua oscar freire de manhã não tem nada a ver com o que dizem os jornais ou a mulher de gestos artificiais talvez não tenha lido as colunas sociais ou olhado direito nos olhos de quem ela diz que é seu amor... seja como for, NOUTRO DIA eu assisti um show, vi uma exposição de arte e conversei com alguns artistas tipo marginais. daí, nunca sei porquê, e enquanto recompunha meus olhares, vi que o mundo TINHA completado uma coisa parecida com outro ciclo. nesse dia era quase de noite, havíamos conversado, bebido, comido e minha mitologia me disse assim desse ciclo. Tento, nessas horas, pensar em outra coisa, talvez mais sérias do tipo que o senhor com ar sério esperando o sinal abrir gostaria de ouvir, mas o que penso remete à lembrança das paisagens que ainda não vimos ou trechos de poesias, ou olhares como no dia em que nossos olhares se encontraram e eu fiquei sabendo de tantas verdades íntimas e pus minhas mãos em seu ombro e num momento muito fugaz acho que senti seus desejos. minhas. suas. Como se recompor de fragmentos abstratos ou de abstrações metafóricas? não decodifico energias cósmicas assim como não preciso agora delinear fernandoPessoa no café de Lisboa ou em noches de Buenos Aires onde Carmencita seminua misturava fumaça de Gitanes a trechos de Cortázar y Borges - vinho tinto - e provocava em boca de carmim astorpiazzolla corpo celestial. Naquele momento de nosso Encontro tudo se transcendeu. noite de hotel, celulares tocando, ouve-se distante o som da música, jazz muito jazz na caixa, a cidade semi-adormecida em fotografias no centro velho e ninguém mais no raio de ação, umbigo do mundo, corpo moreno que mais do que nunca é índia, cheira terra, questão de pele e nos beijamos na calçada em alguma calçada de Paris enquanto o velho que passa quer te reprovar com o olhar enquanto os outros olhos te comem lambuzada em mel e sexo sacana e também procuram armas que destroem extraterrestres pra cortar meus cabelos agora brancos. então te ouço te quiero oferecer mi cuerpo soy loca por ti nesta improvável fusão de destinos, enquanto leio seus poemas e também leio suas palavras escritas com dor e líquidos doces suaves, versos, soleil de manhã, os gatos curtindo o calor circunstancial desse outono estranho no terraço, y saxofone gritos de alerta e tudo que desfaz em noites entre sussurros; assim como na cidade maluca nunca precisa ser noite nunca é dia nem sempre é chuva quase nunca é sol, ou tudo ao contrário nos dizemos enquanto os pop jornais - cadernos culturais de araque - estampam a fotografia retocada da putinha que perdeu o prumo, o cabaço, e ainda não pôde saber dignidade porque se aprender terá que escolher entre isso ou o programa de tv onde expõe pernas abertas e maquiagem borrada. Então o que me importa é que mesmo nesse ‘clima bladerunner’ que de vez em quando se deixa encobrir a cidade, sempre restará aquele momento (mágico?) dos nossos textos escritos um por causa do outro, quem sabe, e o sorriso como quem não sabe, mas no fundo sabemos de tudo e de como ainda vamos poder olhar o mar e dar abraços e coisa e tal. enquanto passam pela rua umas pessoas pop-equivocadas, de roupas e maquiagens erradas e tudo que nem sei. E nessa fusão de agora e sempre seus poemas aqui revelados. me encanta Te saber por dentro, Te fazer perguntas - eu sonhava com isso, eu ainda sonho com isso - e não tenho mais dúvidas sobre valer mais um toque de lábios alimentando a vida com a loucura como quem goza e depois nem sabe quando, ou os livros perdidos em prateleiras muitas e de saber que nem tudo está perdido e porque se ficamos exaustos temos o banco da praça e as carícias obscenas resumos de histórias bem contadas entre frases bêbadas de absinto que nos encantam em delírio seus versos ditos entre goles e sorrisos com olhos alegres. Até porque amanhã é outro dia e ainda há que se costurar outras cinquenta e tantas emoções.
texto & fotografia de capa da edição#51, por Eduardo Barrox