domenica, aprile 29, 2007

phBarrox
Magda Pucci, que estréia coluna no Jornal da Praça

Universalidade
Não SignificaGlobalização
Nós Nos Bastamos?

por Magda Pucci

Às vezes em nosso canto passam acentos nórdicos, suecos e noruegueses... Como que vieram parar aqui? Acentos idênticos também se encontram em Portugal e principalmente na Espanha. Às vezes um canto nosso é... russo duma vez. Outras vezes é um canto russo que, mudando as palavras, todos tomariam por brasileiro (...) Na realidade, foi de uma complexa mistura de elementos estranhos que se formou a nossa música popular. (Mário de Andrade)

Ninguém duvida do poder universal da música. Quando ouvimos uma música africana, ou indiana ou árabe percebemos que há algo nelas que transcende as fronteiras geográficas e políticas. Mesmo não entendendo uma única palavra nos sentimos envolvidos por alguns elementos daquela música estranha ao nosso repertório cotidiano. Vamos ao óbvio ululante: a música tem códigos universais que podem ser compreendidos em qualquer parte do mundo. E mesmo aquelas músicas, que passam de geração em geração pela tradição oral, conservam algumas características peculiares de um lugar, mas há também ali, aspectos universais. E isso é fato antigo e não fenômeno exclusivo da globalização.
Em 1930, o compositor húngaro Bela Bartók, a convite do governo, pesquisou músicas da Hungria e dos países vizinhos, buscando coletar qualidades nacionais definidoras de uma "superioridade nacional". Qual não foi sua surpresa quando ele observou que uma melodia do deserto do Saara era idêntica a um canto húngaro, sem que houvesse a comprovação de migrações entre os dois lugares. Bartók, então, entendeu que estruturas básicas se repetiam em lugares diferentes e distantes e que elas formavam elos, que constituíam ‘coincidências’ musicais de caráter universal - idéia que se contrapunha ao nacionalismo do momento. Com isso, concluiu que a música popular era impura e que isso lhe propiciava uma riqueza esplêndida – conceito que criou problemas para Bartók, pois ele não só perdeu seu emprego como também teve que se exilar.
Mas ainda, hoje, há quem queira defender e ou buscar a "autenticidade", a "pureza" e a "originalidade" da música, esquecendo-se que ela, a música, talvez seja a arte mais esponjosa de todas, a mais "maria-vai-com-as-outras", a mais antropofágica, pois se mistura com grande facilidade. Ainda mais depois de todas as miscigenações e colonizações dos séculos passados, ficou cada vez mais difícil definir o que é "de raiz". Mas virar as costas para o mundo dificulta tudo. Se ouvíssemos a música do mundo, não conheceríamos melhor a nós mesmos? Quando as pessoas criticam a world music, eles a acusam de ser globalizada, sem personalidade, mas se esquecem que a universalidade não passa pelo filtro da modernidade e muito menos da pós-modernidade amplificada pelos atuais meios de comunicação. O que é globalizante é ouvir o dia todo música pop americana de péssima qualidade ou ficar achando que a MPB do Tom é que era a boa... Não percebemos que a música brasileira anda fragmentada e indecisa, segue desprezando as tradições mais interessantes e deseja a todo custo se equiparar a um "padrão globalizado" das trilhas sonoras das novelas. O pop brasileiro é ruim, a MPB está sem saber para onde ir, a nossa música eletrônica é medíocre. Por que não aproveitamos os meios de comunicação para propiciar trocas culturais criativas? Afinal, esse intercâmbio cultural não é fato recente como dizia Bartók e Mário de Andrade no inicio do século passado.
Por que vamos ficar nos preocupando com o que é ser brasileiro de verdade? Será que deveríamos nos isentar de "conhecer o outro" porque temos uma cultura tão rica que não precisa de mais nada? Nós nos bastamos? Será que deixaremos de ser brasileiros se ouvirmos o son cubano, a raga indiana? Será que Picasso foi menos espanhol porque se inspirou nas máscaras africanas para compor seus quadros cubistas? Será que Debussy se globalizou quando compôs suas peças baseando-se nos sons dos gamelôes balineses?
Ao virarmos as costas para o mundo, corremos o risco de perder a possibilidade de captar elementos primordiais que são propulsores de idéias que se rearticulam ciclicamente, formando combinatórias musicais perenes, mas ao mesmo tempo plásticas e mutáveis. Elementos que impulsionam não só descobertas estéticas, mas como também tiram a poeira da história, desvenda mitos, faz respirar a antropologia e possibilita a criação de percursos artísticos intrigantes. Isso é ser pós-modernista. Idéias nacionalistas e ufanistas certamente são coisas do passado. O fenômeno da globalização parece nivelar tudo por baixo, mas com sabedoria, saberemos não nos intimidar e partir em busca de outros sons para uma renovação mental, se os deuses nos ajudarem!
Pretendo então escrever sobre a música que se faz por aí no mundo afora, aquela que a gente pouco conhece. Eu, Magda Pucci, prometo a vocês, leitores do Jornal da Praça, abastecer-vos de pequenas doses mensais de música bacana, aquela que fica meio de lado nas rádios comerciais.
Você pode ouvir o que eu toco no site da radio USP www.radio.usp.br, clicar em programas, e depois em Planeta Som na coluna da direita e ouvir os programas produzidos desde 2004. Boa viagem pela música de todos os povos!!!



Magda Pucci produz e apresenta, há mais de 10 anos, o programa de rádio Planeta Som, transmitido pela Rádio USP FM 93,7 sábado às 11h e domingos às 16h, pela rádio alemã Multikulti (série World Music Night) e mais recentemente pela Rádio Universitária de Londrina. "Eu adoro fazer esse programa porque toco o que gosto, eu mesma faço a seleção musical, escrevo os roteiros, faço as entrevistas (poucas, mas faço) e agora estou tentando atualizar o site do programa." No blog http://magdapucci.wordpress.com, na sessão de textos, você lê sobre sua experiência no III Jornadas Radiofônicas na PUC-SP. Magda também é musicista e líder do grupo Mawaca, especializado na música de todos os povos.


lunedì, aprile 23, 2007


Convidada do projeto O Autor na Praça, a escritora e jornalista Ruth Barros autografou seu primeiro livro Os Florais Perversos da Madame de Sade, romance erótico cuja ação se passa na França do século XVIII. O evento aconteceu no Espaço Plínio Marcos durante a feira de arte da praça Benedito Calixto, em São Paulo, e também celebrou o aniversário de cinco anos deste Jornal da Praça, cuja edição 50 já está circulando por várias capitais brasileiras, além de Portugal e França.

giovedì, aprile 19, 2007

phBarrox
Bia Fusko, atriz & poeta
texto & fotografia de capa da edição#50 do JdP
por Eduardo Barrox
soNgs froM LiQuid DaYs

...repetindo: foi numa tarde ensolarada - era quase nunca ao meio-dia entre abril e setembro - de quase sempre olhar em direção ao vento traços inexatos, telas brancas e fotografias preto&brancas coloridas em cores saturadas e agora se passaram cinco anos agora com driving into delirium tocando na caixa (arrá! você pensou que eu ia falar vitrola...) e cinquenta coisas diferentes aconteceram ao mesmo tempo neste século entre folhas de árvores secas, sentados na praça, no chão, lembranças, sua voz de vez em quando, seu corpo de vez em sempre. Era numa tarde de óculos escuros y coros imaginários, no display índios canibais esperando o navio atracar com as tais trapezistas virgens. Numa tarde de andar de bicicleta e sorrisos - eu nunca sei - mas tinha música como essa que agora fala de Paris e mistura Satie e depois a genial Cida Moreyra na balada do louco e lá longe as coisas são assim, aqui fica tudo podre às vêzes, mas nos falamos sou feliz, assim como nos falamos foda-se ou fica triste. Não entendo outra língua, mas quero sua língua. De se beber com o cônsul Geraldo na calçada do Consulado entre odaliscas, tarólogas, putas, sapatas (ops) e meninas de família fazendo virar a mesinha desse bar antropofágico falando e lendo meias verdades, soy loco por ti, América. La main parisienne e daí olhando essas meninas meio que mostrando a bundinha y generosos decotes passeando entre clics techno macunaímicos mímicos de olhares de desejo ou de nunca ou de sempre fica engraçado escrever isso; e o cara falando Catherine Deneuve com aquele sotaque que acho legal e eu pensando Béatrice Dale em Betty Blue e aí encontro minha amiga Marie Lorraine na porta do estúdio e ela tem esse sotaque legal. E quando o sol se coloca de lado - querendo descer - aí aponta a Lua minha amante cheia (de amor?) e meus olhos mecânico-digitais olham nos olhos dela e vejo marcas em seu corpo... mas ela é linda, sempre. Aqui nunca é tarde demais, vejo na fotografia em que você me olha nos olhos e agora nossos tempos nem são tão diferentes porque essas linguagens não tem porque serem datadas, seladas, carimbadas com esses venenos da medíocre hipocrisia. Melhor assim que não assim. Na tarde quente, conversas de Angela água tônica com gelo e sanduíche de pernil feito por Cleide plus docemente selvagem e temperado sanduíche buraco quente e cerveja gelada et saliva e boca ou quadris ou pernas cruzadas e olhares idem e depois no Alberico capuccino-Camaleoa-poeta. São Paulo é como o mundo todo, diz Caetano. Somos ridículos, diz o velhote, e não tenho certezas apesar dos brancos cabelos, camisetas manchadas de tinta acrílica e guaches misteriosos retratando minhas íntimas paisagens (des)conhecidas. Somos geniais também, você nem imagina o quanto; mas ele já se vai e não importa, a tarde tem poesia correndo solta BeAtriz, vou pegá minha fulô. No entanto não me importam mais as coisas que saem escritas nesses jornais do Sistema. Sempre mentem, agora eu sei, porque me disseram do Amor e querem me fazer ler Ódio. A vida é como um cinema, mas foda-se - eu sei que vou morrer no fim - porque importante foi me tornar gente da floresta, assim como importante foi te olhar nos olhos tantas vezes e te ver chorar e sorrir quase-criança-mulher. O importante é ter poesia, letras et imagens, desejos sussurrados... No hay pecado mi amor do lado de baixo del ecuador, terno tempo eterno salada de frutas pimenta nos lábios fotografias et plus outras finas iguarias mineiras de chef Fernando no Consulado da Cônego with pinga da boa with ponderações acerca de serramalte ou bohemia, você sabe com quem. E a vida é bela y quando cai a noite en la calle y en las ramblas et tropeçando nos copos & ainda tem muito mais pra acontecer e parecer. Mas, dizia eu, foi numa tarde ensolarada que podia ter sido manhã chuvosa ou madrugada de neblina. Em que imaginei seu corpo de biquíni sem a parte de cima dentro do carro indo pra praia. E agora você vai se lembrar disso a vida inteira, porque também não quero te esquecer. Agora - on the road - depois de tantas tardes e personagens e o carinha nem aí olhando as árvores não me importam amanhãs. Ou como acabou aquele texto, já se passaram todos estes anos, e dizia o cavalheiro Osvald ‘no pão de açúcar de cada dia dai-nos senhor a poesia de cada dia’. e tal e coisa... Agora vambora que tem mais cinco séculos e mais uns cinquenta finos biscoitos, inclusive meio culturais. Ou também, como o Jimmy Page também já havia dito: ‘você não cai na estrada pra ficar entediado, né?

texto referência publicado por Lilian, Rebecca & Barrox na edição#4, depois reescrito por Mariana Terracota na edição#39 e agora absurdamente reutilizado por Eduardo Barrox ao celebrar os cinco anos de brava resistência deste Jornal da Praça
phBarrox
a escritora Camaleoa, produtora do Jornal da Praça

crônicas da CAMALEOA

Five Years
Tá certo, então o Jornal da Praça completa Cinco Anos, 5 anos de muito bate-papo, de muita fotografia, de DEPOIS DA PRAÇA, de CARAS DA PRAÇA, de coluna BLOW-UP, de tudo isso e mais um pouco, mas todos os confetes, todas as serpentinas, todos os gritos de U-HU!, todas as palmas, todos os beijos – por favor, meninas, com muita calma – e parabéns são mesmo para uma só pessoa. Cinco Años de Jornal da Praça, são cinco anos de Eduardo Barrox na mídia impressa alternativa!
Há de ser comemorado com garrafas de champagne – porque eu sou uma mulher chique! – ou com petiscos e A cerveja gelada que Ele tanto gosta porque Barrox é o cara nisso tudo. Principalmente pra mim. Uma jornalista sul-mato-grossense, sem experiência em jornal diário, da área de assessoria de imprensa, de uma geração que conhece o jornalismo através da universidade, de livros, de laboratórios, que se deslumbra sempre com a possibilidade de mudar o mundo e invariavelmente se decepciona com a realidade.
Jornal da Praça completa esse mês CINQ années – eita bugra metida à francesinha! – e eu quase UM nessa deliciosa balburdia de redação móvel, Oscar Freire e Praça Benedito Calixto, na companhia de Barrox sempre com cara debochada, às vezes completamente neutra, olhando manso, com a cara de índio que tem, enquanto você fala - e se prepara - porque ele vem com tudo e derruba todas suas certezas, toda sua empolgação porque Ele é da turma que viveu o jornalismo de um jeito bem diferente desse vivido por nós, crias de universidades. É inevitável o atrito.
Fazer jornal não é uma tarefa fácil, como nada na vida. É um lance que requer atenção, vivência cultural, questionamento e avaliação a respeito de tudo e a todo instante. Não basta ler um monte de livro pra depois babar referências ou estampar títulos de pós-graduação na testa. Essas coisas ajudam, mas não fazem a diferença. E Ele me ensina a olhar, a retornar o olhar por outros parâmetros e entender que não é porque o cara se pinta de palhaço que ele É um palhaço, não é porque o cara toca um violão na praça que ele FAZ arte, não é porque o cara vende livro de autoria própria nas esquinas que ele TRANSFORMA a literatura. Parcial e Imparcialidade. Fazer jornalismo é ser parcial a partir do momento em que se questiona o que uma sociedade nos propõe, ela e seus meios, a própria imprensa que divulga e filtra o que acha pertinente sabermos e manipula a fim de que tendamos a este ou aquele lado. Não preciso convencer ninguém, mas começo a entender que mais importante do que noticiar, colar ou condensar releases, é meter o dedo xereta e produzir então uma nova informação que leve o leitor a questionar e refletir sobre – inclusive – o que nós escrevemos. Cinco Anos de Jornal da Praça, em meio à grande imprensa, na cidade de São Paulo, e eu começo a ver que não basta se revoltar com o sistema, nem achar bacaninha a atitude do artista alternativo pra fazer jornal e encher uma coluna mensal (imagina uma semanal?!). Pra uma jornalista como eu, uma romântica caipira, há de se pensar todos os dias, refazer vários conceitos de trabalho e também de vida e reavaliar invariavelmente tudo o que me foi ensinado na universidade. Tudo isso a partir deste jornal, o Jornal da Praça, na companhia Dele, do fotógrafo, do jornalista, do artista, do escritor Eduardo Barrox. Parabéns Jornal da Praça! Parabéns Barrox!!!
phBarrox

tatoo: Gabriela Cruz


Singela tatuagem
em bela mulher já é um aviso:
"Estou por dentro do meu poder".
Mas o tat-tut de Gabriela
é múltiplo arraso:
simplesmente ser vista não lhe bastou, tinha que retribuir o olhar,
de Cleópatra, claro – e o esquerdo – a sobrancelhar maroto sorriso e a vibratar cílios que convocam ao mesmo tempo em que
deslizam o passo: "estou indo"!

RuiMagrini


venerdì, febbraio 23, 2007

phBarrox
Nicole Argalji
suplemento Sábado
Jornal da Praça#49

Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas. No sábado é que as formigas subiam pela pedra. Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho. De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana. Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é? No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde. Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais. Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã. Domingo de manhã também é a rosa da semana. Não é propriamente rosa que eu quero dizer.

Atenção ao Sábado,
Clarice Lispector
do livro Para não Esquecer

martedì, gennaio 30, 2007

phBarrox/JdP
jornalista Ricardo Kotscho

O AUTOR NA PRAÇA
recebe os jornalistas
José Hamilton Ribeiro & Ricardo Kotscho


Os primeiros destaques do ano no projeto O Autor na Praça - evento quinzenal da feira de arte da praça Benedito Calixto, em São Paulo - foram os jornalistas José Hamilton Ribeiro e Ricardo Kotscho. Zé Hamilton, único repórter brasileiro a receber sete prêmios ESSO e que cobriu a Guerra do Vietnã pela revista Realidade, autografou seu livro mais recente O Repórter do Século, Tropeiros – Diário de uma Marcha e Música Caipira. Já Ricardo Kotscho - que faz a apresentação do livro O Repórter do Século - autografou seu novo livro Do Golpe ao Planalto – Uma Vida de Repórter e outros títulos de sua autoria. Ricardo Kotscho também é o entrevistado da jornalista Camaleoa, que estréia coluna na edição do tablóide Café Literário que circula na última semana de fevereiro com distribuição nacional e para alguns países europeus, como França e Portugal.

giovedì, gennaio 18, 2007

A cantora Sophie Ellis Bextor em campanha para o PETA
com uma raposa morta e sem pele e os dizeres:
"Eis o resto de seu casaco de pele"
(blowUpPress)

lunedì, gennaio 08, 2007


janeiro de 2007
a volta da censura no Brasil

2007 começou a todo vapor.
Por conta da batalha judicial entre a apresentadora & modelo Daniella Cicarelli e o site YouTube, internautas brasileiros ficaram por quase um dia inteiro impedidos de acessar aquele site de vídeos.
O assunto ganhou repercussão internacional e milhares de cartas, e-mails, ameaças de boicote ao programa apresentado pela modelo invadiram a mídia e restabeleceram a dinâmica da democracia. (EB)

sabato, gennaio 06, 2007

a bela Sofia Loren é destaque no calendário Pirelli de 2007

Com imagens realizadas com um lençol sobre uma cama de casal numa casa na Califórnia (EUA) pelo casal holandês Inez Van Lamsveerde e Vinoodh Matadin, a edição 2007 do Calenário Pirelli traz fotografias de cinco atrizes entre as quais se destaca a bela Sophia Loren. Aos 72 anos, a bela atriz ainda conserva os traços que a tornaram famosa no cinema. As outras são: Penelope Cruz, Hylary Swank, Naomi Watts e Lou Doillon, que vem a ser filha de Jane Birkin. Segundo os autores, que já fizeram campanhas famosas para Calvin Klein, Louis Vuitton e Yohji Yamamoto, etc., etc., "a idéia era fugir das tradicionais belas locações e criar uma atmosfera sexy intimista". Para a publicação foram selecionadas vinte e seis imagens, todas em preto e branco. Distribuído gratuitamente, o calendário tem tiragem média de 30.000 exemplares.

martedì, novembre 21, 2006

o pintor e sua modelo

Málaga, Espanha (BlowUp Press) - Uma das facetas mais desconhecidas do pintor Pablo Picasso, a poesia, é revelada em um livro que começou a ser vendido recentemente como celebração do 125º aniversário do seu (dele) nascimento. Os textos foram reunidos pelo pesquisador Rafael Inglada, um dos principais estudiosos da vida e obra de Picasso, que também considera que "o Picasso claramente espanhol, andaluz e malaguenho está no Picasso escritor". O livro chama-se Textos Espanhóis (1894 a 1968) e traz temas taurinos e gastronômicos, os hábitos, costumes e as raízes e tradições espanholas. Este lado literário de Picasso é praticamente desconhecido do grande público, sendo conhecida apenas uma edição completa das suas obras - Picasso Écrite - publicada pela editora francesa Gallimard em 1979; e um livro publicado na Espanha em 1961, Trozo de Piel, onde se incluem alguns dos poemas do pintor, descobertos pelo então Prêmio Nobel de Literatura Camilo José Cela. (E.B.)
phBarrox, 2006 DUAS SEMANAS
Carlos Pessoa Rosa
A pedra tumultua a água. Há uma fronteira entre as águas e a névoa. Ondulações até a margem. Os pés no charco, folhas secas e amarelentas; outonais. Nebulosa memória que traz a imagem de uma embarcação azul, tal cisne, figura feminina e lunar: La barca azul de mi ilusión navega... O Coro. Noturno de Chopin. De onde? Dedilham no silêncio de vento e pólen. Enviam cintilações musicais, conversações de seda, cadentes fragmentos de poemas. O desnudar lento da verdade. A insônia que me faz caminhar nas madrugadas, a procura insana de um território onde a dor da perda seja fugaz, onde duendes curem com o recurso de suas florestas y vibra un mundo eterno de armonía.
Caminho sobre areia e pedras. A luz, um rebrilhar de luz nos cristais de luminárias centenárias. Ouvíamos a Sonata em Si Bemol Menor, o vinho tinto entornado da garrafa, fora chovia, lia sua mão, Tenéis a suavidad de las serenas manos de las princesas celestiales..., não desconfiava de nada quando você me comunicou a decisão, passo, então, as manhãs tentando desvendar os mistérios das rupturas, os mínimos sinais sísmicos que sinalizam para a perda, quero prever, me preparar, mas o que consigo é chegar cada vez mais próximo do delírio, daquilo que senti ao ver escorrer dos lábios ainda úmidos de vinho um fio de sangue: Me miro torvamente com mirada que era rencoroso puñal... Não disse nada, deixei sua mão escapulir, o corpo crescer na minha frente, permiti que desaparecesse para sempre na porta do Hotel Nacional.
Sube el incienso en espiral, y en tanto la barca azul de mi ilusión navega como si fuera un cisne sobre un lago... A vela enfurnada pelo vento, desabotôo a roupa de Ana, a brisa misturada ao suor e gemidos, no ouvido Balada em Sol Menor, os corpos agitados, Tú tienes la belleza peregrina de uma princesa delicada y fina, o mar relembrando poemas, você nua reparando o batom, os pêlos negros entre as coxas... Quem imaginaria no mar aberto um abismo? Sigo meu rastro como o cão seu rabo. Sua figura presente. O olhar quase sempre obliquado, o longo pescoço levemente inclinado, como se procurasse algum vão entre a vida e os mistérios da morte, La aldea y la cripta, y el silencio arcano de los obscuros templos, para lá se dirigiam seus olhos negros, imaginei um lugar também para mim, mas não, você optou pela serenidade da clausura, eu continuo vagando entre sombras, nesse formigueiro de gente incendiária, à procura da metade perdida, de uma muchachita de carne perfumada com água de Colônia y fabón de Castilla, a quien ame com una pasión vaga y sencilla, que nació de unos versos de amor y uma mirada.
Ondas arrebentam-se no muro de cimento, ciclistas pedalam em direção ao cais, barcos aguardam ordem para aportar, ouve-se a memória de Guevara em todos os guetos, El gaúcho de voz dura, brindo a Fidel su sangre guerrilera, y su ancha mano fue más compañera cuando fue nuestra noche más oscura. Che! Quando se rompeu o elo entre a realidade e a fantasia? Onde estará Ana? Talvez em ilha Blanca, onde dizem terem visto um pájaro que afina su flauta aristocrática y divina... Hoje, busco o bulício banal dos salões, passo as tardes vendo homens fugirem em câmaras-de-ar, procuram Anas perdidas, distraio-me com a impossibilidade, a névoa se foi, a barba cresce no rosto, Ana pode ter morrido de um mal quase romântico, o que sei é que, En realidad, apenas sufrimos o gozamos; hablamos 5 veces y 9 nos miramos. Fue um pasión que solo duró 14 dias.

venerdì, novembre 03, 2006

Mariana Piccione & Priscila Matsuoka, ph Barrox
crônicas da Camaleoa

Hilda Hilst chega com o dedo na cara e escreve sobre bunda, peito, pinto e xereca enquanto tentamos achar a Patagônia e a Terra do Fogo no mapa do Brasil e ainda há quem diga que literatura erótica é coisa suja, de gente pervertida que só pensa besteira e sem nenhum valor literário. Mete, mete dinheiro na cueca, na mala, na conta no estrangeiro e ela escreve sobre água vaginal apesar do professor dizer que essa linguagem não tem nada de literatura. R-E-A-L-I-D-A-D-E. Fugir dela, sentar nela, currá-la até o sangue começar a pingar e as crianças se curvarem todos os sábados na nossa frente pedindo um pouco de dinheiro pra qualquer coisa e os pais de longe, comandando tudo sem medo do HOMEM já que não têm mais nada a perder.
Literatura erótica, literatura marginal, literatura autobiográfica, literatura clássica, literatura feminina, literatura da periferia quem diria, meu amigo Canclini! O que é literatura? Eagleton e Nitrini me socorram! Salve a Literatura Comparada! Não se pode mais negar nem fazer de conta de que os blogs estão aí e todo mundo escreve e aquele escritor lá de onde o Judas perdeu as botas – seria da Terra do Fogo? – pode revelar ao mundo de que não precisa ser americano nem argentino pra ser um puta escritor. Não é a toa que o Prêmio Nobel de Literatura, este ano, foi para o turco Orhan Pamuk.
Paulo Coelho na Academia de Letras e na sala de aula Italo Calvino com Seis (cinco) Propostas para o Próximo Milênio me conta sobre Medusa e Perseu, lendas, fantasia, o carnavalesco e posso fazer uma certa diferença entre Anaïs Nin e Hilda Hilst. De novo as teorias são bem diferentes uma das outras e literatura erótica continua na margem. Mas onde está o centro, onde está a margem? Silviano Santiago X Harold Bloom.
Olha bem nos meus olhos e me diga: por quê mais uma antologia? Todo mundo escreve e está bem espalhado pelos continentes com sua língua, com seu sotaque, com a vivência cultural específica. É possível mapeá-los? Vinde a mim, GPS literário! Bandini que não é carne, nem peixe nem flor que se cheire, no quarto de hotel, pensando em Camila, escreve, escreve assim como eu, como você. Editoras brigam pra sobreviver e escritores brigam pra serem bem distribuídos enquanto Paulo Coelho pipoca pelas estações de metrô em São Paulo a preços populares. Por isso os discursos – de direita e de esquerda – são tão iguais. Nenhum deles se importa com nada... além do próprio umbigo.

giovedì, novembre 02, 2006

Cenas do cotidiano da cidade na exposição São Paulo a Lápis,
de Marcelo Senna
foi o destaque em novembro de 2006
no Restaurante Consulado Mineiro da Praça Benedito Calixto

martedì, ottobre 24, 2006

phBarrox


edição#47
JULIA PORTO
produção Rita Santilli
assistente Camaleoa

mercoledì, ottobre 18, 2006

phBarrox
Empório das Gerais
agora junto ao restaurante Consulado Mineiro da Cônego.
tem artesanato, bordados, cachaças e doces típicos de Minas, tudo ali na Cônego Eugênio Leite quase esquina com a rua Pinheiros.
Informações:
(11) 3081-0927.

martedì, ottobre 17, 2006


JAZZ
QUANTO MAIS VELHO MELHOR
por Rebecca Navarro Frassetto
O cheiro da noite pairava na frente do cemitério, feliz da vila onde ali JAZZ uma balada de outono-primavera-verão.
Havia quem ia e vinha pra ver os caras entrarem ou tocarem ao som do vinho que o outro cara nos ofereceu ali mesmo na porta, no canto da boca da boca seca que pensava na pedida do banco, balcão, cotovelo no bar!
Quatro anos sem parar! Sem pares. Nem pares. De repente alguém com charuto sabor chocolate veio nos saudar confundindo o cheiro da noite, já que você não está em outra e nem pretende estar. Quem ficou teve a cadência do bar que sabe do fim de tarde, que entende da noite, dos cantores, dos amantes do jazz. Quem ficou sabe bem das horas, daquelas que passam ao som de Lanny, Aluá Nascimento, Renato Consorte, Thiago Righi, Beto Bertani, Pollaco, Projeto Fuzuê, Silvio, Galucci, Ivan Paiakan, Guto Brambila, Bossa Sampa e tantos outros que quando você menos espera estão ali pra te surpreender. Quem chegou, já veio diferente. Veio músico de Paris, do Louvre, da Torre Eifel. Quem entrou tinha barba, bigode, cavanhaque, guitarra, bateria, trompetes e saxofone, veio de mão dada, de coração batendo mais forte, de saia, de esmalte vermelho e unhas por fazer. Quem esperou do lado de fora fumou um cigarro e, no lado de dentro até o intervalo era bom de esperar.
O Teta foi desses que transformou a noite da cidade e os arredores do cemitério em algo melhor, algo de charme avec Brasil, algo entre o licor e a cachaça a poesia e a piada bem dita. Não é a toa que vale celebrar quatro anos, seis meses e mais alguns dias de um bar que desde sempre ofereceu sua graça de graça instigante e melhorou com o tempo só pra gente gozar dos bons momentos ainda que seja num bate papo à beira da porta do lado de fora com a alma por ali, viva no meio do cheiro da noite em uma noite qualquer.

serviço:
TETA JAZZ BAR
r. Cardeal Arcoverde
(em frente ao... adivinha!).
maiores informações confira a programação diária do Teta
na página 2 da versão impressa
deste (também) irresistível mensário

CRÔNICAS DA CAMALEOA
Letras em Cena
Fiz a peça como se fosse uma brincadeira, foi a frase de Elias Andreato durante o bate-papo depois da leitura de Mãe é Carma, um dos textos teatrais lidos no projeto Letras em Cena que vem sendo apresentado todas as segundas no MASP. Brincadeira, assim como as sandices bacanas de Cage no piano preparado, que deu muito certo e não é exclusividade de um momento apenas, não, é um conjunto que começa desde a elaboração do projeto que surgiu com a idéia de Clóvis Torres e Marina Mesquita.
Porque a motivação inicial era essa de se reunir para ler, pelo simples prazer da leitura e não para discussões filosóficas e técnicas sobre teatro. Clóvis e Marina programaram uma agenda que proporciona ao público que gosta de teatro saber um pouco mais sobre o processo de criação dos autores e estes a apresentarem seus trabalhos, suas propostas de roteiro. Uma leitura de um clássico da dramaturgia universal, um sucesso de público nos palcos brasileiros, um convidado contemporâneo – de vários estados do País – e um dramaturgo paulista. Ao todo são dez trabalhos de cada módulo ao longo de nove meses de duração do projeto.
E por aí vai a liberdade de fazer arte, brincando para que a dona-de-casa possa sair de sua rotina e descobrir um mundo que até então era desconhecido. Há satisfação nos olhos de Clóvis e Marina e há emoção em quem vai e assiste a leitura, assim como aconteceu com Patrícia que ao falar do texto de Andreato se emocionou e lá de onde eu estava eram visíveis as lágrimas da atriz Claudia Missura pela morte de sua personagem Cida.
Letras em Cena é um projeto que caminha por si só, talvez por conta desse espírito de leveza e compromisso que toda criança tem com seu brinquedo, e já levou atores como Paulo Autran, Rosi Campos, Cida Moreira, Karin Rodrigues, Lima Duarte e tantos outros que lá estiveram e estão por aparecer pelo simples – de novo – gosto da diversão, do encontro de amigos. Ninguém recebe cachê. Clóvis e Marina não estão sentados num banco de praça reclamando falta de patrocínio ou esperando a aprovação do projeto pela Lei Rouanet. E quando sair – e é preciso que isso aconteça – será porque o projeto tem vida própria não exclusivamente por apelos ou conchavos político-culturais.
O interesse pelo projeto Letras em Cena também é perceptível no site que conta com 135 comentários e 30 mil visitas diárias. Marina conta que só durante uma semana recebeu 200 cadastros de pessoas que querem acompanhar a programação semana a semana. Ainda há grupos de escolas, de jovens do ensino médio, que depois de participarem da leitura produzem seus próprios roteiros.
Muito mais do que isso são os aplausos no final da leitura e o público que levanta tomado por tanta alegria e aplaude sem parar porque entendeu, porque se emocionou, porque interagiu num processo – que a princípio parece tão simples – no qual ele é o mais importante. Somos o que experimentamos. Clóvis e Marina proporcionam esse encontro, de graça, sem pretensões mesquinhas por isso ouvem com muita atenção o que cada um que levanta o braço tem a dizer e respondem e explicam e se organizam para que as colocações sejam democráticas.
Então se você estiver numa segunda cansado de conversa fiada por aí ou quiser um programa inteligente e diferente não deixe que o barulho da cidade te arraste desnecessariamente até sua casa. Aproveite e caminhe e olhe nos olhos das pessoas que andam apressadas pelas calçadas, que saem ligeiras dos metrôs e ligue para os amigos e sugira um encontro na Paulista, na frente do MASP, às 7h (porque é bom chegar meia hora antes), para chorar um bocado, para rir muito a ponto de doer o estômago porque a vida, meu irmão, não é só trabalho, nem só dinheiro. A vida é pura diversão.

As leituras dramáticas do Letras em Cena acontecem às segundas-feiras a partir das 19:30h
no Grande Auditório do MASP, na av. Paulista.
As inscrições podem ser feitas
gratuitamente pelo sítio www.letrasemcena.art.br
ou ou pelos tels. (11) 3086.4224 e 9635.8599.

lunedì, settembre 18, 2006

e não é que deu certo? a 'sorte' do Jornal da Praça, feita num realejo no ano da graça de 2002 (reprodução Rebecca N Frassetto)