mercoledì, febbraio 27, 2008


mercoledì, gennaio 30, 2008

paulicéiadesvairadaséculoXXI
acorda entre sonoridades desconexas e abre os braços pro Sol, se jogue sobre os telhados ou perca-se nos labirintos sem fim. Deixa entrar a luz, entre relâmpagos e líquidos, os sons da cidade, as sombras da madrugada. Percorro seu corpo de cabelos desalinhados e pele cheirosa, quando sinto as intensidades dos pecados e dos perdões. Mergulhamos de cabeça nas paixões. Na grande cidade, de calçadas irregulares e asfalto quente, estranho é o sujeito que buzina desvairadamente em cada esquina e não a puta que sorri. Ou a garota gótica que fixa seu olhar entre piercings, metal-rock, sempre em noite de Lua. The Girl in the Other Room como canta Diana Krall, Luzes, tintas e poesias acompanhando jazz; não há razões nem des-razões, nem cores definidas. Em cada quarteirão, assim como o céu brilha diferente a cada manhã, não sou eu nem sou você. A manhã nublada nos ensina a ouvir a música e sentir o incenso. Abra os olhos pra saudar a Lua e abrace bem aos quartos crescentes, dissonâncias entre sons de Miles Davis misturados ao andar rápido de quem vai nem sabe onde. John Cage, pinturas de Frank Stella, colagens rasbiscadas, o som do rádio & fusion nas telas quase brancas que significam os meus próprios ritos de renascimento, de corpo e espírito. Faz calor sobre a cidade, mas seu corpo nu sentindo a brisa me alimenta de paixões enquanto me abraça e quando faz amor; também tem o vento e depois a fruta, o vinho tinto, boca molhada e os suores. Sou você em cada dia, o abraço da tarde morna, o cheiro da flor; talvez em nenhum lugar seja assim e será sempre quando nossos olhares sempre se cruzarem mais uma vez.
lunedì, gennaio 21, 2008
TUDO BEM (NO ANO QUE VEM)A revista, cuja edição original francesa comemorou sessenta anos no fim de 2007 e já foi considerada uma espécie de bíblia da feminilidade (sic) consegue ser mais desinteressante do que a edição de dezembro da revista brasileira Brasileiros. Entre outras matérias estranhas que afirmam que o Brasil tá funcionando direitinho, eles publicam uma entrevista com o presidente brasileiro Lula, na qual ele também diz que as coisas vão muito bem, donde se depreende que vivemos numa espécie de paraíso tropical ou coisa assim. Na chamada de capa já se anuncia que o sr. presidente tá de bem com a vida. Há outras matérias de igual otimismo em relação a este nosso sofrido torrão. Não é bem ser contra as boas notícias, mas gastar papel pra matérias (sic) assim é um exagero, considerando a realidade em geral sobre violência, habitação, cidadania, chuvas de verão, monocultura agrária e saúde - por exemplo - observando que antigas doenças e febres acabam de ser tristemente resgatadas; ou minha própria observação em andanças aqui e ali de que o buraco talvez seja mais embaixo. Acho que, tanto a revista quanto o presidente, omitem a informação de que progresso social não se dá através da simples oferta de créditos ao consumidor cobrados com juros extorsivos, algo maquiavélicos e selvagens. Com isso, a revista que tinha uma certa intenção de repetir os gloriosos feitos da revista Realidade dos anos sessenta, perde credibilidade. O que não precisamos neste momento histórico é de material promocional deste nível. Seja como for, o chato dessas publicações é que o jornaleiro não devolve a grana e o garrafeiro diz que tão pagando pouco pelo quilo de papel velho. Depois, conversando com uma amiga, ela me alertou para a possibilidade de não vivermos no mesmo país. Não! não eu e a Victoria; nós (você, eu, o povo) e o Lula.
Por coincidência mera (ops), no mesmo espaço de tempo a boa revista Piauí também traz matéria com o José Dirceu, o ex-homem forte do governo Lula. Ainda não entendo porque se dá tanta mídia pra essas personagens, mas pelo menos a matéria não é tão ruim quanto a da revista (Brasileiros) que entrevistou o Mr. Presidente. Na verdade a matéria até é boa, irônica na medida, com uma boa fotografia em preto & branco do Duran ilustrando, etc.. Mostra bem o personagem Zé Dirceu, consultor internacional e possível candidato à presidência da República quando todo mundo esquecer (aqui no Brasil demora um tempinho pro povo esquecer...mas esquece). Depois de ler a matéria fiquei pensando no livro do Zuenir Ventura sobre 1968 e em coisas como, será que o Zé já era assim e ninguém tinha percebido ou ele disfarçou até conseguir chegar onde chegou?
E outra revista desta semana - a semanal Isto É - traz matéria de capa dando conta de que a morte do presidente João Goulart no exílio não teria sido de morte morrida e sim morte matada. Foi mesmo! todo mundo sabe faz um tempão. Mas agora a informação - mesmo com algumas décadas de atraso - vem pela boca de uma pessoa que testemunhou o fato e assegura que Jango foi envenenado. A família do ex-presidente, que também parecia não saber disso, pede nova investigação. Quantas décadas ainda vão demorar pra que a verdadeira História da assassina ditadura militar brasileira seja contada?
Seja como for, e pelo andar da carruagem, espere pelas próximas edições das revistas brasileiras. Ainda vamos ler entrevistas provando a existência de Papai Noel (e confirmação de sua nacionalidade brasileira), entrevistas com o Coelhinho da Páscoa, alguma coisa em torno do sexo dos anjos, bem como a vida sexual da Branca de Neve e os Sete...
giovedì, dicembre 20, 2007

eU tEnHo UM SonHo de simplicidade como o de Hemingway com seu velho e o mar e toda aquela coisa de dignidade que já não existe mais com o suor do rosto, com a palavra de um Homem e a esperança no próprio trabalho e a fé nos deuses não mais usada como desculpa ou subterfúgio para novas/velhas explorações para construções suntuosas de PODER velado sob o medo a insegurança a ignorância do pobre que sobe e desce a avenida e acredita em diploma, MBA(argh!), na força de um partido no homem presidente eleito do povo e para
O Povo sacrificado e desonrado num cerceamento de opiniões e cálculos e estatísticas comprobatórias de extorsões. Coisas que - no sonho - fariam com que ele fosse julgado num tribunal de sonhadores por traição ao sonho – sem nenhuma ou qualquer manipulação de SONHOS que façam parecer vãos os preconizados por martinlutherking ou jesus ou buda ou francelmoduarte ou luizfláviocappio ou aquela senhora que anda horas num ônibus cheio pra ter direito ao trabalho mínimo e um um prato vazio.
A banda passa todo dia e a propaganda pretende enganar com soluções em rótulos para nossas (in)felicidades – bandanas de idiotas da modernidade em consumos profanos de (des)necessidades em transformando objetos em sonho e griffes em bens de consumo e tantas outras bugigangas importadas para somente parecer gente, sem saber que não é bem assim. Ou o lugar onde a fruta esteja ao alcance das mãos - madura e suculenta - sem ter de pagar dólares e sangues por isso, nem de outros índios ou crianças ou velhinhos. Para que enfim o fundo do quintal do nosso país seja Cocanha e não depósito dos nauseantes lixos culturais e industriais sabe-se lá vindos de onde. Um lugar onde seja possível brincar com o lúdico do que somos e a fantasia que criamos de nós mesmos em prosa poética ou pinceladas abstratas sobre o que um dia fomos ou podemos ser.
lunedì, dicembre 17, 2007
O último evento de 2007 no projeto O Autor na Praça recebeu a atriz, diretora de cinema e teatro Helena Ignez em tarde de autógrafos do livro Rogério Sganzerla – Encontros e lançamento em DVD do filme O Bandido da Luz Vermelha. Trata-se de uma versão restaurada com mais de uma hora de extras. No mesmo dia, o Espaço Cultural Alberico Rodrigues exibiu pela primeira vez em São Paulo o documentário Brasil filmado por Sganzerla, em 1981, na comemoração do cinqüentenário do cantor e compositor João Gilberto. A fita foi rodada durante a gravação do disco Brasil, que também teve participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethania.
Transgressivo desde seu primeiro filme, O Bandido da Luz Vermelha, Sganzerla recriou um pouco da linguagem cinematográfica trazendo para a tela um certo contraponto ao que algunsd críticos chamaram de pedantismo do Cinema Novo. Obviamente sofreu perseguições da ditadura militar, que não suportava nenhuma forma de inteligência.
Considerada a obra-prima de Sganzerla, esta versão restaurada de O Bandido da Luz Vermelha (1968), chega às prateleiras das locadoras. Trata-se de um dos maiores filmes do cinema brasileiro. Em edição especial o DVD tem mais de uma hora de extras, incluindo curtas-metragens do diretor, trailer e depoimentos. Baseado em caso real, o filme conta a história de Jorge, um assaltante de casas de luxo em São Paulo. As manchetes policias da década de 60 não falavam de outra coisa e seu apelido - e modo de agir - foi copiado do então célebre Caryl Chessman, condenado à cadeira elétrica nos Estados Unidos por crimes que negou até o último instante. A versão tupiniquim, protagonizada pelo bandido Acácio (o Jorge do filme) desconcertava a polícia da então provinciana São Paulo pelo seu comportamento incomum. Além de usar uma lanterna vermelha - a exemplo de seu inspirador norte-americano - ele estuprava as vítimas, ficava conversando com elas e fazia fugas ousadas para depois gastar o dinheiro roubado de maneira extravagante. No filme o mundo do personagem é povoado de tipos como o detetive Cabeção, a prostituta Janete Jane e o político corrupto J. B. Silva.
Neste caso, parte da realidade acabou superando a ficção. Preso e condenado a 30 anos, o bandido real - o brasileiro - acabou sendo assassinado meses depois de ter saído do manicômio em que cumpriu pena.
Manteve-se a obra de arte com sua linguagem visual revolucionária. O Bandido da Luz Vermelha é visto por críticos e cinéfilos como uma espécie de ponto de transição entre a estética do Cinema Novo e a ruptura do Cinema Marginal. Nunca mais se fez cinema assim no Brasil. Filmado em preto e branco, é um daqueles que todo cineasta, desses despejados pelas escolas de cinema do país, deveriam ter na estante e assistir de quando em quando. Certamente aprenderiam muito. (EB)
mercoledì, dicembre 12, 2007
capa do tablóide Café Literário,realizada pela
poeta Rebecca Navarro Frassetto,
que também assina o projeto gráfico
Relatório Anual dos Direitos Humanos no Brasil 2007
sabato, novembre 24, 2007

sabato, novembre 17, 2007
noite en la calle y en las ramblas et tropeçando nos copos...
Já é tema recorrente, você dirá, porém repetindo os teores da poesia - me diz a menina trocando de camisa sob raios de luz pela janela - em quase nunca ao meio-dia no céu de quase dezembro, ainda sem lenço e sem documento, tipo meio-dia macaco assovia panela no fogo barriga vazia, de quase sempre olhar em direção ao vento e traços inexatos da pintura de ojos azuis e tristes blues e/ou conversas musicais tocando a toda no cd, algo em torno de Miles Davis sincopado em Paris de Norman McLaren e seja o que vier, Luas Imaginárias com Camaleoa acendendo um cigarro e jorrando poemas sensuais sob os (também, depois) fluidos lunares quando foi agosto não tive desgosto, porque de conversas com poeta olhando olhos nos olhos e coisas assim assim. Algo em você me diz fotografias, passos no asfalto percussão&magia latas de tinta-spray-verde-Amarelo, grafittes no muro das tentações rabiscos nos tapumes, cores na televisão, óculos escuros y coros imaginários de índios canibais esperando o navio atracar com as tais trapezistas, virgens, odaliscas, tarólogas que na mesinha do Bar ANTROPOFáGico pedem mais um e dedicam-se a ler as letras nuas de Camille M, por exemplo, e/ou enquanto meninas bonitinhas meio que mostrando a bundinha y generosos decotes passeando entre clics techno macunaímicos mímicos de olhares gentis doces poéticos e/ou pedras em notícias de jornais que dão conta da podridão, a qual ninguém faz nada pra acabar – tipo, eu digo, revoluções de verdade - no piso e colors in black & white que eu mesmo deito em papéis fotográficos, na tela do computador no relógio que não preciso usar, nas folhas brancas transformadas em mensagens apocalíptico-espirituosas da poeta Débora Aligieri, portanto já não precisamos de relógios pra assinalar as abstrações, ou quando de madrugada revendo vídeosdvds enchendo os olhos com Laura Mars & BlowUp, os filmes, choros & pinceladas, caldo de cana, coca-cola com muito gelo, pastel de escarola, y devorações de espeto de frango i malícia buraco quente na Barraca da Angela e Mexidão no Consulado ao entardecer desfile de bocas ou caras, a menina Mania nua tesuda on the road o passeio na praça o passeio na praia a mulher de pintura esquisita num chat maluco: ‘que nick maluco modernista modernoso Tarsila do Amaral tc de calcinha ou sem calcinha?’do banquete imaginário blow job PAUbrasil, te quiero, agora eu não tenho mais dezessete anos e já posso mostrar meu peito, minha bunda – ela me diz sorrindo – e ouvimos som de cítaras, incensos, enquanto mendigos fake, public relations classe mídia berrando em celulares as palavras de ordem tipo estou no circuiiiito, marketing em conexões estapafúrdias, todo mundo falando besteira, implorando ’quer tc ou naum?’ minha Babilonia de cada dia predileta cervejas em lata, poesia correndo solta, leio, releio e celebro Rebecca Lilian Eliane Camaleoa Camila Marise Alba Delia Alberoni Jader Rodolfo etc. nos e-mails deste international journal traduzindo bagunças metafísicas em palavras meias e meigas, olhos semi-cerrados, passos tantalizantes nas viagens de carona nos sixties no coração do Brasil - onde tudo começou pra mim - vinho tinto, as músicas do Joel sobre as poesias das meninas depois jazz on the rocks I don’t want no one but you e depois a seqüência de filme em que Mania dança nua em cima da mesa como puta de bordel de filme americano classe B e depois ainda finos biscoitos modernistas refinadas palavras sutis pinceladas pós-contemporâneas discursos traços leves de graffitte já no hay pecado mi amor terno tempo eterno salada de frutas pimenta & lábios carnudos fotografias tesudas et plus outras finas iguarias by BeatnikBluesCafe nas tardes mornas da desvairada paulicéia, porém nunca mornas entre as tais quatro paredes with pinga da boa poesiaaaa vinho tinto with ponderações acerca de impermanências e tropical Cultura Tupiniquim a cidade que os poeta me ensinam ou essas minhas manias malucas de fazer jornais ou falando alto no centro velho quando é de madrugada e a vida é bela y chega a manhã a noite en la calle y en las ramblas et tropeçando nos copos & e ainda tem muito mais pra acontecer e parecer ou como sempre me lembro de repetir que disse a poeta Rebecca Navarro Frassetto porque todo ser chamado de Humano é Artista e não o contrário ou como também escreveu o cavalheiro Oswald no pão de açúcar de cada dia daí-nos senhor a poesia de cada dia. e de novo cai a noite na américa do cio.
venerdì, ottobre 26, 2007
CORRUPÇÃO VMulher beijar mulher na boca fingindo que é lésbica pra atrair os homens, tá na moda. Não falar nem escrever mais em gerúndio, além de estar na moda já é quase perigoso. Mudar de partido é coisa que está na moda há muito tempo mas periga ficar démodé. Aí, quero ver o deputado fashion, Clodovil Hernandes, reclamar da falta de afagos de seus pares. Aliás, falar "pares" está na moda também depois que o senador Renan Calheiros traiu os seus. Renan então, está muito na moda. Não sai da cadeira do senado nem das capas de revista (e mesmo que saia vai continuar na moda, como não?). Por isso acho desnecessário falar dele, aqui, novamente. Agora vou falar de outros assuntos da moda. A Polícia Federal, trabalhar duro e ver investigações (que agora se limitam aos pobres mortais) irem por água abaixo. O filme (pirata) de tropa de elite. A censura. Adesivos com a frase "tem que ter catiguria". O presidente da república com a máxima "nunca antes na história deste país". Os corriqueiros " eu não sabia de nada" que abraçam a nação. Cunhar pessoas com opiniões coerentes de "elite golpista". Senadores acuados com medo de terem algo exposto no ventilador. Os gastos (ainda) exagerados com propagandas que, segundo me explicou o prefeito da capital paulista, são obrigatórias. A playboy de outubro.
E na tendência da patifaria republicana, 15 anos se passaram desde que arrancamos o Fernando Collor da presidência pra presenteá-lo com o cargo de senador da república, que como se vê e se sabe, não dá taaanto trabalho, mas status, muita grana (de quem mesmo?) e aquela borrachada geral na história. Ai se a moda pega...
TRÊS POETAS
Silvia Vasconcellos
Meus lábios rosé
Salivam visco brando branco
Ossos e músculos ronronam em ressonância
Minhas garras se abrem
E fisgam minha presa fresca
Pulso seu sangue
Depilo minha razão
Visto seus pêlos
Chupo como saca-rolhas
Lambendo gotas de cheiro
Embriago meu grelho
Cedo meu ventre
Troco minhas agulhas
Repletas de veias
Sugando espasmos de medo
Brinco com o dedo
Fazendo vibrar o êxtase
Mordo os beiços
E saúdo
Embrulhada para viagem
Célia Ladeira
Vestida de poesia
Michelle M.
A. Ginsberg
Acima, abre-se sobres as!
Costuro um lençol de reves
A moral declarou que
Pego uma idéia no ar e
Estou a margem tal rude
Na estrada esburacada
Rostos das viúvas de guerra
mercoledì, ottobre 03, 2007
Jack Kerouacpor Camaleoa (colaborou Eduardo Barrox)
O Californian School of Fine Arts tem um novo diretor, Douglas MacAgy que apresenta pintores abstratos e expressionistas como Clyfford Still que, através de suas exposições, gera numa explosão de novas formas; (How Beat Happened – Ezone.org)
Michael McClure se muda pra São Francisco para pintar e discute William Blake com Allen Ginsberg na noite de abertura do Poetry Center. Os dois ficam amigos; (How Beat Happened – Ezone.org)
Em 1952 o ambiente literário em São Francisco já é bem efervescente. Dylan Thomas chega de uma viagem em que conheceu Henry Miller e faz uma leitura na rádio KPFA, de Berkeley, Califórnia, EUA; (How Beat Happened – Ezone.org)
Em junho de 1953, Lawrence Ferlinghetti e Peter Martin abrem o City Lights Bookstore. Uma maneira de financiar a revista City Lights, de Martin, assim como o primeiro filme crítico de Pauline Kael. Ao lado fica (e ainda existe) o Vesuvio, na época sob o comando de Henri Lenoir, ponto de encontro de músicos, pintores e poetas; (How Beat Happened – Ezone.org)
Em 1954, Ruth Witt-Diamant funda o San Francisco State College Poetry Center, um lugar onde diferentes subculturas poéticas são expostas e servem de referência para outros artistas (e que permanece até hoje); (How Beat Happened – Ezone.org)
Ainda em 1954, em agosto, o ex-ditador e presidente brasileiro Getúlio Vargas, se suicida com um tiro na cabeça.
E em dezembro, Allen Ginsberg, através de Robert LaViene, conhece Peter Orlovsky com quem, depois de algumas semanas, se casa às 3 da madrugada no Foster’s Cafeteria e eles juram "that neither of us would go into heaven unless we could get the other one in,"; (How Beat Happened – Ezone.org)
13 de outubro de 1955, na Six Gallery, Allen Ginsberg faz a primeira leitura pública do poema Howl (escrito em homenagem a Carl Solomon, por ter sobrevido a um tratamento de choque a base de insulina no New York Psychiatric Institute; (How Beat Happened – Ezone.org)
Em outubro, também na Six Gallery, acontece uma leitura de poemas a pedido do pintor Wally Hedrick. Rexroth ficou encarregado de organizar o evento e convidou Michael McClure e Ginsberg para lerem. Gary Snyder, um jovem poeta que traduziu poemas de Han Shan ou "Cold Mountain," um poeta zen da T’ang-era China. Snyder fala sobre Whalen a Ginsberg e esse fala a Snyder sobre Kerouac. O projeto está fechado: Ginsberg, Snyder, McClure, Whalen, e Philip Lamantia com Rexroth como M.C. Kerouac rejeita o convite de leitura, mas participa do evento. Ginsberg escreve o convite: 6 poets at 6 Gallery. Philip Lamantia reading mss. of late John Hoffman — Mike McClure, Allen Ginsberg, Gary Snyder & Phil Whalen — all sharp new straightforward writing — remarkable collection of angels on one stage reading their poetry. No charge, small collection for wine and postcards. Charming event. Kenneth Rexroth, M.C. (How Beat Happened – Ezone.org)
1956. É o fim da era imperial e início da dominação do mundo pelos Estados Unidos e pela União Soviética.
No mesmo ano, Richard Hamilton faz a colagem O Que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Atraentes?, que passaria a ser identificada como uma das primeiras manifestações da Arte Pop e transformou em celebridades o próprio Hamilton, além de Andy Warhol, Lichtenstein e Peter Blake, entre outros
Em maio, Guimarães Rosa lança seu terceiro livro, Grande Sertão: Veredas.
Em setembro de 1957, Jack Kerouac lança On the road escrito num rolo de fax durante três semanas sobre uma viagem que durou sete anos.
O New York Times saúda o romance On the road, de Jack Kerouac como "a mais bela criação, a mais límpida e importante revelação"; (The Poets, Geração Beat – Antologia)
A Inglaterra rejeita a oferta de constituir-se membro da Comunidade Econômica Européia. Seis semanas mais tarde, a França, a Alemanha, a Itália, a Holanda, a Bélgica e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma, que fará surgir o Mercado Comum Europeu.
Três anos depois da Suprema Corte ter decretado ilegal a segregação racial nas escolas, o presidente norte-americano Eisenhower assina a Lei dos Direitos Civis e nove estudantes negros são admitidos à Central High School, em um dos focos mais inflamados de discriminação racial, Little Rock, Arkansas.
A União Soviética lança o Sputnik I, um satélite não tripulado em órbita em torno da Terra.
Final de 1957, John Clellon Holmes escreve um artigo no qual cita algumas palavras de Kerouac sobre o movimento beat. "‘A geração beat’, diz ele, ‘é basicamente uma geração religiosa.’.. Em uma outra entrevista, Kerouac amplia ainda mais sua declaração: ‘Ela inclui qualquer pessoa de quinze a cinqüenta e cinco anos que se interessa por tudo. É bom lembrar que não somos boêmios. Beat significa beatitude e não um sentimento de fracasso. A gente sente isso. Sente-se isso no ritmo de uma batucada, no jazz – no genuíno cool jazz ou numa animada seção de rock no meio da rua.’" (The Poets, Geração Beat – Antologia)
Em 1958, Jack Kerouac fala para Esquire Magazine. "A possibilidade de uma existência real da Geração Beat não passava de uma idéia em nossas cabeças. Nós ficamos acordamos 24 horas bebendo um copo de café preto atrás de outro, tocando um disco atrás de outro de caras como Wardell Gray, Lester Young, Dexter Gordon, Willie Jackson, Lennie Tristano e todo o pessoal, falando loucamente sobre todo aquele novo sentimento que pairava nas ruas." (Beatitude – Resources for a New Beat Generation – Gethep)
4 de outubro de 1959. Karl Shapiro escreve no New York Times sobre a decadência da era da poesia acadêmica. "É com razão que a moderna poesia norte-americana é considerada acadêmica; é poesia de antologia escolar, boa para as aulas de inglês... Ninguém a lê a não ser nas épocas de exame... A era da poesia acadêmica, dos intelectuais de domingo da Nova Crítica parece ter chegado ao fim. Pelo menos, são os votos que fazemos. Se assim for, se não estamos presenciando um falso despertar na recente poesia da revolta, assistimos sem dúvida alguma aos últimos instantes de uma literatura que durante tantos anos orgulhou-se de ser a poesia oficial do século vinte." (The Poets, Geração Beat – Antologia)
Em 1959, Jack Kerouac é entrevistado no The Steve Allen Show (http://www.youtube.com/)
1960. A Alemanha Oriental dá início ao bloqueio parcial de Berlim.
Em novembro John F. Kennedy é eleito presidente dos Estados Unidos. Janio Quadros se elege presidente do Brasil.
1961. Após governar por sete meses, Janio renuncia ao mandato de presidente brasileiro. O vice João Goulart toma posse e meio à uma intensa crise político-militar.
1962. Poetas paulistanos praticam ações de rua como a Catequese Poética ou o Sermão do Viaduto, no Viaduto do Chá.
O editor Massao Ono publica livros de poetas jovens, como Claudio Willer e Roberto Piva.
1963. No Vietnã, um monge budista comete suicídio em público ateando fogo às próprias roupas.
Em 22 de novembro John Kennedy é assassinado em Dallas.
Dia 1º de abril de 1964, Brasil. Um golpe militar depõe João Goulart e dá início à uma ditadura sangrenta.
1967. Estréia no Brasil o filme Blow-Up, do diretor italiano Michelangelo Antonioni. O filme tem roteiro baseado na novela Las Babas del Diablo, de Julio Cortázar. Nos Estados Unidos é lançada a revista Zap Comics.
Em 1968, bêbado e visivelmente irritado com as perguntas sobre hipsters e o significado da palavra beat, Kerouac é entrevistado no Firing Line – The Buckley Show.
No mesmo ano morre assassinado o líder negro Martin Luther King.
No Brasil, o Ato Institucional nº 5 sela em definitivo a violência da ditadura. Professores, estudantes, artistas, intelectuais e políticos são presos, torturados e mortos. A Censura às obras de arte e às idéias é radical e violenta. Muitos brasileiros partem para o exílio.
O líder guerrilheiro Che Guevara é morto na Bolívia.
1969. Após alguns meses na prisão, em São Paulo e Rio de Janeiro, o compositor Caetano Veloso passa curta temporada em Salvador e depois parte para o exílio em Londres.
Nos Estados Unidos morre Jack Kerouac.
1970. O ex-Beatle John Lennon anuncia que ‘o sonho acabou’.
venerdì, settembre 21, 2007
Camaleoa, escritora & jornalista;
Beatriz Fusko, atriz & poeta
ph Barrox
leia mais em http://jornalapocalipse.blogspot.com
venerdì, agosto 17, 2007
A Benedito Calixto e EuBares, feira de artes e antigüidades, chorinho, muita gente paquerando e namorando... Cada sábado que vou à praça Benedito Calixto, eu me sinto em casa, ou melhor, na "minha" praça. Tenho muitas ligações com ela.
Meu primeiro contato com a Benedito Calixto foi quando eu tinha 16 anos. Cheguei de Minas em fevereiro de 1963 (há mais de quatro décadas!!!) e fui morar numa pensão da rua Lisboa, pertinho da praça, meu ponto de passagem obrigatório nas manhãs de domingo, quando ia à missa das 9h na igreja do Calvário. Não ia por religiosidade, mas porque – especialmente na missa das 9 – a igreja era palco de um verdadeiro desfile de mocinhas bonitinhas, que não paravam nos seus lugares, iam lá, me parecia, especialmente pra paquerar. E eu também.
Mas que os religiosos não se indignem comigo. Havia quem paquerasse em lugar menos apropriado. Um colega catarinense também atravessava a praça todos os domingos pra paquerar... no cemitério São Paulo, do outro lado da rua. Ele ficava perto do portão vendo a entrada de visitas e, quando entrava alguma mocinha bonita vestida de preto partia para a abordagem, imaginando que seria uma viúva nova, saudosa de carinhos.
Na época, todo o trânsito de Pinheiros se concentrava na rua Teodoro Sampaio, que tinha mão dupla, ônibus e bonde nos dois sentidos. A Cardeal Arcoverde era vazia. Então, a parte "de cima" da praça, perto da igreja, era um sossego, sem barulho, lugar gostoso pra ficar à toa.
Depois de uns seis meses de pensão, saí com uma turma de conterrâneos que também moravam lá para formar uma república chamada Consulado Mineiro, na rua Joaquim Antunes. Mas minhas paqueras na missa e na saída da igreja continuaram todos os domingos.
Em dezembro de 1968, um ato da ditadura me trouxe de novo à praça. Depois do Ato Institucional número 5, a polícia e o exército fecharam o Crusp (Conjunto Residencial da USP), onde eu morava, prenderam todos os moradores e, quando a gente saiu da cadeia não tinha onde morar. Por coincidência, um prédio de apartamentos havia acabado de ser construído, na esquina da Cardeal Arcoverde com a Benedito Calixto, e as moradias não estavam sendo postas à venda, mas à locação. Quase todos os apartamentos viraram repúblicas de ex-moradores do Crusp. Tanto que o prédio passou a ser chamado de "Cruspinho". Muitos hábitos do próprio Crusp foram mantidos nele, como o de se colocar panfletos embaixo da porta. Todos os dias apareciam panfletos contra a ditadura, a favor de uma determinada tendência política etc.
Eu não fui morar no Cruspinho, mas muitas amigas foram e eu as freqüentava, de vez em quando ficava com uma. Mas tinha um problema: moravam várias moças em cada quarto, não dava pra namorar lá dentro. E muitas madrugadas desci com uma moradora para namorar no meio da vegetação da praça. Uma vez fomos flagrados pela polícia, que abriu a porta do camburão e mandou a gente entrar. Além de "atentado ao pudor", um policial dizia que era perigoso o que fazíamos, podíamos ser assaltados. Acabou deixando a gente voltar pro prédio, e tenho que confessar uma coisa a favor da polícia: ela não nos achacou, não pediu dinheiro.
Já por volta de 1979 ou 80, o Teatro Lira Paulistana, na Teodoro Sampaio, bem em frente à praça, foi o motivo para minha volta ao velho "lar". No Lira, vibrávamos com Tetê Espíndola, Itamar Assunção, Premê, Língua de Trapo, Paranga e muitos outros. Mas o Lira não durou muito.
Depois disso, eu passava pela praça de vez em quando e a considerava desperdiçada, um espaço gostoso e bem localizado, mas quase abandonado. Em 1987, quando ia lançar meu primeiro livro, Santa Rita Velha Safada, cheguei a propor à editora que fizéssemos o lançamento na Benedito Calixto, num sábado à tarde. Levaríamos para lá uma mesa, algumas cadeiras e dois garrafões de cachaça, e só. Mas ela não topou.
Aí veio o governo Erundina, e conversei com vários petistas levantando a possibilidade de criar espaços culturais e etílicos em cada bairro, e o primeiro deles, que eu gostaria de participar da criação, seria a praça Benedito Calixto. Minha idéia era fechar um dos lados da praça, transformando-o em calçadão com bares, restaurantes e livrarias. Num terreno na época desocupado, a prefeitura poderia construir um grande centro cultural, com teatro (não só a sala de espetáculos, mas vários espaços para ensaios, reuniões de grupos), biblioteca e cinema. Não colou.
Enfim veio o restaurante Consulado Mineiro, com o nome que evocava minha velha república de estudantes. Depois, a feira de artes e artesanato, trazendo uma função lúdica e cultural para a praça, mas eu sentia falta de algo: livros. Tinha muita coisa legal mas faltava uma barraca de livros, até que em 1999 – tive um pouco de "culpa" nisso, fiquei propondo que se fizesse isso – o Edson criou o projeto O Autor na Praça. Pronto. Com mais bares, uma livraria e ali pertinho uma biblioteca, e até uma sociedade de amigos dela, a praça e sua feira são hoje uma referência em São Paulo, um grande atrativo para paulistanos e também gente que vem de fora. Como muitos outros, eu me sinto meio dono dela, o que tem lógica, pois, como dizia Castro Alves, a praça é do povo como o céu é do condor. Os condores não existem mais por aqui e muitas praças paulistanas já não são do povo, estão cercadas, gradeadas, inacessíveis. Que não seja o caso da Benedito Calixto. Nós que ainda acreditamos na poesia queremos que cada vez mais a praça seja do povo, como o céu deve ser dos passarinhos todos, não só do condor. Um mundo sem gaiolas para as aves nem para nós!
Mouzar Benedito é escritor, autor dos livros Santa Rita Velha Safada (causos), Pobres, Porém Perversos (romance), Pequena Enciclopédia Sanitária (humor), Pequeno Dicionário Analfabético de Abobrinhas (humor), Memória Vagabunda (causos e frases), Este livro é uma piada (humor), Dívida Externa - eles gastam, nós pagamos ("paradidático", com Maringoni), Serra, Mar e Bar (causos, parceira com 4 escritores), Ousar Lutar - memórias da guerrilha que vivi (com José Roberto Rezende), Ferrer, Bill Ferrer - detetive heterodoxo (policial - com Saphira Mind) + dois volumes da mesma série policial - são 3 volumes, Luiz Gama, o libertador de escravos, e sua mãe libertária, Luíza Mahin (biografia), Barão de Itararé - herói de três séculos (biografia), Anuário do Saci (agenda/mitologia/história do Brasil), com Ohi;
além de participar de várias coletâneas.
lunedì, luglio 16, 2007
A cabeça anda cheia de nomes impossíveis de decorar. Quando me acostumo com a graça de um dos bacanas que tem feito estardalhaços neste país logo aparecem outros. Que não bastasse serem muitos vêm sempre com seus respectivos apelidos. O que não deu pra ver até agora foram cabeças rolarem. Não vi. Mas já era pra ter visto. Ao invés disso, vi o Senador Renan Calheiros, bem sucedido pecuarista, ao lado do Lula com a tocha do Pan como se não houvesse nada melhor pra fazer do que segurá-la (ao menos devia estar quente feito a batata que eles têm jogado de um lado pro outro) num evento que custou mais do que estava previsto e teve suas obras atrasadas pra 3º mundo nenhum botar defeito. Vi o conselho de ética do Senado, comandado pelo suplente da Marina Silva, Sr. Sibá Machado e depois pelo questionável Leomar Quintanilha, com o rabo entre as pernas. O relatório do arquivamento do caso Renan sempre prestes a ser votado. Dias e mais dias sem alguém pra assumir a relatoria depois de Epitácio Cafeteira e Wellington Salgado terem desistido.
Vi o tetra-governador do Distrito Federal, (agora pelo menos e graças aos deuses) ex-senador, Joaquim Roriz, pedir sua renúncia pra sair de fininho após terem flagrado uma conversa onde ele repartiria o troco (de um milhão e novecentos mil reais) com algumas pessoas para então continuar pedindo votos ao povo com a forcinha de Nossa Senhora. Vi o Suplicy querendo fazer jus a minha dignidade mas, claro, impedido pelo partido (qual mesmo?) porque dignidade limitou-se às definições do Aurélio, pai dos burros.
Explicado! Afinal de contas enquanto o Lula teve dores de cabeça neste último mês, de um lado graças à imprensa malvada que só sabe falar mal deste país carente de elogios (de educação, segurança, proteína, cálcio e sais minerais) e do outro às acusações de seu (dele...) irmão fazer parte dos esquemas da operação xeque-mate que ficou esquecida como se fosse um joguinho de damas qualquer. Além de ter se perguntado como foi aceitar ser padrinho do filho do cabeça no crime das máquinas caça-níqueis (literalmente).
Figurinhas outrora tão comentadas como Zuleido Veras não pagaram por seus crimes e andam escrevendo cartas aos ex-antigos clientes que, convencidos, seguirão em frente em seus negócios-bomba. Porque o ilegal dá direito à impunidade, corriqueira no país do Cristo-Maravilha. Dá direito a furar fila no embarque do aeroporto e a travar as votações de interesse da Nação. É a impunidade que salva cabeças como do José Dirceu, Delúbio Soares, Valdomiro Diniz, com o perdão da palavra Paulo Maluf, Celso Pitta e tantos outros que hoje devem apenas debochar da nossa cara enquanto brindam sua inocência – BINGO! - em todos os cantos desse país do carnaval corrupto, véio e sem porteira que por dados históricos comprova: a justiça nunca puniu um político sequer.
E nem precisa entender muito do assunto pra ver como o ilegal é bacana no Brasil. Vem do lado de fora da porta, no balcão do boteco, entre uma conversa e outra, vira e mexe alguém por perto sempre grita DEU VACA (25 – 500 – dois milhões e duzentos), NA CABEÇA! Agora, ELES devem sair de férias. Exaustos. Feito você e eu. Repousemos neste inverno globalmente aquecido enquanto a chuva não vem. Façamos as contas de quantos remédios pra dor-de-cabeça poderíamos comprar com os 54 bilhões desviados nos últimos quatro anos. Encosta tua cabecinha no meu ombro e relaxa.
domenica, luglio 15, 2007
shortcutsnumber2
que, por sua vez, virou uma merda com seus prédios de arquitetura fake de ‘alto-padrão’, lojinhas metidas a besta e peruinhas de cara afetada.
sim, é verdade, não moro (mais) no Brasil. tenho pensado em deixar de ser oficialmente cidadão, já que de fato não sou visto assim, nem pelos ‘concidadãos’ e muito menos pelos caras que estão no poder. aliás tenho dúvidas sobre onde teria nascido. aqui é parece mesmo não ter sido.
o que eu disse pro cara?
que apesar de passar o dia inteiro aturando poetas de rua, auto-marginalizados e escritores ditos malditos com livros capengas à venda por cinco reau, não vejo contornos de nenhuma puta energia artístico-literária. parecem mais carinhas assim meio sem dinheiro a fim de catar menininhas (ou outros menininhos) burguesinhas(os) a fim de umas emoçõezinhas baratas de fim-de-semana.
em resumo, querem a melhor relação custo-benefício na hora de foder, se é que conseguem, o que lhes custa no mínimo a dignidade.
e olha que nem abri a boca pra falar da chamada cultura oficial, esta já morta e enterrada faz tempo. quer dizer, não entendo como você - digo isso olhando pra cara do cara - pode se achar poeta marginal/independente/sei lá, se ganha dinheiro das repartições ‘oficiais’, se vive pedindo dinheiro pras repartições oficiais.
ou não. ou sei lá, afinal de contas não quero ter razão.
o que acho engraçado é o sujeito que - por força do cargo que ocupa - devia saber de tudo sempre nos repetir sempre sempre sempre ‘ah! que legal, não conhecia este jornal’.... cara! você é do governo, contratado pelo povo e quem te paga o salário (em tese) sou eu (mas talvez ele nunca se dê conta disso também).
na praça, onde meu trabalho tá espalhado, encontro a escritora.
ela (essa escritora) é feia (mas também conheço algumas bonitas), meio carrancuda, magra, esquisita e se veste de um jeito estranho também e tá com uma menina mais jovem que ela.
usando a linguagem dos folhetins do século XIX, é uma menina voluptuosa - tipo peitão, bundona, coxas grossas - mostrando tudo debaixo da saia curta quando senta no degrau em frente à barraca do autor na praça, me olhando meio de lado, ora dizendo com os olhos que quer (me) dar, ora mostrando que tem dona.
fotografo as duas. em fotogramas separados, claro.
a escritora mantém-se inflexível em seu olhar de celebridade-não-percebida-pela-crítica-internacional, em que pese ser praticamente inédita - mal conhecida até pela própria família - e me vê com um certo desdém tipo assim de quem esperava encontrar o editor, sei lá, do niuiórquitaimes mas mesmo assim irá conceder parte de seu tempo a me ouvir fazer elogios ao seu trabalho. ou coisa assim.
tenho vontade de lhe dizer que não curto seus textos (o que, óbvio, não impede que sejam bons e coisa e tal; afinal eu é que nem entendo de Literatura, pôrra), que - enfim - acho que é chata e que talvez devesse ler mais e escrever menos, melhorar a qualidade e/ou intensidade. E as noções de gramática...
mas isso é só uma opinião muito pessoal e desprovida de qualquer motivo lógico.
afinal, mostro-lhes ludicamente a fotografia feita na telinha da digital, sorrio pra gostosona confrontando o implacável olhar da escritora e viro as costas quando ela folheia meu jornal nervosamente com a cara emburrada que a caracteriza.
ou melhor, só irá sorrir se aparecer alguém realmente ‘importante’. mas isso é outra história.
o cara vem me falar de novo: - "mas você também não mostra nada nessa pôrra de jornal. é bonito, reconheço, mas falta conteúdo".
penso comigo o que será que ele quer dizer com falta conteúdo, ou melhor já sei, mas mesmo assim penso e penso também que esse papo de dizer falta conteúdo é uma frase feita da pior qualidade possível, principalmente dita por um sujeito absolutamente sem conteúdo (ops); que não sou um cara que sai do estúdio pra lamber saco dos agregados do secretário da (in)cultura ou coisa que o valha, ou mendigar verbas nos gabinetes desse poder ditatorial fajutíssimo e absolutamente corrupto que ainda não acabou aqui na republiqueta, ou também não fico mendigando pixulés vendendo essas porcarias mal impressas ou chamando menininhas de putinhas porque, sei lá, talvez até gostem de poesia mas...
ou coisa assim (de novo).
mas não digo nada; não adiantaria, eu acho..
eu penso; eu sempre penso, até quando não parece que estou pensando.
são paulo é uma merda de cidade.
quer dizer, é bacana e cosmopolita também.
mas é uma merda quando chove, quando faz muito sol, quando tem muito trânsito ou quando os caras querem fazer ela parecida com niuiórque, fode tudo. niuiórque também é ruim se você não tem grana e não é amigo, vizinho, sei lá, do woody allen ou da yoko ono.
ou é boa, dependendo do boteco onde vai tomar cerveja.
a cidade (de São Paulo) é esquisita.
caras buzinam o dia inteiro na oscar freire.
quase sempre tenho que manter as janelas do estúdio fechadas pra suportar o barulho.
o que também fode tudo, porque detesto ar-condicionado; curto vento na cara e natureza...
na rua, pessoas passam e se enfrentam sem se olharem, esbarram-se agressivamente; se estão de carro escondem-se atrás dos vidros pretos e buzinam, buzinam, buzinam loucamente.
"deve ser porque têm a mãe na zona", me diz com um sorriso largo o carinha de roupa simples indo pro ponto de ônibus. "coisa de recalcados, talvez", se vai rindo sozinho da própria piada e digno depois de um dia de trabalho.
são poucos os que realmente trabalham nessa cidade de farsantes.
ah, sim, eu dizia! os escritores; os artistas.
É lógico que isso não se aplica a todo mundo (err... de novo) e pode ser só uma impressão meio ácida, mas parece que se bastam se ficam parecidos com alguém que viram na tv ou em algum desses filmes chatos que o primeiro mundo nos manda em lugar dos antigos colares de contas coloridas trazidos pelos invasores brancos a fim de enrabar as nativas.
E ficam essas pessoas me falando com muita naturalidade palavras como loft, fashion, dark, interface, stylish (sic)... apresentam-se - ops, fazem performances - nas ruas auto referenciando-se como clowns e usando bolas vermelhas ridículas no nariz.
sim, sim; em ‘sampa’ - como sempre fazia questão de referir-se à cidade uma recepcionista com cara de putinha - o hábito faz o monge.
principalmente se for à noite e em algum desses botequins que entram e saem rapidamente da moda..
no começo da noite a escritora feia me telefona. "você vai publicar meu texto e minha foto?", pergunta. digo que não sei, ou brinco dizendo que só faço isso se ela sorrir na próxima vez, na praça. ela parece decepcionada, diz "tá", mas só se você colocar meu texto no seu jornal.
seria legal se ela pudesse entender essas coisas de critérios, mas também não dá pra explicar tudo o tempo todo.
desligo.
tomo uma taça de vinho tinto, acho cds de Chet Baker, Hendrix e músicas gostosas e vou preferir olhar nos olhos de quem amo.
EduardoBarrox, editor do Jornal da Praça
DomínioTe fico de quatro
amordaçada
na fantasia liberada
dos teus sentidos.
Palavras?
apenas promíscuas
e aos sussurros
em meus ouvidos.
Despe de mim
com o olhar apenas
teu desejo.
Me faz meretriz
Te faço guerreiro.
Invade meu cheiro
de calor
Veste meu corpo
de saliva
pincel de língua.
Depois...
Enlouquece de amor
da dor
do meu dente cravado em tua pele.
Tua mão
segurando meu cabelo
com a força animal
de um homem poderoso
que se desmancha em gozo
num gemido.
E então,
deita tua cabeça no meu colo
encosta tua boca no meu seio
e volte a ser menino!
poema publicado na edição # 53 do Jornal da Praça
mercoledì, giugno 13, 2007








