lunedì, aprile 21, 2008

leituras dramáticas no MASP
todas as segundas-feiras às 19:30h
entrada gratuita

martedì, aprile 08, 2008

phBarrox
A Feira da Benedito Calixto, em São Paulo, acaba de ganhar mais uma alternativa de arte & cultura. É o projeto Arte na Praça, criado, elaborado e desenvolvido por este Jornal da Praça e que tem como objetivo apresentar mensalmente no Espaço Plínio Marcos um artista e sua obra através de happenings, diálogos e exposição de seus trabalhos, proporcionando um contato direto entre artista e público. Abrindo esta nova fase, Arte na Praça apresentou o artista performático Ivald Granato, que autografou seu novo livro Ivald Granato Art Performance, da Coleção Portfolio Brasil (J.J. Carol Editora). A obra mostra performances do artista do período de 1978 até os dias atuais.

giovedì, marzo 27, 2008

phBarrox
O coletivo de arte Dulcinéia Catadora foi a primeira atração do projeto O Autor na Praça em 2008. Integrantes do grupo se apresentaram e realizaram oficina no Espaço Plínio Marcos - Feira de Arte da Praça Benedito Calixto - no sábado 29 de março.
O Dulcinéia Catadora edita livros com capas de papelão feitas por adolescentes recém-saídos das ruas, catadores de papel e filhos de catadores. Além disso o grupo conta com a participação de escritores e artistas plásticos, como Lucia Rosa - que iniciou a versão brasileira do original argentino Eloisa Cartonera, conhecido no Brasil a partir de sua participação na 27ª Bienal de São Paulo.
Os trabalhos são realizados numa pequena sala cedida pelo Projeto Aprendiz no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, e editados a partir de textos cedidos pelos próprios autores. Com isso já foram feitos livros de autores consagrados como Haroldo de Campos, Jorge Mautner e Carlos Pessoa Rosa, entre outros. Além desses, Lucia soma nomes de escritores desconhecidos vindos de situações-limite, como o ex-sem teto Sebastião Nicomedes.
Dulcinéia Catadora é um dos quatro projetos de já criados na América do Sul: além dele e do Eloisa Cartonera, existem núcleos no Peru - o Sarita Cartonera - e o Yerba Mala, na Bolívia. O conceito que une os grupos é a difusão de novos autores pela América Latina através destes caminhos editoriais alternativos.
Os trabalhos produzidos pelo grupo são vendidos a $5, na séde, r. Pe. João Gonçalves, 100; ou em locais como o Espaço Plínio Marcos, na Pça Benedito Calixto; Galeria Vermelho; Mercearia São Pedro; ou na Livraria Realejo, na cidade de Santos.

domenica, marzo 16, 2008


ph Lilian Alves
LilianAlves
ERIKA – Quem seriam pra você hoje os marginais em atividade?
PERÉIO – Calma aí. O seguinte: quando não tem o leito do rio não tem margem, né? E, por exemplo, no Brasil todo mundo já nasce marginal. Quer dizer, porra, caralho. Nosso presidente da República é o Lula, caralho! Onde é que está o leito desse rio? É tudo margem! Então quer dizer, ser marginal no Brasil tem que descobrir uma brecha, que, porra, se o presidente da República fala mal das elites, que elites são essas? São elites falopéicas, imaginárias. Então o cara está querendo se colocar como um marginal, o cara que era ferramenteiro... Mas ele é a elite.
ERIKA – Então vamos falar de São Paulo.
PERÉIO – Adoro São Paulo. Sinto falta de chão em São Paulo. E ando na rua, não tenho medo de nada, só tenho covardia porque senão você morre. Pintou sujeita, a covardia te possui e quando você vê está a quilômetros de distância. Mas gosto de andar na rua. Uma vez fui contando os que já estavam embrulhadinhos pra dormir e quando chegou no 40 eu parei. O cidadão paulista entregou o chão pro povo da rua. O que os novos prédios estão fazendo é que não tem chão, tem os obstáculos pra ninguém estacionar... Não tem como andar na rua. São Paulo é uma cidade sem solo, sem chão. (...)



O trecho acima foi publicado em entrevista com o ator e apresentador, do programa Sem Frescura (Canal Brasil), Paulo César Peréio na revista KEY 08 (dezembro, 2007). Quando você lê este tipo de coisa numa revista dirigida por Érika Palomino (jornalista símbolo da cultura eletrônica brasileira nos anos 90 e famosa por ser do tipo que protegia alguns estilistas do "mundo fashionista"), numa publicação que a princípio é especificamente "de Moda", e quando vê na mesma revista editoriais fotográficos assinados por Miro mixando Alexandre Herchcovitch, Huis Clos, sacos de lixo e fotografias dos mendigos no centro de São Paulo por Paulo Giandalia; além de ver páginas e páginas preenchidas com a pintura política de Hildebrando de Castro em texto de Celso Fioravante e ainda colagens urbanas de Carlos Fajardo... ou ainda editoriais fotográficos assinados por Marlene Bérgamo e Mari Queiroz mixando os diversos tipos de morte no asfalto, em localidades que vão desde a Galeria Melissa nos Jardins até o bairro Munhoz Junior em Osasco, e quando você ainda recorda-se da temática da última edição da "São Paulo Fashion Week" (convivência urbana), então percebe que tudo valeu a pena naquele trabalho de formiguinha.
Desde ir de ônibus ao Ibirapuera assistir ao primeiro desfile do seu ‘estilista - ídolo’, desde vestir a Rebecca de noiva presidiária baleada ou escrever poesia para a menina Jessilene vendedora de lixas que tornavam-se flores pelas lentes do Barrox, até colocar na passarela as pessoas-poste envoltas por moulage de faixas de porcos políticos ou até tentar através de um simples vestido mostrar a algumas centenas de pessoas que não somos marionetes do poder, até conseguir transformar um pouco a possibilidade de pensamentos sobre processo criativo de uma equipe de trabalho num lugar completamente adverso do seu (que é Brusque), até conseguir fazer circular mensagens um pouco melhores através da linguagem de moda para grandes marcas e redes de magazine (graças à mesma, Brusque).
Então você agradece porque espiritualmente não estava mesmo sozinha (apenas parecia que falava sozinha e só os seus professores e amigos te entendiam – esses muitas vezes porque te amavam antes de entender) e você entende, sobretudo, que a dura pena que há vir ainda sempre valerá mais e mais, pois já consegue manter-se no mercado brasileiro um pequeno rol de publicações de pensamentos de moda, inseridas no contexto da vida real (a revista Catarina segue outra linha, mas também é muito interessante).
É, a moda está mudando, parece então que os ares da Vila Madalena fizeram bem para o jornalismo da Érika (onde ela instalou a sua casa-escritório) e já dá pra ter até um certo orgulho desta minha profissão... de ser quasestilista um pouco passada (inclusive com aqueles que não percebem coisas básicas a respeito de nossos poderosos instrumentos de comunicação, como a moda, que pode ser música ou poesia simplesmente concretizadas), por isso é bom agora voltar mesmo às ruas de São Paulo a recolher a parte que me cabe naquele chão que Peréio diz não existir mas que amo reconhecer, andar, cumprimentar, ler, decodificar, perceber sutilmente, melhorar, viver.
Mas antes disso, uma foto local também como prova de que é possível ser essa louca poesia contraditória em qualquer lugar. Ainda bem!


Lilian Alves é estilista e uma das fundadoras do Jornal da Praça
ph Puri
A imagem-cor do som
por DanielaAragão

Outro dia conversava com um amigo sobre "canais de recepção". Se me faço entender, o assunto nada tinha a ver com conexões eletrônicas, televisão, internet, celular. Falávamos de nossas habilidades para apreender/captar o mundo. Não fugindo à regra do "ser masculino", ele me disse que absorve a vida através do olhar. Como bom voyeur, está sempre ligado na sedução das imagens que alimentam seu imaginário. Não foi à toa que Baudelaire escreveu o poema "A une passante", dedicado a uma mulher desconhecida que lhe cruzara o caminho. A "Garota de Ipanema", de Tom e Vinicius, é novamente o voyeurismo do macho revivenciado no trópico.
"Um tom pra cantar/um tom pra falar/um tom pra viver/ um tom para a cor/um tom para o som/ um tom para o ser", canta Caetano. Minha percepção do mundo se dá pelo som. Música pra mim tem cheiro, sabor, forma, cor e perfume. Tatuei no ombro esquerdo um violão azul e no punho direito uma clave de sol para que a música fique eternizada na memória de meu corpo.
A relação entre som e cor me instiga desde os tempos em que passava as tardes na casa do meu saudoso amigo, o pintor Dnar Rocha. Ele pedia-me para que cantasse e tocasse qualquer canção que me batesse forte enquanto ia misturando as tintas e elaborando os primeiros traços de um novo trabalho. Apaixonado por Orlando Silva, Dnar adorava me contar as histórias do cantor das multidões. Em algumas ocasiões aparentava certa nostalgia, mas antenado que era não deixava passar incólume por seu humor cáustico tudo o que invadia seus olhos e ouvidos. "Daniela, eu vi no mapa um lugar chamado Batatais, gostei do nome, tô pensando em me mudar pra lá."
Uma saudade do Dnar tomou conta de mim quando recentemente visitei no Paço Imperial, no Rio, a exposição "A imagem do som do samba". Artes visuais e música se unem sob o olhar de oitenta artistas plásticos que fazem leituras de oitenta sambas. Esse trabalho dialógico é original em seu caráter inventivo. Composições esquecidas ou cristalizadas no inconsciente coletivo, como "Ai, que saudade da Amélia!", de Ataulfo Alves e Mário Lago, ganham interpretações revigoradas.
Devido ao inesperado da visita, não carregava minha máquina fotográfica. Para não perder as imagens fui anotando no caderninho alguns detalhes das obras correspondentes às canções que mais me sensibilizavam. Ao lado de cada tela, foto ou instalação havia um fone para que o visitante participasse com todos os seus sons e sentidos.
Essa exposição é o prolongamento de outras realizadas com a mesma proposta. Caetano Veloso, Tom Jobim, Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram antes seus versos e melodias viradas do avesso. A riqueza da obra desses artistas possibilitou uma multiplicidade de olhares. A predominância do foco na questão urbana, como é o caso de Chico Buarque, não impediu que despontassem interpretações absolutamente distintas.
Em "A imagem do som do samba" optei por seguir fielmente o trajeto delimitado pelos curadores. Fui ouvindo as canções na seqüência da disposição espacial das obras. Uma das interpretações que mais me chamou atenção foi a de Irene Peixoto. A artista imprimiu sua marca na leitura de "Mora na filosofia", de Monsueto e Arnaldo Passos: "Mora na filosofia pra que rimar amor e dor/ Se seu corpo ficasse marcado/ por lábios ou mãos carinhosas/ eu saberia (ora vá mulher)/ a quantos você pertencia/ Não vou me preocupar em ver/ seu caso não é de ver pra crer: ta na cara..." Irene apresenta a foto de um homem nu em posição fetal repleto de carimbos com frases de filósofos e imagens de posições sexuais. A interpretação de Caetano ganha em pulsação erótica na obra que sobrepõe pensamentos e corpos em cópulas sobre o corpo que nasce.
A exploração do tema amoroso é constante na maior parte dos trabalhos, o que não foge à regra da história do cancioneiro nacional. Amores impossíveis, relacionamentos desfeitos, brigas, lágrimas, uniões, um carnaval de dor e prazer contamina o universo dos nossos sambas. É notável a maneira como esses artistas tentam fugir do lugar comum, "A voz do morro" de Zé Kéti é revista sob a ótica da violência conforme representa a metralhadora fotografada por Rodrigo Lopes: "Eu sou o samba/ A voz do morro sou eu mesmo sim senhor/Quero mostrar ao mundo que tenho valor/ Eu sou o rei dos terreiros/ Eu sou o samba sou natural aqui do Rio de Janeiro/ Sou eu quem leva alegria para milhões/ De corações brasileiros".
Heloísa Faria brinda a alegria tropical de "Brasil Pandeiro" (Assis Valente) interpretada pelos Novos Baianos. Abusando do kitsch, a artista enche uma taça com purpurina nas cores da bandeira nacional. Entre ondas de azul, verde e amarelo se fixa um pequeno pandeirinho que convida o espectador a entrar no ritmo: "Brasil, esquentai vossos pandeiros/ Iluminai os terreiros que nós queremos sambar".
Caminhar pelos interstícios da subjetividade foi a opção de Jair de Oliveira ao ler "Falsa Baiana" (Geraldo Pereira) na interpretação magistral de João Gilberto: "Baiana que entra no samba e só fica parada/ Não samba, não dança, não bole nem nada/ Não sabe deixar a mocidade louca/ Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira/ Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras/ Deixando a moçada com água na boca". Aos olhos e ouvidos de Jair a "falsa baiana" não transcende o plano imaginário – e ele expõe apenas uma cadeira vazia que o espectador ocupa com sua própria baiana imaginada.
Representação delicada leva o samba "Quantas lágrimas", de Manacéa. A interpretação de Cristina Buarque é valorizada com o grande painel fotográfico do artista Rafael Jacinto. A obra apresenta três belas mulheres na faixa dos trinta anos com as faces avermelhadas de choro. A força da imagem elimina o ar meio passadista da canção: "Só melancolia os meus olhos trazem/ Ai, quanta saudade a lembrança faz/ Se houvesse retrocesso na idade/ Eu não teria saudade da minha mocidade".
Vou relendo minhas anotações e tentando reconstruir imagens. Sou invadida por uma saudade intensa do Dnar. Música e artes plásticas são uma coisa só, não preciso ir a Batatais para conferir.

Daniela Aragão é Mestre em Literatura Brasileira
pela Universidade federal do Rio de Janeiro.
Escreve artigos para jornais e sites
e uma de suas paixões é o estudo da relação entre música e poesia.
Atualmente trabalha num projeto para gravar composições
interpretadas por Nara Leão, num tributo à cantora.

mercoledì, febbraio 27, 2008

ph Barrox
capa - atriz Camila Rondon
produção Camaleoa
CINEMA2 - Seqüência de CINEMA com legendas à côté de la fenêtre, lumière du soleil du matin, corps nu, musique d’un certain endroit. Corta pra uma rua em que pessoas berram idiotices e vendem sanduíches e xingam-se de dentro dos automóveis e enfim, tudo como sempre. a mulher, Entre uma e outra letra, dança sobre a tela. beijo (e)ternamente seus lábios Y outras imagens: a de uma criança perdida andando pelo acostamento de uma estrada no deserto porque – você diz –clichês de imagens que já vi em algum lugar e cenas rápidas de crianças sendo prostituídas em cidades sujas do terceiro mundo fusion pra sala ensolarada, incenso, tempo de amor ET MÚSICA CIGANA; já não se ouvem barulhos e a doce sensação de estar dentro de você mesmo que em sonho. cabelo despenteado, tatuagem & cítaras indianas lágrima felicidade alegria orgasmo luzes apagadas fotografia. Sanduíche. outrA história ou outra versão da história: você - um cara, o personagem, sei lá pôrra - está sentado num banco numa praça numa cidade – trilha horrível tipo aquela música (sic) pump up the jam (argh) – e uma criança negra chora sua mãe atavicamente prostituída em avenidas imundas e seu pão tem o gosto da bebida ingerida na companhia de bêbados, canalhas drogados de corpo sujo, vidas fodidas e mulheres tristes madrugada madrugada. Você fecha os olhos. Corta. Ao telefone a mulher-menina diz quero foder, quero te dar, diz fumando compulsivamente, misto de desejo inquietude. Imagens difusas entre um cigarro e outro, o Cristo crucificado já não sangra e todos os sorrisos se voltam para outro lugar e pássaros voam em grupos e, ao longe, ruídos ruídos ruídos. Por alguns instantes, pôr-do-sol em 32 bits fusion noite gostosa com explosões siderais e carrinhos de pipoca na calçada em frente. Nossos olhares projetam tempos passados e presentes, como somos felizes, cromossomos (in)felizes, roquinhos-baladas tipo Elvis and Chubbi Cheker tilintando entre cuba-libres e o desejo de tirar sua calcinha dentro do carro. ou. imagens contemporâneas minimal art. Cheguei agora e, puta que pariu!, outro mendigo diz ser Jesus Cristo e homens poderosos crucificam as esperanças. Na trilha de novo JAZZ, o cara não ouve outra coisa, mas você já tinha dito isso. Cena 2: ela começa a tirar o vestido longo-negro-colado-ao-corpo e anda descalça pela sala. Seu olhar não deveria manifestar emoções. É de noite madrugada e uma outra mulher beija sua boca. você sorri mostrando desejo na boca entreaberta enquanto me olha nos olhos. Um casal de velhinhos sai do elevador num hotel de Miami, textos de Henri Miller ditos no centro velho de San Pablo, voz de Janis Joplin e você diz que agora nada importa - mete mais, pede - sexo notícias desencontradas poetas noturnos e correntes de ferro imagens decorrentes. Cheiro de vela acesa. Lareira. Beijo na boca. Paixão dividida, noite de estrelas, sou sua você diz ainda desejando que o tempo se imobilizasse e/ou apenas se alternasse entre as cores do dia e os sonhos da noite, assim como ler poemas de Hilda Hilst em voz alta no degrau da escada ou andar em círculos pela praia semideserta ‘num dia de semana’... outraCena: o cara mais velho me diz que terei que aprender a conviver com a solidão. Penso nisso e digo foda-se: já convivo com minha solidão desde que me conheço, enquanto olho em seus olhos de já mulher e você me sorri ternamente. Olhares perdidos. Cinema. Pútridas emoções. Puras emotions. Notícias de jornal. Som de chuva. Andando de novo pelas ruas do centro velho numa cena com cara de domingo, o cara lê O Macaco e a Essência em voz alta seguido por uma procissão de motocicletas silenciosas e mulheres de capuzes negros. Referências, você diz, dando gargalhadas. "Não quero mais essas tardes mornas". Tesão. Tesão, você também diz. Divindades, a estrada ao amanhecer, agora você dorme no banco ao lado, o carro em velocidade, a janela aberta, sinos na igreja de uma pequena cidade. Sonhamos. Não consigo te esquecer; vejo seu sorriso na fotografia, também sinto vontade de chorar. É de manhã na américa do cio, Um cara diz que as utopias se acabaram, e eu também mando ele se foder! Cena repetida: não diga não não diga sim não olhe para trás não tenha nome nem passado não se importe com as feridas não considere os movimentos solares não saia de casa não estabeleça critérios não brinque de não ser fotografia em preto&branco não deixe nunca de brincar diz que sou gostosa me beija não acenda a luz abra a janela tire o vestido. Corta! O filme acabou.
Eduardo Barrox, texto de capa JdP, edição 60

Em março, a Caixa Cultural São Paulo, Galeria da Paulista, mostrou fotografias de alguns dos legendários integrantes da Agência Magnum. Obras de Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, Susan Meiselas, Erwitt e Martin Parr entre outros. Já fica registrada como uma das melhores exposições de 2008 em São Paulo. (EB)
reprodução

Pintura retratando a super-modelo Kate Moss, de autoria do artista inglês Banksy, acaba de ser arrematada por US$ 191 mil em um leilão de arte de rua realizado em Londres (Inglaterra). O trabalho do autor faz irônica referência ao famoso quadro do pop Andy Warhol que retrata a atriz Marilyn Monroe. O leilão - promovido pela casa Bonhams - incluía 75 trabalhos, a maioria de peças feitas ao estilo do grafitte de rua. A tela arrematada já tinha sido vendida por US$ 98 mil em um outro leilão realizado em outubro de 2006. "Por definição a arte de rua é uma forma de arte efêmera, que geralmente desaparece tão rápido quanto aparece" - disse Gareth Williams, especialista-sênior em pintura da casa Bonhams à reportagem da BlowUp Press - "mas ao transportar essas imagens da rua para as telas, os artistas estão criando agora um legado permanente." Por seu lado, o misterioso Banksy, que se recusa a revelar seu verdadeiro nome e tem uma obra cada vez mais conhecida pelo conteúdo irreverente e político, faz boa parte de seus trabalhos em murais exteriores em vários países. Um dos mais famosos é um grafitte na barreira construída para separar Israel e os territórios palestinos, que mostra uma menininha revistando um soldado.

mercoledì, gennaio 30, 2008

ph capa: auto-retrato Camaleoa, 2007

paulicéiadesvairadaséculoXXI
acorda entre sonoridades desconexas e abre os braços pro Sol, se jogue sobre os telhados ou perca-se nos labirintos sem fim. Deixa entrar a luz, entre relâmpagos e líquidos, os sons da cidade, as sombras da madrugada. Percorro seu corpo de cabelos desalinhados e pele cheirosa, quando sinto as intensidades dos pecados e dos perdões. Mergulhamos de cabeça nas paixões. Na grande cidade, de calçadas irregulares e asfalto quente, estranho é o sujeito que buzina desvairadamente em cada esquina e não a puta que sorri. Ou a garota gótica que fixa seu olhar entre piercings, metal-rock, sempre em noite de Lua. The Girl in the Other Room como canta Diana Krall, Luzes, tintas e poesias acompanhando jazz; não há razões nem des-razões, nem cores definidas. Em cada quarteirão, assim como o céu brilha diferente a cada manhã, não sou eu nem sou você. A manhã nublada nos ensina a ouvir a música e sentir o incenso. Abra os olhos pra saudar a Lua e abrace bem aos quartos crescentes, dissonâncias entre sons de Miles Davis misturados ao andar rápido de quem vai nem sabe onde. John Cage, pinturas de Frank Stella, colagens rasbiscadas, o som do rádio & fusion nas telas quase brancas que significam os meus próprios ritos de renascimento, de corpo e espírito. Faz calor sobre a cidade, mas seu corpo nu sentindo a brisa me alimenta de paixões enquanto me abraça e quando faz amor; também tem o vento e depois a fruta, o vinho tinto, boca molhada e os suores. Sou você em cada dia, o abraço da tarde morna, o cheiro da flor; talvez em nenhum lugar seja assim e será sempre quando nossos olhares sempre se cruzarem mais uma vez.
EduardoBarrox

lunedì, gennaio 21, 2008

phDivulgação TUDO BEM (NO ANO QUE VEM)

Brazil (blowUp Press) - Com (boas) fotografias produzidas em outubro passado em Paris, França, a edição de janeiro da revista Elle norte-americana traz a spice girl Victoria Beckham na capa e numa entrevista. O ensaio fotográfico mostra a cantora visitando lojas parisienses (errr...); e na entrevista ela se revela falando coisas como "sempre vou pra cama nua", fazendo algumas referências, digamos apimentadas, ao marido - um jogador de futebol - e mais uma série de desnecessidades absolutas e idiotas.

A revista, cuja edição original francesa comemorou sessenta anos no fim de 2007 e já foi considerada uma espécie de bíblia da feminilidade (sic) consegue ser mais desinteressante do que a edição de dezembro da revista brasileira Brasileiros. Entre outras matérias estranhas que afirmam que o Brasil tá funcionando direitinho, eles publicam uma entrevista com o presidente brasileiro Lula, na qual ele também diz que as coisas vão muito bem, donde se depreende que vivemos numa espécie de paraíso tropical ou coisa assim. Na chamada de capa já se anuncia que o sr. presidente tá de bem com a vida. Há outras matérias de igual otimismo em relação a este nosso sofrido torrão. Não é bem ser contra as boas notícias, mas gastar papel pra matérias (sic) assim é um exagero, considerando a realidade em geral sobre violência, habitação, cidadania, chuvas de verão, monocultura agrária e saúde - por exemplo - observando que antigas doenças e febres acabam de ser tristemente resgatadas; ou minha própria observação em andanças aqui e ali de que o buraco talvez seja mais embaixo. Acho que, tanto a revista quanto o presidente, omitem a informação de que progresso social não se dá através da simples oferta de créditos ao consumidor cobrados com juros extorsivos, algo maquiavélicos e selvagens. Com isso, a revista que tinha uma certa intenção de repetir os gloriosos feitos da revista Realidade dos anos sessenta, perde credibilidade. O que não precisamos neste momento histórico é de material promocional deste nível. Seja como for, o chato dessas publicações é que o jornaleiro não devolve a grana e o garrafeiro diz que tão pagando pouco pelo quilo de papel velho. Depois, conversando com uma amiga, ela me alertou para a possibilidade de não vivermos no mesmo país. Não! não eu e a Victoria; nós (você, eu, o povo) e o Lula.

Por coincidência mera (ops), no mesmo espaço de tempo a boa revista Piauí também traz matéria com o José Dirceu, o ex-homem forte do governo Lula. Ainda não entendo porque se dá tanta mídia pra essas personagens, mas pelo menos a matéria não é tão ruim quanto a da revista (Brasileiros) que entrevistou o Mr. Presidente. Na verdade a matéria até é boa, irônica na medida, com uma boa fotografia em preto & branco do Duran ilustrando, etc.. Mostra bem o personagem Zé Dirceu, consultor internacional e possível candidato à presidência da República quando todo mundo esquecer (aqui no Brasil demora um tempinho pro povo esquecer...mas esquece). Depois de ler a matéria fiquei pensando no livro do Zuenir Ventura sobre 1968 e em coisas como, será que o Zé já era assim e ninguém tinha percebido ou ele disfarçou até conseguir chegar onde chegou?

E outra revista desta semana - a semanal Isto É - traz matéria de capa dando conta de que a morte do presidente João Goulart no exílio não teria sido de morte morrida e sim morte matada. Foi mesmo! todo mundo sabe faz um tempão. Mas agora a informação - mesmo com algumas décadas de atraso - vem pela boca de uma pessoa que testemunhou o fato e assegura que Jango foi envenenado. A família do ex-presidente, que também parecia não saber disso, pede nova investigação. Quantas décadas ainda vão demorar pra que a verdadeira História da assassina ditadura militar brasileira seja contada?

Seja como for, e pelo andar da carruagem, espere pelas próximas edições das revistas brasileiras. Ainda vamos ler entrevistas provando a existência de Papai Noel (e confirmação de sua nacionalidade brasileira), entrevistas com o Coelhinho da Páscoa, alguma coisa em torno do sexo dos anjos, bem como a vida sexual da Branca de Neve e os Sete...
Eduardo Barrox

giovedì, dicembre 20, 2007


I HAVE A DREAM - teria dito Martin antes de levar um tiro - but I também sonho com terras e mares e fronteiras de girassóis e sorrisos e canções sobre liberdade em que toquem rock ou jazz ou bossa ou cantigas de roda sem discussões tolas sobre direitos e deveres. No sonho não tem papéis amassados nas ruas, nem livros jogados na fogueira ou abajures com peles tatuadas, nem vítimas do sistema, muito menos censura de pensamentos ou da expressão da arte. É possível que neste sonho alguns ladrões de sonhos devam ser demitidos mas, afinal, quem sente falta de político sacana? Para que jovens nunca mais sejam torturados e assassinados e massacrados por seus próprios sonhos de estradas e mochilas e guitarra por velhos cagaregras de leis e normas de condutas para troca de favores em novos armamentos e mais lucro para aqueles que (fingem) manter a ordem.
eU tEnHo UM SonHo de simplicidade como o de Hemingway com seu velho e o mar e toda aquela coisa de dignidade que já não existe mais com o suor do rosto, com a palavra de um Homem e a esperança no próprio trabalho e a fé nos deuses não mais usada como desculpa ou subterfúgio para novas/velhas explorações para construções suntuosas de PODER velado sob o medo a insegurança a ignorância do pobre que sobe e desce a avenida e acredita em diploma, MBA(argh!), na força de um partido no homem presidente eleito do povo e para
O Povo sacrificado e desonrado num cerceamento de opiniões e cálculos e estatísticas comprobatórias de extorsões. Coisas que - no sonho - fariam com que ele fosse julgado num tribunal de sonhadores por traição ao sonho – sem nenhuma ou qualquer manipulação de SONHOS que façam parecer vãos os preconizados por martinlutherking ou jesus ou buda ou francelmoduarte ou luizfláviocappio ou aquela senhora que anda horas num ônibus cheio pra ter direito ao trabalho mínimo e um um prato vazio.
A banda passa todo dia e a propaganda pretende enganar com soluções em rótulos para nossas (in)felicidades – bandanas de idiotas da modernidade em consumos profanos de (des)necessidades em transformando objetos em sonho e griffes em bens de consumo e tantas outras bugigangas importadas para somente parecer gente, sem saber que não é bem assim. Ou o lugar onde a fruta esteja ao alcance das mãos - madura e suculenta - sem ter de pagar dólares e sangues por isso, nem de outros índios ou crianças ou velhinhos. Para que enfim o fundo do quintal do nosso país seja Cocanha e não depósito dos nauseantes lixos culturais e industriais sabe-se lá vindos de onde. Um lugar onde seja possível brincar com o lúdico do que somos e a fantasia que criamos de nós mesmos em prosa poética ou pinceladas abstratas sobre o que um dia fomos ou podemos ser.

Camaleoa, editora associada do Jornal da Praça

lunedì, dicembre 17, 2007

Helena Ignez traz o Bandido da Luz Vermelha à Praça Benedito Calixto


O último evento de 2007 no projeto O Autor na Praça recebeu a atriz, diretora de cinema e teatro Helena Ignez em tarde de autógrafos do livro Rogério Sganzerla – Encontros e lançamento em DVD do filme O Bandido da Luz Vermelha. Trata-se de uma versão restaurada com mais de uma hora de extras. No mesmo dia, o Espaço Cultural Alberico Rodrigues exibiu pela primeira vez em São Paulo o documentário Brasil filmado por Sganzerla, em 1981, na comemoração do cinqüentenário do cantor e compositor João Gilberto. A fita foi rodada durante a gravação do disco Brasil, que também teve participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethania.

Transgressivo desde seu primeiro filme, O Bandido da Luz Vermelha, Sganzerla recriou um pouco da linguagem cinematográfica trazendo para a tela um certo contraponto ao que algunsd críticos chamaram de pedantismo do Cinema Novo. Obviamente sofreu perseguições da ditadura militar, que não suportava nenhuma forma de inteligência.
Considerada a obra-prima de Sganzerla, esta versão restaurada de O Bandido da Luz Vermelha (1968), chega às prateleiras das locadoras. Trata-se de um dos maiores filmes do cinema brasileiro. Em edição especial o DVD tem mais de uma hora de extras, incluindo curtas-metragens do diretor, trailer e depoimentos. Baseado em caso real, o filme conta a história de Jorge, um assaltante de casas de luxo em São Paulo. As manchetes policias da década de 60 não falavam de outra coisa e seu apelido - e modo de agir - foi copiado do então célebre Caryl Chessman, condenado à cadeira elétrica nos Estados Unidos por crimes que negou até o último instante. A versão tupiniquim, protagonizada pelo bandido Acácio (o Jorge do filme) desconcertava a polícia da então provinciana São Paulo pelo seu comportamento incomum. Além de usar uma lanterna vermelha - a exemplo de seu inspirador norte-americano - ele estuprava as vítimas, ficava conversando com elas e fazia fugas ousadas para depois gastar o dinheiro roubado de maneira extravagante. No filme o mundo do personagem é povoado de tipos como o detetive Cabeção, a prostituta Janete Jane e o político corrupto J. B. Silva.
Neste caso, parte da realidade acabou superando a ficção. Preso e condenado a 30 anos, o bandido real - o brasileiro - acabou sendo assassinado meses depois de ter saído do manicômio em que cumpriu pena.
Manteve-se a obra de arte com sua linguagem visual revolucionária. O Bandido da Luz Vermelha é visto por críticos e cinéfilos como uma espécie de ponto de transição entre a estética do Cinema Novo e a ruptura do Cinema Marginal. Nunca mais se fez cinema assim no Brasil. Filmado em preto e branco, é um daqueles que todo cineasta, desses despejados pelas escolas de cinema do país, deveriam ter na estante e assistir de quando em quando. Certamente aprenderiam muito. (EB)

mercoledì, dicembre 12, 2007

capa do tablóide Café Literário,
realizada pela
poeta Rebecca Navarro Frassetto,
que também assina o projeto gráfico


Por conta do Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos - celebrado em 10 de dezembro - a Rede de Justiça Social e Direitos Humanos em parceria com o projeto O Autor na Praça, promovem tarde de autógrafos do Relatório Anual dos Direitos Humanos no Brasil 2007 no próximo sábado, 15 de dezembro, com a participação dos organizadores e colaboradores. No mesmo dia, o escritor Austregésilo Carrano Bueno realiza tarde de autógrafos de seus dois novos livros, Canto dos Malditos e O Sapatão e a Travesti, textos teatrais escritos a partir de sua experiência com o livro autobiográfico Canto dos Malditos, que por sua vez originou o filme Bicho de Sete Cabeças, um dos mais premiados da cinematografia brasileira. Ainda na mesma tarde o Instituto Cultural Casa das Letras faz o lançamento da edição#34 do Café Literário, tablóide bimestral impresso que completará seis anos de existência em fevereiro próximo. O cartunista e caricaturista Júnior Lopes, colaborador deste Jornal da Praça, também é presença confirmada, além dos Editores Associados, que coeditam o tablóide literário. Os eventos acontecem no Espaço Plínio Marcos, na Feira de Arte da Praça Benedito Calixto, em São Paulo, a partir das 14h.

Relatório Anual dos Direitos Humanos no Brasil 2007
Resultado do trabalho de pesquisa de 28 organizações ligadas à defesa dos direitos humanos, o Relatório Direitos Humanos no Brasil 2007 é organizado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e traz um panorama sobre as violações de direitos humanos no Brasil este ano. O primeiro capítulo, intitulado "Direitos humanos no meio rural”, contém dados sobre a violência no campo e um balanço sobre a política agrária no Governo Lula. Também trata do agronegócio e sua ligação com a violação dos direitos humanos, além de trazer uma análise sobre o trabalho escravo no país, a situação dos trabalhadores no corte de cana no interior de São Paulo, das comunidades quilombolas no Brasil, as violências contra os povos indígenas, a situação do sertão baiano com a extração de urânio em Caetité, entre outras informações. A segunda parte tem como tema "Direitos humanos no meio urbano". Os textos abordam problemas como a segurança pública no estado do Rio de Janeiro, a situação dos migrantes bolivianos, dados sobre moradia e o tráfico de pessoas no Brasil. O relatório enfoca, em seu terceiro capítulo, dados sobre o direito à educação e o direito à alimentação; a situação da mulher; e uma análise sobre política e o desenvolvimento no contexto da Amazônia. As políticas internacionais e os direitos humanos são os destaques do último capítulo do Relatório Direitos Humanos no Brasil 2007. Estão ali análises sobre o endividamento público interno e externo e o impedimento à satisfação dos direitos humanos, e a atuação das tropas da ONU e as violações de direitos humanos no Haiti. Com prefácio de Plínio de Arruda Sampaio, advogado e presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária, e organizada pelas jornalistas Evanize Sydow e Maria Luisa Mendonça, a obra é publicada em português e inglês composta por artigos de: Alessandro Molon, Aton Fon Filho, Cecília MacDowell, Douglas Elias Belchior, Evanize Sydow, Jeson de Oliveira, José Juliano de Carvalho Filho, Leandro Gaspar Scalabrin, Lindomar Silva, Luciane Udovic, Luiz Bassegio, Márcia Anita Sprindel, Mariângela Graciano, maria Lúcia Fatorelli, Maria Luísa Mendonça, Marluce Melo, Nelson Saule Júnior, Patrícia de Menezes Cardoso, Paulo César Pedrini, Paulo Maldos, Ricardo Rezende Figueira, Roberto Malvezzi, Roberto Rainha, Sérgio Haddad, Suzana Angélica Paim Figuerêdo, Suzana Keniger Lisboa e Zoraide Villas-Boas. (Edson Lima)

sabato, novembre 24, 2007


sábado, 24 de novembro - O cartunista Cláudio de Oliveira é o destaque de hoje no projeto O Autor na Praça. Ele irá autografar seu livro mais recente Pizzaria Brasil: Da abertura política à reeleição de Lula. A partir das 15h no Espaço Plínio Marcos, na Feira de Arte da Praça Benedito Calixto, em São Paulo.

sabato, novembre 17, 2007

jornal da Praça # 57
pés da escritora Camille M.
fotografia Barrox
produção Camaleoa

noite en la calle y en las ramblas et tropeçando nos copos...


Já é tema recorrente, você dirá, porém repetindo os teores da poesia - me diz a menina trocando de camisa sob raios de luz pela janela - em quase nunca ao meio-dia no céu de quase dezembro, ainda sem lenço e sem documento, tipo meio-dia macaco assovia panela no fogo barriga vazia, de quase sempre olhar em direção ao vento e traços inexatos da pintura de ojos azuis e tristes blues e/ou conversas musicais tocando a toda no cd, algo em torno de Miles Davis sincopado em Paris de Norman McLaren e seja o que vier, Luas Imaginárias com Camaleoa acendendo um cigarro e jorrando poemas sensuais sob os (também, depois) fluidos lunares quando foi agosto não tive desgosto, porque de conversas com poeta olhando olhos nos olhos e coisas assim assim. Algo em você me diz fotografias, passos no asfalto percussão&magia latas de tinta-spray-verde-Amarelo, grafittes no muro das tentações rabiscos nos tapumes, cores na televisão, óculos escuros y coros imaginários de índios canibais esperando o navio atracar com as tais trapezistas, virgens, odaliscas, tarólogas que na mesinha do Bar ANTROPOFáGico pedem mais um e dedicam-se a ler as letras nuas de Camille M, por exemplo, e/ou enquanto meninas bonitinhas meio que mostrando a bundinha y generosos decotes passeando entre clics techno macunaímicos mímicos de olhares gentis doces poéticos e/ou pedras em notícias de jornais que dão conta da podridão, a qual ninguém faz nada pra acabar – tipo, eu digo, revoluções de verdade - no piso e colors in black & white que eu mesmo deito em papéis fotográficos, na tela do computador no relógio que não preciso usar, nas folhas brancas transformadas em mensagens apocalíptico-espirituosas da poeta Débora Aligieri, portanto já não precisamos de relógios pra assinalar as abstrações, ou quando de madrugada revendo vídeosdvds enchendo os olhos com Laura Mars & BlowUp, os filmes, choros & pinceladas, caldo de cana, coca-cola com muito gelo, pastel de escarola, y devorações de espeto de frango i malícia buraco quente na Barraca da Angela e Mexidão no Consulado ao entardecer desfile de bocas ou caras, a menina Mania nua tesuda on the road o passeio na praça o passeio na praia a mulher de pintura esquisita num chat maluco: ‘que nick maluco modernista modernoso Tarsila do Amaral tc de calcinha ou sem calcinha?’do banquete imaginário blow job PAUbrasil, te quiero, agora eu não tenho mais dezessete anos e já posso mostrar meu peito, minha bunda – ela me diz sorrindo – e ouvimos som de cítaras, incensos, enquanto mendigos fake, public relations classe mídia berrando em celulares as palavras de ordem tipo estou no circuiiiito, marketing em conexões estapafúrdias, todo mundo falando besteira, implorando ’quer tc ou naum?’ minha Babilonia de cada dia predileta cervejas em lata, poesia correndo solta, leio, releio e celebro Rebecca Lilian Eliane Camaleoa Camila Marise Alba Delia Alberoni Jader Rodolfo etc. nos e-mails deste international journal traduzindo bagunças metafísicas em palavras meias e meigas, olhos semi-cerrados, passos tantalizantes nas viagens de carona nos sixties no coração do Brasil - onde tudo começou pra mim - vinho tinto, as músicas do Joel sobre as poesias das meninas depois jazz on the rocks I don’t want no one but you e depois a seqüência de filme em que Mania dança nua em cima da mesa como puta de bordel de filme americano classe B e depois ainda finos biscoitos modernistas refinadas palavras sutis pinceladas pós-contemporâneas discursos traços leves de graffitte já no hay pecado mi amor terno tempo eterno salada de frutas pimenta & lábios carnudos fotografias tesudas et plus outras finas iguarias by BeatnikBluesCafe nas tardes mornas da desvairada paulicéia, porém nunca mornas entre as tais quatro paredes with pinga da boa poesiaaaa vinho tinto with ponderações acerca de impermanências e tropical Cultura Tupiniquim a cidade que os poeta me ensinam ou essas minhas manias malucas de fazer jornais ou falando alto no centro velho quando é de madrugada e a vida é bela y chega a manhã a noite en la calle y en las ramblas et tropeçando nos copos & e ainda tem muito mais pra acontecer e parecer ou como sempre me lembro de repetir que disse a poeta Rebecca Navarro Frassetto porque todo ser chamado de Humano é Artista e não o contrário ou como também escreveu o cavalheiro Oswald no pão de açúcar de cada dia daí-nos senhor a poesia de cada dia. e de novo cai a noite na américa do cio.

Eduardo Barrox (sobre Texto de Rebecca, Lílian, Mariana & eu mesmo)

texto originalmente publicado em edições anteriores do Jornal da Praça, escrito também originalmente e de forma muito original por Lilian, Rebecca, y eu depois mexido por Mariana, publicado novamente, agora reescrito porque a celebração é atemporal e sempre é somada em jazz, que se faz com estes improvisos sobre notas musicais e temas sob impacto das poesias diariamente lidas e devoradas nestes tantos e ainda poucos anos en las ramblas et tropeçando nos copos.... . E la nave va...

venerdì, ottobre 26, 2007

capa: poeta Débora Aligieri por Eduardo Barrox, produção Camaleoa
CORRUPÇÃO V
por Rebecca Navarro Frassetto

No Brasil, em moda no mundo todo (embora disso só tirarem proveito alguns estilistas, poucos músicos e o Carlinhos Brown) está na moda muita coisa que no final a gente nem sabe do quê chamar.
Mulher beijar mulher na boca fingindo que é lésbica pra atrair os homens, tá na moda. Não falar nem escrever mais em gerúndio, além de estar na moda já é quase perigoso. Mudar de partido é coisa que está na moda há muito tempo mas periga ficar démodé. Aí, quero ver o deputado fashion, Clodovil Hernandes, reclamar da falta de afagos de seus pares. Aliás, falar "pares" está na moda também depois que o senador Renan Calheiros traiu os seus. Renan então, está muito na moda. Não sai da cadeira do senado nem das capas de revista (e mesmo que saia vai continuar na moda, como não?). Por isso acho desnecessário falar dele, aqui, novamente. Agora vou falar de outros assuntos da moda. A Polícia Federal, trabalhar duro e ver investigações (que agora se limitam aos pobres mortais) irem por água abaixo. O filme (pirata) de tropa de elite. A censura. Adesivos com a frase "tem que ter catiguria". O presidente da república com a máxima "nunca antes na história deste país". Os corriqueiros " eu não sabia de nada" que abraçam a nação. Cunhar pessoas com opiniões coerentes de "elite golpista". Senadores acuados com medo de terem algo exposto no ventilador. Os gastos (ainda) exagerados com propagandas que, segundo me explicou o prefeito da capital paulista, são obrigatórias. A playboy de outubro.
E na tendência da patifaria republicana, 15 anos se passaram desde que arrancamos o Fernando Collor da presidência pra presenteá-lo com o cargo de senador da república, que como se vê e se sabe, não dá taaanto trabalho, mas status, muita grana (de quem mesmo?) e aquela borrachada geral na história. Ai se a moda pega...


TRÊS POETAS

Silvia Vasconcellos
Desejos arranham minha anca
Meus lábios rosé
Salivam visco brando branco
Ossos e músculos ronronam em ressonância
Minhas garras se abrem
E fisgam minha presa fresca
Pulso seu sangue
Tinto distinto
Depilo minha razão
Visto seus pêlos
Chupo como saca-rolhas
Lambendo gotas de cheiro
Imundo meu cálice
Embriago meu grelho
Cedo meu ventre
Troco minhas agulhas
Repletas de veias
Espalho o suco sugo ofegante
Sugando espasmos de medo
Brinco com o dedo
Fazendo vibrar o êxtase
Brindo em transe
Mordo os beiços
E saúdo
Embrulhada para viagem


Célia Ladeira

Vestida de poesia
me desnudo
e inquieto fica o sexo da minha inspiração.
Latejando
dentro do mais profundo eu
vibra na dança do verbo enlouquecer.
Despida de sentimentos
que transbordam,
me entrego aos versos
e eles brincam de acariciar mamilos
inspirados pelo cheiro úmido
que vem das pernas semi abertas
para o olhar do mundo.
Impregnada do gozo
de poetas sonhadores
declamo palavras escritas no seu corpo
sem pontos ou vírgulas sem decência.
Desencanto o amor,
enalteço a dor vadia que consome
a palavra não dita
o gesto a reticência...


Michelle M.

A. Ginsberg
Não pense ser o único
Na plástica moldada
-ADIANTE-
Espera encostado em;
Um poste cintilante
Facilmente Neurótico
Indeciso Catatônico
-AZUL-

Acima, abre-se sobres as!
nossas cabeças a terra
Abaixo pés plantados.

Costuro um lençol de reves
Suor Volúpia Gozo Torpor

A moral declarou que
A arte está em flagelos
-ENTÃO-

Pego uma idéia no ar e
Escorro a tinta capitalista
Mais atraente ao leitor
A.Ginsberg
Não pense ser o único
Esta intuição fantasma
Em minhas células-prontas.

Estou a margem tal rude
Como o balanço do ônibus

Na estrada esburacada
E me engano, vejo minha
Lágrima escorrer nos

Rostos das viúvas de guerra
Só farei a última ex
-EXPERIMENTAÇÃO-
Neste corpo/espírito
Despeço-me deste corpo
Deste espírito
-ASPIRINA-

mercoledì, ottobre 03, 2007

Jack Kerouac
Cronologia Beat


por Camaleoa (colaborou Eduardo Barrox)

1936. Jorge Amado é preso pela primeira vez por motivos políticos. No ano seguinte, fugindo da ditadura, é preso novamente em Manaus e queimam, em plena Salvador, 1.694 exemplares de O país do carnaval, Cacau, Suor, Jubiabá, Mar morto e Capitães da areia segundo as atas militares a mando da Sexta Região Militar.

1939. dia 1º de setembro, inicia-se a Segunda Guerra Mundial que terminará em 2 de setembro de 1945.

Final da década de 40 e começo de 50. James Broughton faz o primeiro filme "underground" da América, The Potted Psalm... Outros cineastas, como Harry Smith, Kenneth Anger e Jordan Belsen, são influenciados pela mostra de filmes independentes organizada por Frank Stauffacher no San Francisco Museum of Art. A mostra consagra diretores e fotógrafos como Man Ray e Hans Richter; (How Beat Happened – Ezone.org)

Por volta de 1950 surge, na West Coast, o cool jazz. Seu maior representante é Charlie Parker, o grande saxofonista que introduz técnicas extraordinariamente avançadas, exigindo muitas vezes uma incrível habilidade instrumental e um profundo conhecimento musical. O estilo cool é muito apreciado por suas harmonias íntimas e complexas, suas improvisações e fraseados. A palavra cool passa a significar tudo que agrada ou dá prazer, fora muitos outros sentidos difundidos pelos jovens beat; (The Poets, Geração Beat – Antologia)

Na década de 50, o músico e compositor Harry Partch, que constrói seus próprios instrumentos e batiza, por exemplo, de "Cloud Chamber Bowls" e "Surrogate Kithara", mantém em sua casa-navio, em Sausalito, um ponto de encontro de jovens músicos compositores. Há uma série de concertos chamados de Vortex no Planetarium.

Um grupo de escritores se reúne, todas as noites de sexta, no apartamento de Kenneth Rexroth que aprecia muito e conhece todos os músicos de jazz e traduz poemas em várias línguas (inclusive para o grego, o francês provençal e japonês); (How Beat Happened – Ezone.org)

O Californian School of Fine Arts tem um novo diretor, Douglas MacAgy que apresenta pintores abstratos e expressionistas como Clyfford Still que, através de suas exposições, gera numa explosão de novas formas; (How Beat Happened – Ezone.org)

Michael McClure se muda pra São Francisco para pintar e discute William Blake com Allen Ginsberg na noite de abertura do Poetry Center. Os dois ficam amigos; (How Beat Happened – Ezone.org)

Em 1952 o ambiente literário em São Francisco já é bem efervescente. Dylan Thomas chega de uma viagem em que conheceu Henry Miller e faz uma leitura na rádio KPFA, de Berkeley, Califórnia, EUA; (How Beat Happened – Ezone.org)

Em junho de 1953, Lawrence Ferlinghetti e Peter Martin abrem o City Lights Bookstore. Uma maneira de financiar a revista City Lights, de Martin, assim como o primeiro filme crítico de Pauline Kael. Ao lado fica (e ainda existe) o Vesuvio, na época sob o comando de Henri Lenoir, ponto de encontro de músicos, pintores e poetas; (How Beat Happened – Ezone.org)

Em 1954, Ruth Witt-Diamant funda o San Francisco State College Poetry Center, um lugar onde diferentes subculturas poéticas são expostas e servem de referência para outros artistas (e que permanece até hoje); (How Beat Happened – Ezone.org)

Ainda em 1954, em agosto, o ex-ditador e presidente brasileiro Getúlio Vargas, se suicida com um tiro na cabeça.

E em dezembro, Allen Ginsberg, através de Robert LaViene, conhece Peter Orlovsky com quem, depois de algumas semanas, se casa às 3 da madrugada no Foster’s Cafeteria e eles juram "that neither of us would go into heaven unless we could get the other one in,"; (How Beat Happened – Ezone.org)

13 de outubro de 1955, na Six Gallery, Allen Ginsberg faz a primeira leitura pública do poema Howl (escrito em homenagem a Carl Solomon, por ter sobrevido a um tratamento de choque a base de insulina no New York Psychiatric Institute; (How Beat Happened – Ezone.org)

Em outubro, também na Six Gallery, acontece uma leitura de poemas a pedido do pintor Wally Hedrick. Rexroth ficou encarregado de organizar o evento e convidou Michael McClure e Ginsberg para lerem. Gary Snyder, um jovem poeta que traduziu poemas de Han Shan ou "Cold Mountain," um poeta zen da T’ang-era China. Snyder fala sobre Whalen a Ginsberg e esse fala a Snyder sobre Kerouac. O projeto está fechado: Ginsberg, Snyder, McClure, Whalen, e Philip Lamantia com Rexroth como M.C. Kerouac rejeita o convite de leitura, mas participa do evento. Ginsberg escreve o convite: 6 poets at 6 Gallery. Philip Lamantia reading mss. of late John Hoffman — Mike McClure, Allen Ginsberg, Gary Snyder & Phil Whalen — all sharp new straightforward writing — remarkable collection of angels on one stage reading their poetry. No charge, small collection for wine and postcards. Charming event. Kenneth Rexroth, M.C. (How Beat Happened – Ezone.org)

1956. É o fim da era imperial e início da dominação do mundo pelos Estados Unidos e pela União Soviética.

No mesmo ano, Richard Hamilton faz a colagem O Que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Atraentes?, que passaria a ser identificada como uma das primeiras manifestações da Arte Pop e transformou em celebridades o próprio Hamilton, além de Andy Warhol, Lichtenstein e Peter Blake, entre outros

Em maio, Guimarães Rosa lança seu terceiro livro, Grande Sertão: Veredas.

Em setembro de 1957, Jack Kerouac lança On the road escrito num rolo de fax durante três semanas sobre uma viagem que durou sete anos.

O New York Times saúda o romance On the road, de Jack Kerouac como "a mais bela criação, a mais límpida e importante revelação"; (The Poets, Geração Beat – Antologia)

A Inglaterra rejeita a oferta de constituir-se membro da Comunidade Econômica Européia. Seis semanas mais tarde, a França, a Alemanha, a Itália, a Holanda, a Bélgica e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma, que fará surgir o Mercado Comum Europeu.

Três anos depois da Suprema Corte ter decretado ilegal a segregação racial nas escolas, o presidente norte-americano Eisenhower assina a Lei dos Direitos Civis e nove estudantes negros são admitidos à Central High School, em um dos focos mais inflamados de discriminação racial, Little Rock, Arkansas.

A União Soviética lança o Sputnik I, um satélite não tripulado em órbita em torno da Terra.

Final de 1957, John Clellon Holmes escreve um artigo no qual cita algumas palavras de Kerouac sobre o movimento beat. "‘A geração beat’, diz ele, ‘é basicamente uma geração religiosa.’.. Em uma outra entrevista, Kerouac amplia ainda mais sua declaração: ‘Ela inclui qualquer pessoa de quinze a cinqüenta e cinco anos que se interessa por tudo. É bom lembrar que não somos boêmios. Beat significa beatitude e não um sentimento de fracasso. A gente sente isso. Sente-se isso no ritmo de uma batucada, no jazz – no genuíno cool jazz ou numa animada seção de rock no meio da rua.’" (The Poets, Geração Beat – Antologia)

Em 1958, Jack Kerouac fala para Esquire Magazine. "A possibilidade de uma existência real da Geração Beat não passava de uma idéia em nossas cabeças. Nós ficamos acordamos 24 horas bebendo um copo de café preto atrás de outro, tocando um disco atrás de outro de caras como Wardell Gray, Lester Young, Dexter Gordon, Willie Jackson, Lennie Tristano e todo o pessoal, falando loucamente sobre todo aquele novo sentimento que pairava nas ruas." (Beatitude – Resources for a New Beat Generation – Gethep)

4 de outubro de 1959. Karl Shapiro escreve no New York Times sobre a decadência da era da poesia acadêmica. "É com razão que a moderna poesia norte-americana é considerada acadêmica; é poesia de antologia escolar, boa para as aulas de inglês... Ninguém a lê a não ser nas épocas de exame... A era da poesia acadêmica, dos intelectuais de domingo da Nova Crítica parece ter chegado ao fim. Pelo menos, são os votos que fazemos. Se assim for, se não estamos presenciando um falso despertar na recente poesia da revolta, assistimos sem dúvida alguma aos últimos instantes de uma literatura que durante tantos anos orgulhou-se de ser a poesia oficial do século vinte." (The Poets, Geração Beat – Antologia)

Em 1959, Jack Kerouac é entrevistado no The Steve Allen Show (http://www.youtube.com/)

1960. A Alemanha Oriental dá início ao bloqueio parcial de Berlim.
Em novembro John F. Kennedy é eleito presidente dos Estados Unidos. Janio Quadros se elege presidente do Brasil.


1961. Após governar por sete meses, Janio renuncia ao mandato de presidente brasileiro. O vice João Goulart toma posse e meio à uma intensa crise político-militar.

1962. Poetas paulistanos praticam ações de rua como a Catequese Poética ou o Sermão do Viaduto, no Viaduto do Chá.

O editor Massao Ono publica livros de poetas jovens, como Claudio Willer e Roberto Piva.

1963. No Vietnã, um monge budista comete suicídio em público ateando fogo às próprias roupas.
Em 22 de novembro John Kennedy é assassinado em Dallas.
Dia 1º de abril de 1964, Brasil. Um golpe militar depõe João Goulart e dá início à uma ditadura sangrenta.


1967. Estréia no Brasil o filme Blow-Up, do diretor italiano Michelangelo Antonioni. O filme tem roteiro baseado na novela Las Babas del Diablo, de Julio Cortázar. Nos Estados Unidos é lançada a revista Zap Comics.

Em 1968, bêbado e visivelmente irritado com as perguntas sobre hipsters e o significado da palavra beat, Kerouac é entrevistado no Firing Line – The Buckley Show.

No mesmo ano morre assassinado o líder negro Martin Luther King.

No Brasil, o Ato Institucional nº 5 sela em definitivo a violência da ditadura. Professores, estudantes, artistas, intelectuais e políticos são presos, torturados e mortos. A Censura às obras de arte e às idéias é radical e violenta. Muitos brasileiros partem para o exílio.

O líder guerrilheiro Che Guevara é morto na Bolívia.

1969. Após alguns meses na prisão, em São Paulo e Rio de Janeiro, o compositor Caetano Veloso passa curta temporada em Salvador e depois parte para o exílio em Londres.

Nos Estados Unidos morre Jack Kerouac.

1970. O ex-Beatle John Lennon anuncia que ‘o sonho acabou’.

venerdì, settembre 21, 2007

capa da edição # 55,
Camaleoa, escritora & jornalista;
Beatriz Fusko, atriz & poeta
ph Barrox
Jornal do Apocalipse
por Débora Aligieri
Começa o fim do mundo hoje, daqui a 50 metros, daqui a 50 diretores da ANAC que pedem demissão para não serem responsabilizados por essa ANARQUIA no tráfego aéreo brasileiro, mas só depois de beneficiar um amigo num negócio milionário aeroportuário. O único que continua firme e forte em seu posto é o deputado Paulo Maluf, que parece não sucumbir nunca, é o matusalém brasileiro. Mas isso porque ele faz, todos sabem, e faz muito bem porque nunca foi pego. A investigação de irregularidades no pagamento de um serviço adicional no complexo Ayrton Senna, na administração Maluf, sucumbiu à prescrição, mas ele permanece elegendo-se, firme e forte, tanto quanto o presidente em Helsinque afirma a solidez econômica do Brasil. Certo. E o drácula aparece quando neste baile de fantasias, porque Brasil não é Finlândia. Eu nunca trabalhei com carteira assinada, nunca tirei férias, praticamente não existo para a Previdência Social (mas minha dívida no banco existe cada vez mais), não tenho plano de saúde privado, porque saúde pública nenhum brasileiro tem. Aliás, meu marido e a maioria dos meus amigos estão nessa situação, e começo a pensar numa viagem a Helsinque para enxergar (de lá) o Brasil que só o Presidente vê. Porque ver não é o forte aqui, já que furtaram o Museu do Ipiranga (nossa história) e ninguém viu quem foi, quase 12 mil focos de incêndio no país em agosto (dados do IBGE) e ninguém viu quem foi. Enquanto na Grécia o governo oferece recompensa a quem denunciar os incendiários, aqui eles pensam em encomendar uma dança da chuva aos índios. Temos muitos cavalos de Tróia sem nenhuma Helena, aliás Helena aqui só em novela barata e com muito medo, ou muito cansada. Mas mulheres de Atenas somos muitas porque o rendimento das famílias lideradas pelo sexo masculino, orgulho e raça do Brasil, é 21% maior do que o das chefiadas por mulheres (dados do IBGE). Aliás o Presidente vai levar a sede do IBGE para Helsinque para melhorar os dados dessas pesquisas. E o governador Serra vai mandar a linha amarela do metrô e todos os buracos que apareceram e que aparecerão (e muitos ainda aparecerão) para Pindamonhangaba, para ver se os buracos desaparecem no Vale do Paraíba junto com seu coleguinha de partido ex-governador Alckmin. Quem sabe se o projeto que tramita na Câmara dos Deputados para diminuir os gastos com as Câmaras Municipais resolva, já que eleva em 8.068 o número de vereadores que o País terá em 2008. Hã? Como assim? Mais é menos? Que matemática oportunista é essa que não aprendemos nas escolas brasileiras (nem em lugar nenhum)? Neste espelho de Alice que se tornou o Brasil, um projeto de lei apresentado na Assembléia Legislativa de São Paulo prevê indenização para policiais militares que atuaram no período da ditadura militar. Agora, só falta condecoração aos envolvidos no massacre do Carandiru, pena que o Coronel Ubiratan tenha sido falecido (silenciado). Neste país às avessas, a praça pública, que era do povo como o céu era do condor, não podemos ver mais nada, porque a votação de assuntos importantes é secreta, e o único Senador sério é ridicularizado pela nação, que ri de si mesma, e vota rindo nas eleições, para depois chorar o prejuízo (quando vê), ou a falta de saúde, que não veio com CPMF, e que não virá com sua prorrogação para 2011. Porque as notícias são forjadas assim como a extradição de atletas cubanos foi forjada em livre arbítrio. Porque quem recebe indenização de 100 salários mínimos é Paulo Maluf, e não aqueles a quem ele iludiu na campanha eleitoral. Porque só agora o governo brasileiro reconheceu que tivemos tortura no Brasil, embora não reconheça que ainda temos em muitas delegacias, porque o fim do mundo é hoje, daqui a 50 metros, daqui a 50 conchavos (troca de benefícios) políticos para absolver senadores improbos...

leia mais em http://jornalapocalipse.blogspot.com

venerdì, agosto 17, 2007

capa: fotografia e projeto gráfico Eduardo Barrox
A Benedito Calixto e Eu

por Mouzar Benedito


Bares, feira de artes e antigüidades, chorinho, muita gente paquerando e namorando... Cada sábado que vou à praça Benedito Calixto, eu me sinto em casa, ou melhor, na "minha" praça. Tenho muitas ligações com ela.
Meu primeiro contato com a Benedito Calixto foi quando eu tinha 16 anos. Cheguei de Minas em fevereiro de 1963 (há mais de quatro décadas!!!) e fui morar numa pensão da rua Lisboa, pertinho da praça, meu ponto de passagem obrigatório nas manhãs de domingo, quando ia à missa das 9h na igreja do Calvário. Não ia por religiosidade, mas porque – especialmente na missa das 9 – a igreja era palco de um verdadeiro desfile de mocinhas bonitinhas, que não paravam nos seus lugares, iam lá, me parecia, especialmente pra paquerar. E eu também.
Mas que os religiosos não se indignem comigo. Havia quem paquerasse em lugar menos apropriado. Um colega catarinense também atravessava a praça todos os domingos pra paquerar... no cemitério São Paulo, do outro lado da rua. Ele ficava perto do portão vendo a entrada de visitas e, quando entrava alguma mocinha bonita vestida de preto partia para a abordagem, imaginando que seria uma viúva nova, saudosa de carinhos.
Na época, todo o trânsito de Pinheiros se concentrava na rua Teodoro Sampaio, que tinha mão dupla, ônibus e bonde nos dois sentidos. A Cardeal Arcoverde era vazia. Então, a parte "de cima" da praça, perto da igreja, era um sossego, sem barulho, lugar gostoso pra ficar à toa.
Depois de uns seis meses de pensão, saí com uma turma de conterrâneos que também moravam lá para formar uma república chamada Consulado Mineiro, na rua Joaquim Antunes. Mas minhas paqueras na missa e na saída da igreja continuaram todos os domingos.
Em dezembro de 1968, um ato da ditadura me trouxe de novo à praça. Depois do Ato Institucional número 5, a polícia e o exército fecharam o Crusp (Conjunto Residencial da USP), onde eu morava, prenderam todos os moradores e, quando a gente saiu da cadeia não tinha onde morar. Por coincidência, um prédio de apartamentos havia acabado de ser construído, na esquina da Cardeal Arcoverde com a Benedito Calixto, e as moradias não estavam sendo postas à venda, mas à locação. Quase todos os apartamentos viraram repúblicas de ex-moradores do Crusp. Tanto que o prédio passou a ser chamado de "Cruspinho". Muitos hábitos do próprio Crusp foram mantidos nele, como o de se colocar panfletos embaixo da porta. Todos os dias apareciam panfletos contra a ditadura, a favor de uma determinada tendência política etc.
Eu não fui morar no Cruspinho, mas muitas amigas foram e eu as freqüentava, de vez em quando ficava com uma. Mas tinha um problema: moravam várias moças em cada quarto, não dava pra namorar lá dentro. E muitas madrugadas desci com uma moradora para namorar no meio da vegetação da praça. Uma vez fomos flagrados pela polícia, que abriu a porta do camburão e mandou a gente entrar. Além de "atentado ao pudor", um policial dizia que era perigoso o que fazíamos, podíamos ser assaltados. Acabou deixando a gente voltar pro prédio, e tenho que confessar uma coisa a favor da polícia: ela não nos achacou, não pediu dinheiro.
Já por volta de 1979 ou 80, o Teatro Lira Paulistana, na Teodoro Sampaio, bem em frente à praça, foi o motivo para minha volta ao velho "lar". No Lira, vibrávamos com Tetê Espíndola, Itamar Assunção, Premê, Língua de Trapo, Paranga e muitos outros. Mas o Lira não durou muito.
Depois disso, eu passava pela praça de vez em quando e a considerava desperdiçada, um espaço gostoso e bem localizado, mas quase abandonado. Em 1987, quando ia lançar meu primeiro livro, Santa Rita Velha Safada, cheguei a propor à editora que fizéssemos o lançamento na Benedito Calixto, num sábado à tarde. Levaríamos para lá uma mesa, algumas cadeiras e dois garrafões de cachaça, e só. Mas ela não topou.
Aí veio o governo Erundina, e conversei com vários petistas levantando a possibilidade de criar espaços culturais e etílicos em cada bairro, e o primeiro deles, que eu gostaria de participar da criação, seria a praça Benedito Calixto. Minha idéia era fechar um dos lados da praça, transformando-o em calçadão com bares, restaurantes e livrarias. Num terreno na época desocupado, a prefeitura poderia construir um grande centro cultural, com teatro (não só a sala de espetáculos, mas vários espaços para ensaios, reuniões de grupos), biblioteca e cinema. Não colou.
Enfim veio o restaurante Consulado Mineiro, com o nome que evocava minha velha república de estudantes. Depois, a feira de artes e artesanato, trazendo uma função lúdica e cultural para a praça, mas eu sentia falta de algo: livros. Tinha muita coisa legal mas faltava uma barraca de livros, até que em 1999 – tive um pouco de "culpa" nisso, fiquei propondo que se fizesse isso – o Edson criou o projeto O Autor na Praça. Pronto. Com mais bares, uma livraria e ali pertinho uma biblioteca, e até uma sociedade de amigos dela, a praça e sua feira são hoje uma referência em São Paulo, um grande atrativo para paulistanos e também gente que vem de fora. Como muitos outros, eu me sinto meio dono dela, o que tem lógica, pois, como dizia Castro Alves, a praça é do povo como o céu é do condor. Os condores não existem mais por aqui e muitas praças paulistanas já não são do povo, estão cercadas, gradeadas, inacessíveis. Que não seja o caso da Benedito Calixto. Nós que ainda acreditamos na poesia queremos que cada vez mais a praça seja do povo, como o céu deve ser dos passarinhos todos, não só do condor. Um mundo sem gaiolas para as aves nem para nós!


Mouzar Benedito é escritor, autor dos livros Santa Rita Velha Safada (causos), Pobres, Porém Perversos (romance), Pequena Enciclopédia Sanitária (humor), Pequeno Dicionário Analfabético de Abobrinhas (humor), Memória Vagabunda (causos e frases), Este livro é uma piada (humor), Dívida Externa - eles gastam, nós pagamos ("paradidático", com Maringoni), Serra, Mar e Bar (causos, parceira com 4 escritores), Ousar Lutar - memórias da guerrilha que vivi (com José Roberto Rezende), Ferrer, Bill Ferrer - detetive heterodoxo (policial - com Saphira Mind) + dois volumes da mesma série policial - são 3 volumes, Luiz Gama, o libertador de escravos, e sua mãe libertária, Luíza Mahin (biografia), Barão de Itararé - herói de três séculos (biografia), Anuário do Saci (agenda/mitologia/história do Brasil), com Ohi;
além de participar de várias coletâneas.